• Poder Soul

    4 abril 2022 – 8 abril 2022

    Segunda-feira

    Tab Smith Trio

    Belly rub

    ELJ

    Saxofonista de eleição, Tab Smith nasceu em Kinston, na Carolina do Norte, em 1909.

    Iniciou o seu percurso artístico aos vinte anos, quando foi recrutado pelos Carolina Stompers.

    A meio dos anos trinta, juntou-se à orquestra de Lucky Millinder arrancando para uma marcante carreira que o levou a colaborar com nomes chave como Count Bassie, Duke Ellington, Billie Holiday, Coleman Hawkins ou Earl Bostic.

    Em paralelo, entre 1944 e 71, o ano da sua morte, gravou dois Lps e dezenas de singles em nome próprio ou como líder de orquestra, deixando a sua marca na história do Jazz e dos Rhythm + Blues.

    Gravada nos primeiros anos da década de 60, para a ELJ Records, pequena independente de St. Louis, no Missouri – “Belly rub” – é, para mim, a sua grande contribuição para as pistas de dança.

    Um tremendo instrumental, que funde Soul e Rhythm + Blues de forma singular, antecipando o mais embrionário Funk, e que se transformou num clássico incontornável da cena Mod.

     

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  • Poder Soul

    4 abril 2022 – 8 abril 2022

    Terça-feira

    Lynn Day

    Bitt off more (then I can chew)

    Big Hit

    Lynn Day foi um obscuro cantor Soul de Detroit que esteve activo entre o fim dos anos 60 e o dos 80.

    Começou por colaborar com Johnnie Mae Matthews, a chamada Madrinha da Soul da Motor City, ao gravar dois singles para Big Hit, uma das sua históricas marcas.

    Depois de uma estadia em Dallas que, a meio da década de 70, rendeu os seus mais raros discos, prensados pelas pequenas independentes locais – Ko-Lect-O e Sonnibuck – apenas regressou aos discos em 84, para gravar um Lp e mais dois sete-polegadas para a Boss, editora que aparentemente terá criado para o efeito.

    Gravado em 71, escrito pelo importante Sir Mack Rice, que divide a produção com Johnnie Mae Matthews, “Bitt off more (then I can chew)” não é um dos seus mais cobiçados discos mas é, provavelmente, o seu maior clássico.

    Uma musculada canção Soul, contaminada pelos Blues, com uma produção e uma interpretação do melhor, que retrata na perfeição o seu imenso talento vocal.

     

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  • Poder Soul

    4 abril 2022 – 8 abril 2022

    Quarta-feira

    Towana + The Total Destruction

    Wear your natural, baby

    Romark

    Esta enorme cantora, que aqui aparece sob pseudónimo, já foi alvo de destaque aqui no Poder Soul.

    De facto, Towana é, nada mais nada menos, que Ty Karim, uma das maiores artistas Soul de Los Angeles, cujo Graal – “You really made it good to me” – foi previamente desvendado neste espaço.

    É que, depois de, entre 65 e 68, ter gravado dois pares de sete-polegadas de culto, sempre em parceria com Kent Harris, seu marido e fundador da Romark Records, apareceu como Towana para assumir o novo som dos 70 e, mesmo tendo voltado a gravar um doze-polegadas com o seu principal nome artístico, em 1980, continuou a usar a designação Towana, não só no lado b desse disco, como em mais um dos dois que assinou para a Sheridan House, antes de nos deixar três anos mais tarde.

    Gravado em 73, para a Romark – “Wear your natural, baby” – para além de ter marcado uma nova fase da sua carreira, é um dos maiores hinos desta genial cantora que nasceu Veatrice Thomas.

    Uma verdadeira obra-prima Crossover que está entre a melhor Soul de sempre e que, sendo extremamente rara e valiosa no seu formato original, foi prensada no lado oposto de “You really made it good to me”, numa preciosa reedição da Kent.

     

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  • Poder Soul

    4 abril 2022 – 8 abril 2022

    Quinta-feira

    Janice “Nicki” Harrison

    Magic of love

    Artisan 3

    Janice “Nicki” Harrison era a cantora menos conceituada do musical que este disco pretendia promover.

    Projecto de Theodore Wortham, produtor, compositor e cantor de Filadélfia que fundou os City Limits, colaborou com a Philadelphia International e trabalhou como nomes como The Futures, Jean Carn, Billy Paul, The Stylistics ou Teddy Pendergrass, entre muitos outros, “The Shepherd” foi uma peça que estreou, em 1980, na City of Brotherly Love e que, três anos depois, chegou à Broadway, com arranjos e produção em parceria com o seu primo Tim Wortham e as vozes de Cynthia Biggs , Ron Richardson e Janice “Nicki” Harris.

    Editada em 81, pela Artisan 3, “Magic of love” foi a canção escolhida para o lado A de um doze-polegadas de promoção do espectáculo e que, tendo como solista esta cantora, que apenas tem participações em coros dos Cargo, Zalmac e Michael Bolton no seu currículo, lhe reservou um lugar de culto entre os mais progressivos adeptos da cena especializada.

    Um contagiante cruzamento entre Modern Soul, Boogie e Old School Rap que tem levado à loucura Djs e colecionadores desde que foi introduzido nas pistas dos mais esclarecidos clubes.

     

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  • Poder Soul

    4 abril 2022 – 8 abril 2022

    Sexta-feira

    The Edge of Daybreak

    E.O.D. (Edge of Daybreak)

    Bohannon's

    Jamal Jaha Nubi, Robert Cole, Robert Glover, Willie Williams, Jim Carrington, Cornelius Cade, Harry Coleman, McArthur Duncan e Larry Griffin eram todos reclusos na prisão de Powhatan, em Richmond, na Virginia, quando formaram os Edge of Daybreak.

    Tudo começou quando alguns deles, aproveitando o facto de os serviços prisionais lhes darem acesso a instrumentos, se juntaram como Cosmic Conception.

    Os seus originais atingiram um nível tal que o grupo teve a oportunidade de usufruir de uma sessão de gravação de um dia, num estúdio móvel montado pelos Alpha Audio e operado por William Crawley, para registar “Eyes of love”, o seu único e histórico Lp.

    “E.O.D.” é um dos temas deste longa-duração editado em 1979, pela Bohannon’s, independente que também nos deu os Rise, projecto fundado por Jim Carrington e Cornelius Cade depois de terem sido libertados, aquele que deu o nome à banda e que tem marcado presença nas pistas de dança.

    Uma maravilhosa canção Funky Soul, que está entre a melhor música afro-americana independente daquela década e cujo álbum foi reeditado pela Numero Group, para júbilo dos seus mais militantes adeptos.

     

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