Oub'lá

Bearbug

 

“As melodias e as vozes são assumidamente frágeis”

 

O urso-inseto ainda mora num casulo. Um casulo grande, mas aconchegado por ecos e reverberações que fazem com que a voz tímida de Rolando Babo cresça para sentir que há esperança. Dos Bearbug ainda só conhecemos “Mt. Orchid”, o primeiro tema do grupo que começou com Rolando e a quem se juntou João Pedro Silva, Vítor Butuc e Rui Souza. Devagar, devagarinho, sem grandes pressas, sem grandes explosões, música a música, vídeo a vídeo até “fevereiro ou março de 2018”, altura em que poderá vir a nascer o primeiro disco dos Bearbug.

Enquanto isso não acontece, Rolando Babo conta-nos como nasceu este urso-inseto.

 

Andei à procura de informação sobre os Bearbug para perceber quem são, mas a verdade é que não encontrei muita coisa…

A nossa ideia foi sempre um bocadinho essa: envolver todo o projeto em mistério para não ser algo tão evidente e irmos construindo uma imagem ao longo de todo o processo.

 

Então quem são os Bearbug?

Em forma de casulo — ainda enquanto larva — começou há uns anos com umas músicas… Isto começou há cerca de quatro anos como sendo uma coisa mais minha, mais a solo. Eu ia fazendo música e ia convidando malta para tocar comigo, mas essa ideia foi rapidamente fechada. Parei com isso durante uns tempos até que nos juntámos todos, outra vez — eu, o João Pedro Silva, o Vítor Butuc e o Rui Souza. Eu fazia coisas muito básicas, as melodias de voz e guitarra e a partir do momento em que os encontros aconteciam com mais regularidade, decidimos que era o ano para pegar em Bearbug.

 

E esse casulo já transformou?

Numa borboleta (risos)! Não, acho que ainda não… é um casulo, só que um bocadinho mais sério. Estamos em modo lagarta para quando aparecermos com mais coisas durante este ano, e até fevereiro ou março de 2018, sairmos em modo borboleta. Esplendorosa.

 

“Por um lado é mais confortável quando as pessoas não sabem quem somos. E poder jogar um bocadinho com isso, com as sombras. Por outro lado, achámos que era o que se enquadrava melhor com a nossa música, com uma estética um bocadinho mais misteriosa e sonhadora”

 

Porque é que quiseram manter este mistério à volta dos Bearbug?

Por um lado é mais confortável, mais seguro, quando as pessoas não sabem quem somos. E poder jogar um bocadinho com isso, com as sombras. Por outro lado, achámos que era o que se enquadrava melhor com a nossa música, com o tipo de sonoridade que fazemos, com uma estética um bocadinho mais misteriosa e sonhadora. Se revelássemos muito, poderia perder a magia da música… aquele aspeto mais onírico que tentamos passar com a música.

 

O vosso primeiro tema, “Mt. Orchid”, pode ser perfeitamente o reflexo do nome da banda: Bearbug — metade urso; metade inseto: uma canção delicada, mas que tem, ao mesmo tempo, uma força tremenda.

Acho que foi a coisa mais bonita que já disseram sobre a música. Muito obrigado. Ainda bem que passa essa imagem, porque foi isso que tentámos passar. As melodias e as vozes são assumidamente frágeis, mas temos tentado fazer uma construção simples, ao mesmo tempo que consigam ter um impacto e que soe grande. É um processo um bocado complicado, porque temos mesmo de partir de coisas simples — guitarra e voz — e e num tema como este, o “Mt. Orchid”, a guitarra acaba por ficar só em pequenos pormenores. Leva uma volta enorme, de facto, até encontrarmos o ambiente que achamos ser certo.

 

“Mt. Orchid is the place to go”. Sobre o que é que fala este primeiro single?

Tanto este como os outros temas que já estão escritos tocam a parte mais emocional, de procura interior através das relações. Esta fala dos medos que toda a gente tem. Mas as músicas são todas um bocadinho para o melosas, a nível de tema. Por isso acabam sempre por falar de fragilidades emocionais e essas coisas todas.

 

“Tanto este como os outros temas que já estão escritos tocam a parte mais emocional, de procura interior através das relações. Esta fala dos medos que toda a gente tem. Mas as músicas são todas um bocadinho para o melosas, a nível de tema”

 

Então o “Mt. Orchid” é um lugar de conforto?

Ainda que sejam músicas sobre medos, inseguranças, desgostos e relações, têm sempre um lado otimista… quer dizer, é aquele saudoso pesar. Em que se olha para trás com um sorriso, mesmo que as coisas tenham sido meio estranhas. É ir buscar a beleza às coisas menos boas.

 

Quando começaste o projeto, a solo, deste-lhe logo o nome de Bearbug?

No início não havia um nome, porque não havia necessidade de dar nome ao que quer que fosse, mas depois sim. O pegar a sério em Bearbug foi já no início deste ano.

 

Sentiste que já não bastava só a tua voz e a tua guitarra?

Eu sempre senti isso. A ideia era de projeto a solo, mas apercebi-me rapidamente que não iria ser possível, porque apesar de as músicas resultarem só com guitarra acústica e voz, aquilo que queria fazer não podia passar só por aí. Precisava de um bocadinho mais de suporte a nível de instrumentação.

 

E como é que apareceram estes amigos com quem partilhas hoje o teu projeto?

A parte curiosa é que eu, o João e o Vítor estudámos juntos. E ainda que nos conhecêssemos muito bem, acabámos por nos cruzar em Lemon Lovers — outro projeto em que estamos todos, também. Houve uma mistura dos membros dos dois projetos e acabámos por nos dar bem e funcionar em Bearbug.

 

Já editaram um single, o tal “Mt. Orchid”, e editaram um vídeo que me pareceu ser na Serra da Estrela… 

É a Serra da Estrela, sim! Ainda que algumas pessoas topem o sítio, conseguimos sempre recortar momentos de lá que faz com que possa, na verdade, ser num sítio qualquer, completamente aleatório.

 

“Se tudo correr bem, em fevereiro ou março de 2018 o disco estará cá fora com os vídeos todos correspondentes. Vamos ver se até ao final do ano vamos lançar mais uma música nova… Quem sabe no final do verão”

 

Já têm mais músicas na calha?

Estamos numa fase de pré-pré-produção, ou seja: a reconstruir as bases de todas as oito canções que temos preparadas — a contar com single. Esta fase, em que estamos a trabalhar com o João Brandão — dos Estúdios Sá da Bandeira — serve para criar novos arranjos, novas roupagens. Se tudo correr bem, em fevereiro ou março de 2018 o disco estará cá fora  com os vídeos todos correspondentes. Vamos ver se até ao final do ano vamos lançar mais uma música nova… Quem sabe no final do verão.

 

E todas as canções do disco vão ter vídeos?

Sim, achámos interessante fazer um teledisco em formato Super 8 para todas as músicas. No fundo é um vídeo gigantesco — um filme do álbum que estamos a pensar lançar quando o disco sair.

 

Entrevista: Bruno Martins