• Poder Soul

    6 setembro 2021 – 10 setembro 2021

    Segunda-feira

    The Super Soul Movement

    Bad-Bad-Bad

    APM

    Inspirados pelas actuações de nomes como Archie Bell ou Johnny Taylor no Elk’s Club, o único espaço da pequena cidade do Mississippi – Moss Point – a receber a visita de estrelas, Lenny e Doug Stallworth, Sam Stanton, Leonard Walker, Phillip Williams, Frank Rogers e Gil Bolton, começaram a tocar juntos nas traseiras da casa da família Stallworth.

    Aquilo que começou por ser um hobby, deu lugar à criação do mais estimulante e personalizado Funk, resultante duma mistura explosiva das suas leituras de Jimi Hendrix, Sly Stone e James Brown, levando Jackie Well, um bem sucedido comerciante local, a querer investir no grupo, baptizando-o The Super Soul Movement.

    Apesar de não poderem fazer o circuito de clubes nocturnos, por serem quase todos menores, acabaram por consolidar uma sólida reputação local, actuando num circuito alternativo, que incluía parques e ringues de patinagem, num raio de 100 quilómetros à volta de Moss Point.

    Em 1974, Jackie patrocionou-lhes uma ida aos APM Studios, para gravarem aquele que seria o seu único disco, na expectativa de que isso fosse o trampolim que necessitavam para o sucesso.

    Isso não viria a acontecer e nem duas incursões à Califórnia, evitaram a dissolução do grupo, em 77.

    Ainda assim, “Bad-Bad-Bad”, o sete-polegadas que nos deixaram, transformou-se num disputado troféu entre os mais abastados colecionadores da cena especializada e garantiu-lhes um lugar de culto entre os mais atentos adeptos da melhor música negra.

     

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  • Poder Soul

    6 setembro 2021 – 10 setembro 2021

    Terça-feira

    Ripple

    I don’t know what it is but it sure is funky

    GRC

    Fundados em 1973, no Michigan, por Simon e Walter Carter, David Ferguson, Bill Hull, Curtis Reynolds, Keith Samuels e Brian Sherrer, os Ripple foram uma marcante banda, que nos deixou vários hinos incontornáveis da cenas Funk e Disco.

    Até 77, o grupo gravou dois Lps e perto de uma dezena de singles: primeiro para a GRC, uma das marcas do grupo editorial fundado pelo milionário da industria porno – Michael Tevis Jr. – que incluía selos de referência, como Aware, Hotlanta ou Clin Tone, e depois para a decisiva Salsoul, entre os quais se encontram alguns êxitos e clássicos estrondosos, como “The beat goes on”.

    Registado em 73, para o seu álbum de estreia, homónino, e também prensado em sete-polegadas – “I don´t know what it is but it sure is funky” – é um desses temas históricos.

    Uma verdadeira bomba Funky Soul, que destroi qualquer pista de dança, está entre os maiores clássicos daquela década e é obrigatória em qualquer coleção que se preze.

     

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  • Poder Soul

    6 setembro 2021 – 10 setembro 2021

    Quarta-feira

    The Tom - Emmanuel + Ron Experience

    When you lose your groove

    Golden Three

    The Tom – Emmanuel + Ron Experience é um misterioso projecto que apenas gravou um sete-polegadas, em 1970.

    Terá sido uma aventura, de Juan Amalbert, o percussionista Jazz, nativo do Harlem, também conhecido como Emmanuel Abdul-Rahim que, antes de emigrar para a Dinamarca, em 77, colaborou em discos fundamentais de gente como Shirley Scott, Eric Dolphy, The Latin Jazz Quintet, Willis Jackson, John Coltrane ou Art Blackey, para além de ter assinado a obra-prima “Total submission”.

    Tudo indica que Emmanuel seria um dos membros de um trio que incluíria Ron Sawyer e um tal de Tom, mas não se sabe absolutamente nada acerca dos restantes fundadores da Golden Three, marca que criaram para editar o seu único disco e que desapareceu logo a seguir.

    Seja como for, esta incursão do conceituado músico Jazz ao território da Soul, transformou-se num cobiçado tesouro entre os mais progressivos Djs e colecionadores da cena especializada.

    “When you lose your groove” é o lado b deste single e, para mim, o seu momento de génio.

    Uma autêntica pérola Crossover, rara e valiosa no seu formato original que, felizmente, acaba de ser reeditada pela Acid Jazz.

     

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    6 setembro 2021 – 10 setembro 2021

    Quinta-feira

    The Continental IV

    Escape from Planet Earth

    Jay Walking

    Nativos de Camden, no estado de New Jersey, Freddie Kelly, Anthony Burke e os irmãos Larry e Ronnie McGregor, formaram os Continental IV, na viragem dos 60 para os 70, quando andavam no Liceu.

    O imensamente talentoso quarteto vocal, construiu uma sólida reputação na Tri-State Area e só a falta de sorte e de suporte não lhe permitu atingir o alcance e os níveis de popularidade de seus contemporâneos, como os Delfonics ou os Stylistics.

    Ainda assim, entre 1970 e 78, altura em que se separam, os Continental IV, gravaram um grande Lp e oito belos singles, a grande maioria para a Jay Walking, uma subsidiária da Soulville Records, marca de referência, fundada por Bobby Fulton, em Harrisburg, na Pensilvânia.

    Também editado em single, “Escape from Planet Earth” é um dos temas que compõem “Dream world”, o longa-duração produzido por Bobby Martin, na companhia da nata de Filadélfia, como Earl Young, Ronnie Baker, Roland Chambers, Norman Harris ou Vince Montana.

    Uma imensa canção Funky Soul midtempo, tingida pelo psicadelismo, com uma inconfundível intro, que, na minha opinião, é o mais intenso momento de um grupo que se tornou numa referência para os amantes da mais doce Soul.

     

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  • Poder Soul

    6 setembro 2021 – 10 setembro 2021

    Sexta-feira

    The Stars

    (We are the) Stars

    André

    The Stars é um projecto de um só disco que parece celebrar o reenconto de dois protagonistas da cena Soul de Milwaukee – Cedrick Rupert e o lendário Harvey Scales – na Baía de São Francisco.

    A relação entre Cedrick e o importante cantor, compositor e produtor, que nos deu “Trying to survive”, remonta ao princípio dos anos 70, quando, ao lado de John Pierre Gee, Michael Reese, Robin Gregory e Jeffrey Williamson, baterista dos incontornáveis Seven Sounds, a banda suporte de Harvey Scales, fundou os Impulse.

    O grupo, que assegurou a base instrumental dos Quadraphonics, quarteto vocal gerido por Scales, seguiu o seu conterrâneo até Oakland, na Califórnia, para gravar um Lp que nunca veria a luz do dia, e, paralelamente, nessas sessões de gravação nasceriam The Stars, que apenas editariam um sete-polegadas, nos primeiros anos da década de 80, através da misteriosa independente André.

    Se dos registos dos Impulse, apenas quatro temas seriam recuperados, entre 2018 e 2020, “(We are the) Stars” transformar-se-ia num verdadeiro Graal.

    Uma deliciosa e contagiante canção Disco Boogie que acaba de ser reprensada pela Fantasy Love, para júbilo de todos os amantes da mais independente música negra.

     

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