• Poder Soul

    29 março 2021 – 2 abril 2021

    Segunda-feira

    Susan Coleman

    The age of the wolf

    Remmix

    Branca e nativa do Alabama, Susan Coleman fez quase toda a sua carreira a assegurar os coros de outros artistas.

    Primeiro no seio dos Le R’n’B All Star, grupo vocal residente do Quinvy Recording Studio, em Sheffield, depois, já em Memphis, ao integrar as Southern Comfort, conhecidas por terem sido as backing-vocals de Elvis Presley e, finalmente, com as Holladay Sisters, com quem acompanhou nomes grandes do Country, como Ronnie Milsap.

    Apenas editou dois singles em nome próprio e, por muito estranho que pareça, transformou-se numa figura de culto entre os adeptos da cena Northern Soul.

    Gravado em 1966, e editado através da misteriosa Remmix – “The age of the wolf” – é o seu derradeiro sete-polegadas, a solo, e um dos grandes hinos do militante movimento britânico.

    Uma imensa canção Blue-Eyed Soul, que soa hoje tão fresca como quando foi introduzida, por Russ Winstanley, na pista do Wigan Casino, há perto de quatro décadas.

     

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    29 março 2021 – 2 abril 2021

    Terça-feira

    6 Pak

    There was a time

    Trip Universal

    Não se sabe praticamente nada acerca dos 6 Pak e aquilo que se segue não mais é do que posso inferir através das ligações que tem o único disco que editaram.

    Para além de ser evidente terem estado activos na viragem dos 60 para os 70, o facto de terem gravado para a Trip Universal, uma das marcas criadas em Miami, pelo multi-instrumentista, compositor e produtor oriundo de Cincinnati – Bill Stith – faz-me crer que serão nativos da príncipal cidade da Flórida.

    E tanto o som desta gravação, como fazerem parte do catálogo de uma independente que se distinguiu por ser uma força motora das cenas Garage e Psicadélicas de Miami, pode-nos levar a supor que seriam mais um grupo de teenagers brancos, apaixonados pelos Rhythm + Blues.

    Seja como for, “There was a time”, gravado com a participação do também misterioso saxofonista e cantor Larry Berney, é um autêntico Graal na cena Deep Funk.

    Uma certeira e crua versão do clássico de James Brown, alicerçada num incisivo back-beat e num orgão selvagem, que destroi qualquer pista de dança e que, sendo praticamente impossível de assegurar no seu formato original, faz parte da compilação “Good God! Heavy Funk Covers Of James Brown From All Over The World 1968 – 1974”, um Lp de legalidade duvidosa, editado pela Guerrilla Records, em 2007.

     

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    29 março 2021 – 2 abril 2021

    Quarta-feira

    Angela Jefferson

    I can feel myself (slipping away)

    M-I-C

    Angela Jefferson é uma cantora de Jacksonville, na Flórida, que, apesar do seu imenso talento, apenas gravou um sete-polegadas.

    Parte de um colectivo de músicos que envolvia Robert Moore, Ray Love, Reginald Haywood, Jesse Mathis, Eric e Vaughan Tooley, todos fundadores dos All the People, mítico grupo que, depois de se mudar para Miami e de se associar Little Beaver, se viria tornar numa banda chave da cena Funk daquele estado, Angela Jefferson foi uma das vozes da M-I-C Records, independente local que nos deixou singles altamente colecionáveis de nomes como Lloyd Perry ou Max Infinity.

    Gravado em 1973, na companhia dos Blood Transit, projecto paralelo de Love, Haywood e Mathis – “I can feel myself (slipping away)” – é um absoluto clássico Sister Funk.

    Uma potente e musculada canção, que nunca falha nos mais progressivos clubes da cena Soul, cada vez mais rara e valiosa no seu formato original, mas que ainda pode ser, facilmente, assegurada numa reprensagem da Fryers, de 2005.

     

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    29 março 2021 – 2 abril 2021

    Quinta-feira

    Inbassador

    Everybody’s doing it

    LBC

    Os Inbassador nasceram em 1968, quando o cantor James Bell resolveu reunir um conjunto de músicos ligados à meia-dúzia de bandas Soul, de Wilmington, no Delaware, como os Highlanders, os Fabulous Tempos ou os Kings of Soul.

    O grupo foi convidado para acompanhar, em palco, as estrelas da Stax – Soul Children – mas, dois anos depois, estava “preso” em Memphis, fazendo o circuito de clubes nocturnos locais, apenas para juntar dinheiro suficiente para regressar à sua cidade natal.

    Apesar desta experiência traumática e de ter um emprego a full-time, James Bell não quis desistir da música e, em 74, juntou-se a Lionel Caynon, Robert Benson, Grayson Allen, Kenny Baynard, Jimmy Shockley, Wayne Johns e Mary “Miss Snow” Brown, para manter os Inbassador, em regime pós-laboral.

    Até 89, a banda consolidou uma sólida base de seguidores na península de Delmarva, com uma mistura de versões de clássicos Soul e Yatch-Rock, e gravou dois originais no único sete-polegadas que editou.

    “Everybody’s doing it” é um desses temas, registados em 78, no Electric Possum Land Studio, e um verdadeiro monstro Disco Funk, cujas 500 cópias originais prensadas são quase impossíveis de localizar, mas que foi incluída na extraordinária caixa da Numero Group: “Eccentric Soul: Omnibus vol. 1”.

     

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    29 março 2021 – 2 abril 2021

    Sexta-feira

    Tru Tones

    Dancing

    Trudisc

    Liderados pelo talentoso compositor e guitarrista Ronald “Boo” Hinkson, os Tru Tones nasceram na segunda metade dos anos 60 e foram uma das maiores bandas da pequena ilha das Caraíbas – Santa Lúcia.

    Apaixonado pelo Jazz, “Boo” e os seus Tru Tones fomentaram a mistura entre linguagens locais como a Soca, o Calypso ou o Reggae e a Soul, o Funk e o Disco, tornando-se em grandes atrações de hóteis e de navios de cruzeiro.

    Entre 68 e 80, gravaram meia-dúzia de Lps e igual número de singles, para marcas como a Wirl, a Trex ou a Trudisc, entre os quais figuram vários clássicos.

    Registado na Jamaica, nos Dynamic Sound Studios de Byron Lee – “Dancing” – é um dos temas que compõem “Power struggle”, o seu derradeiro álbum e, para mim, a sua maior contribuição para as pistas de dança.

    Um pequena maravilha Disco, que tem vindo a conquistar um crescente protagonismo na cena especializada, e que foi incluída no segundo volume da bela série “Tropical Disco Hustle”, editado pela Cultures of Soul, em 2015.

     

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