• Poder Soul

    5 abril 2021 – 9 abril 2021

    Segunda-feira

    Lucky Carmichael

    Hey Girl

    Pam

    Pianista e cantor, James Anthony ‘Lucky’ Carmichael nasceu em Harrodsburg, no Kentucky, em 1920.

    Iníciou o seu percurso artístico na década de 50 e, depois de precorrer o país como líder de orquestra de troupes teatrais, fixou-se em Chicago, onde, apadrinhado por Bobby Bland, começou a tocar no circuito de clubes nocturnos, na companhia da banda de Lefty Bates.

    Embora nunca tivesse parado de pisar os palcos, até 82, o ano da sua morte, Lucky Carmichael apenas gravou três sete-polegadas, entre 1960 e 62, para as independentes da Windy City: Dillie, Shar e Pam.

    Produzido por Bill “Bunky” Shepperd, para a Pam, “Hey Girl” foi o seu derradeiro single e, para mim, a sua grande contribuição para as pistas de dança.

    Uma enorme canção, com uns tremendos arranjos para Big Band e uma grande interpretação vocal, que espelha na perfeição a transição dos Rhythm + Blues para a Soul e que, sendo extremamente rara na sua prensagem inicial, pode ser assegurada na sua segunda edição, através da Loma, sem ter que se cometer qualquer loucura.

     

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  • Poder Soul

    5 abril 2021 – 9 abril 2021

    Terça-feira

    George Guzman

    Lazy Boogaloo

    Fania

    Versado nas congas, George Guzman foi um líder de orquestra latino-americano, baseado em Nova Iorque, que dominava um sem número de instrumentos de percursão, assim como o saxofone.

    Em 1967, resolveu telefonar a Jerry Masucci, o mítico fundador da Fania, e candidatar-se para uma audição que viria a marcar o início de um curto, mas marcante percurso, que o transformaria numa referência obrigatória da cena Boogaloo.

    Completamente rendido ao seu talento, Harvey Arvene pediu a Masucci para o contratar e, entre 68 e 69, George Guzman gravou dois históricos Lps e igual número de singles, para a marcante editora nova-iorquina.

    “Lazy Boogaloo” é um dos temas que compõem “Introducing George Guzman”, o seu extraordinário Lp de estreia, e um dos enormes clássicos que nos deixou.

    Uma contagiante canção que leva qualquer pista de dança ao rubro e que é completamente obrigatória em qualquer coleção que se proponha cobrir a faceta mais Soul da música latino-americana, até porque o Lp de onde a retirei foi reeditado, há um trio de anos, pela Get on Down.

     

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  • Poder Soul

    5 abril 2021 – 9 abril 2021

    Quarta-feira

    Slickaphonic

    Pick up the pieces

    Albina Music Trust

    Uma iniciativa da World Arts Foundation, o Albina Music Trust tem prestado um autêntico serviço público ao desvendar a música negra perdida daquela área de Portland, no Oregon.

    O álbum dos Slickaphonic, gravado em 1975, mas apenas editado este ano é um exemplo perfeito do seu extraordinário trabalho.

    Liderados pela baixista Randy Smith, mentor de projectos como Sophistacated Funk, Groove Tube e Flirt Band, hoje conhecido como Randy Starr, os Slickaphonic foram um obscuro grupo local, composto por Andre Billingsley, Milton Davis, Kit Garoutte, Doug Lewis, Donnie Miller, Tom Tucker e Jimmy Washington que registou um álbum, cujas fitas ficariam esquecidas num armário, até serem resgatadas por Bobby Smith, o fundador do Albina Music Trust, para, finalmente, revelar esta verdadeira obra-prima.

    “Pick up the pieces” é um dos seis belos temas que compõem este obrigatório Lp e um perfeito cartão de visita para esta banda, até agora, completamente desconhecida.

    Uma enorme versão do clássico dos Average White Band que, na minha opinião, supera em muito o original, e é um retrato fiel do imenso talento destes músicos, injustiçados pela história.

     

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  • Poder Soul

    5 abril 2021 – 9 abril 2021

    Quinta-feira

    Crunch

    Funky beat

    Style

    Não se sabe praticamente nada sobre este disco, nem sobre o misterioso artista que o gravou.

    Sabe-se que, aparentemente, Crunch foi uma espécie de “one-man band” de New Orleans e que o seu único sete-polegadas, será uma gravação caseira, editada em 1982, pela Style, pequena independente que não passou deste lançamento. Não se sabe mais nada.

    Mas, apesar da grande maioria das centenas de cópias deste sete-polegadas, prensado pela Ville Platte Record Mnf. Co., também no Louisiana, terem desaparecido no meios dos escombros do Katrina, a exemplo do que aconteceu com o seu master, os multi-pistas desta sessão foram milagrosamente recuperados, por Andrew Morgan, permitindo que a sua Peoples Potencial Unlimited, o reeditasse, com uma mistura que procurou ser o mais fiel quanto possível, ao original.

    “Funky beat” é um dos dois belos e estranhos lados desta descoberta e, para mim, aquele que mais apelo tem.

    Um genial semi-instrumental Disco, todo construido com recurso a instrumentos electrónicos – de caixas de ritmos vintage a sintetizadores analógicos – que soa hoje tão original e futurista, como quando, bem longe de Chicago, parecia anunciar o nascimento do House.

     

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  • Poder Soul

    5 abril 2021 – 9 abril 2021

    Sexta-feira

    Prime Cut

    I'm so glad

    Polydor

    Depois de, em 1970, ter gravado e escrito “Hey James”, o colecionável single dos 21st Generations, para a Tri-City, o cantor e compositor de Detroit – James Cobbin – mudou-se para Los Angeles, três anos mais tarde, para formar os Prime Cut.

    A banda, que não se sabe se tinha mais algum elemento do seu primeiro grupo e que incluía Jay Wilson e Ronald Murray no seu line-up, estreou-se como suporte de Keisa Brown, em 73, e, logo a seguir, foi recrutada por Clay McMurray, um produtor também nativo de Detroit para gravar os seus dois primeiros singles, editados pela Polydor e pela Shaddybrook.

    Os discos foram verdadeiros flops comerciais e James Cobbin e companhia fizeram uma autêntica travessia do deserto, para reaparecerem uma década mais tarde, com a edição de mais dois singles, entre 83 e 84, através da independentes California Gold e Tuckwood.

    “I’m so glad” é o lado b do seu sete-polegadas de estreia e o seu supremo momento.

    Uma deliciosa canção Sweet Soul, com uma produção, uns arranjos e uma interpretação superlativas, que está entre a melhor música negra registada nos anos 70.

     

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