• Poder Soul

    4 janeiro 2021 – 8 janeiro 2021

    Segunda-feira

    Georgie Fame

    Soul stomp

    Polydor

    Nascido Clive Powell em 1943, na pequena cidade de Leigh, Georgie Fame é um dos principais activistas da cena Rhythm + Blues britânica.

    Começou a aprender a tocar piano com sete anos e aos dezasseis mudou-se para Londres à procura de fazer carreira no mundo da música.

    Através de Larry Parnes, então seu manager, conheceu Billy Fury, que o recrutou para a sua backing band – os Blue Flames – com quem, entre 1959 e 61, precorreu o país a tocar ao lado de nomes como Gene Vincent ou Eddie Cochran.

    Em 61, tornou-se o líder dos Blue Flames, depois destes terem sido dispensados por Billy Fury, para se dedicar ao Jazz, ao Ska e aos Rhythm + Blues, ter uma marcante residência no prestigiado Flamingo Club e adoptar o hammond após ouvir “Green onions” de Booker T. + The M.G.’s.

    Entre 64 e os nossos dias, Georgie Fame gravou dezenas de álbuns e de singles, para marcas como a Columbia, a Imperial, a CBS, a Island ou a Pye, entre muitas outras, tendo sido uma das mais marcantes figuras do movimento Mod, nascido na década de 60, e assinado um número considerável de clássicos.

    Gravado em 66, mas apenas revelado no princípio deste milénio – “Soul stomp” – é uma das suas maiores contribuições para as pistas de dança.

    Uma incendiária versão do instrumental escrito por Richard Street e Berry Gordy e gravado por Earl Van Dyke para a subsidiária da Motown – Soul – que retrata na perfeição o seu imenso talento, leva ao rubro qualquer clube e que, em 2015, foi incluída num apetecível e.p., lançado pela Polydor, no âmbito do Record Store Day.

     

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    4 janeiro 2021 – 8 janeiro 2021

    Terça-feira

    Joey Pastrana + his Orchestra

    King of Latin Soul

    Cotique

    Nativo de Puerto Rico, onde nasceu em 1942, Joey Pastrana fixou-se no Bronx, em Nova Iorque, para se tornar num dos protagonistas da revolução músical, operada pela comunidade latino-americana da Grande Maçã, na década de 60, e que esteve na origem do Boogaloo.

    Percussionista de excepção, com destaque para a forma como dominava os timbales, iniciou o seu percurso artístico em 1965, ao lado de Bobby Valentin, e, entre 67 e o fim do século, gravou cerca de dezena e meia de Lps e o dobro dos singles, para selos de referência como Fonseca, Cotique ou Discos Fuentes.

    Gravado em 68, para a Cotique – “King of Latin Soul” – é um dos temas que compõem “Joey”, o seu quarto álbum, e, na minha opinião, o maior dos vários clássicos que nos deu.

    Uma contagiante canção Boogaloo que nunca falha quando lançada numa pista de dança e que, em 2005, foi incluída na excelente caixa de sete-polegadas, editada pela espanhola Vampi Soul: “Explosivos”.

     

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    4 janeiro 2021 – 8 janeiro 2021

    Quarta-feira

    Manu Dibango et son Orchestre

    Hallelouia

    Surboum African Jazz

    Manu Dibango foi uma das principais figuras da música moderna da África Ocidental, ao fundir géneros locais, como a Makossa, com Jazz, Funk e Soul.

    Nasceu Emmanuel N’Djoké Dibango, em Douala, nos Camarões, em 1933.

    Foi fazer o ensino secundário para Paris, onde viria a descobrir o Jazz e a iniciar o seu percurso, como saxofonista, em pequenos clubes nocturnos, antes de se mudar para Bruxelas, a meio dos anos 50, para, também, se dedicar ao vibrafone e se cruzar com Grand Calle, líder dos African Jazz, um prestigiado grupo do Congo, com quem percorreu palcos de toda a Europa, no início da década de 60, e que apadrinharia a sua estreia em nome próprio.

    Desde 1961 até 2015, Manu Dibango gravou mais de cinco dezenas de Lps e o dobro dos singles, para marcas como a Surboum African Jazz, a Phillips, a Mercury, a Fiesta, a PSI, a Celleloid ou a sua AfroVision, onde constam monstros como “Soul Makossa”, “New Bell”, “Big Blow” ou “Electric Africa”, entre outros, para além de ter colaborado com nomes como Allan Shelly, Hal Singer, Fania All Stars, King Sunny Adé, Sly + Robbie, Bill Laswell ou Herbie Hackock, aventurando-se em quase todas as linguagens urbanas do fim do século XX, desde o Gospel ao Rap.

    Deixou-nos em 24 de Março do ano passado, vítima desse flagelo chamado COVID…

    Gravado em 1962, na companhia dos African Soul, e prensado em dez polegadas, pela ASL, e em sete, pela Surboum African Jazz – “Hallelouia” – é um dos seus menos conhecidos hinos e, provavelmente, a sua primeira grande prova de modernidade.

    Uma explosiva fusão de ritmos africanos com Rhythm + Blues, que rebenta com qualquer pista de dança e que, sendo praticamente impossível de assegurar nos seus raros e disputados formatos originais, teve uma reprensagem de legalidade dúvidosa, em 2011, creditada aos African Souls.

     

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    4 janeiro 2021 – 8 janeiro 2021

    Quinta-feira

    Cocody’s Men

    Shako

    Kébec-Disc

    É praticamente nula a informação disponível acerca dos Cocody’s Men.

    Sabemos que terão estado activos a meio dos anos 70, que apenas gravaram um sete-polegadas para a Kébec-Disc, marca fundada em Montreal, no Canadá, em 1974, por Guy Latraverse, e que, quer o seu nome, quer a sua música, nos sugerem que seriam membros de uma comunidade oriunda de Cocody, um suburbio de Abidjan, na Costa do Marfim, radicada naquela cidade do Quebec.

    Não sabemos mais nada.

    Ainda assim, este disco foi o suficiente para lhes assegurar um estatuto de culto entre os diggers de todo o planeta.

    “Shako” é o lado b de um espantoso double-sider que tem o hino Afro Disco – “Cocody’s” – na face oposta e, para mim, o mais genial do par de temas que nos deixaram.

    Uma autêntica bomba Afro Funk, com um Groove irresístivel e um orgão incisivo, que foi adoptada pelas cenas Deep Funk e Disco e incluída, pela dupla Kon + Amir, na recolha da B.B.E., de 2006 – “Kings of diggin’”.

     

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    4 janeiro 2021 – 8 janeiro 2021

    Sexta-feira

    Paris Ford

    Boogie on down

    Epsilon Record Co.

    Terminamos a primeira semana do Poder Soul, deste novo ano, com aquela que terá sido a maior descoberta de 2020.

    Nativo do Bronx, Paris Ford é um dos mais dotados baixistas da sua geração.

    Começou a tocar no Liceu, antes de substituir, em palco, Woody Hughes, na banda de culto de Richmond, liderada por Tyrone Thomas – The Whole Darn Family – de ser convidado, por Jacques Fred Petrus, para integrar a bem-sucedida Brooklyn, Bronx + Queens Band e de, em 1982, assinar contrato com a Streetwise, de Arthur Baker, para editar o seu primeiro disco, como Pee Wee Ford.

    Até aos nossos dias, Paris Ford colaborou com nomes chave como Rick James, Norman Connors, Lonnie Liston Smith, Michael Urbaniak, Ursula Dudziak, Plunky + Oneness, Jean Carn ou Evelyn “Champagne” King, entre muitos outros, para além de ter lançado um álbum e uma dúzia de singles, em nome próprio.

    Gravado em 1977, no MTR Studio da Platinum Factory, em Brooklyn, na companhia de Lionel Henderson, Wilby Flesher, Kenny Kirkland, Barry Easton e Nestor Souza e com a participação vocal de Sandra Taylor, Oliver Joseph e Barber Bobo Sills – “Boogie on down” – é fruto da sua primeira sessão de estúdio, manteve-se inédito até há um par de meses e é, de longe, o seu mais genial momento. 

    Uma autêntica pérola Disco Soul, ao nível da melhor produção independente daquele período, que foi recebida como um imenso entusiasmo por toda a cena especializada, depois de ter sido resgatada das fitas originais, por Yann Vatiste, e prensada pela primeira vez, ao lado da também excelente “You asked for it come and freak with me”, naquela que foi a estreia da Epsilon Record Co.

     

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