Marquise

Tudo começa por M na música dos Marquise: Mafalda, Matias e Miguel (vezes dois), não precisaram de reinventar a roda para honrar a arte de fazer boas canções. Bastou-lhes equilibrar minuciosamente o passado e o presente, dedilhando a sensibilidade pop dos 80s sobre o rasgar dos 90s, e pincelar o desconstrutivismo sónico deste século com poesia abstrata.

“Ela Caiu” (2025) é o primeiro álbum de Marquise, uma produção Saliva Diva, sucedendo ao EP homónimo que apresentou a banda portuense em 2023. Alicerçada em canções e refrões orelhudos, rock duro e doce como pedra e bolo mármore, guiada por uma voz que tanto derrete sobre tarolas marteladas, como debita raiva sobre guitarras melosas.

Há artistas que carregam o ceptro da intemporalidade, que não deixam apagar a chama olímpica, que resistem à sedução do contemporâneo (esse falso amigo com que todas as obras datadas um dia se envolveram). Marquise soa a Banda e prova que essa forma de expressão (e de ser) coletiva faz tanto sentido agora como quando surgiu.