• Poder Soul

    27 setembro 2021 – 1 outubro 2021

    Segunda-feira

    El Combo Xingu

    Hot pants

    IRT

    Sergio Arellano, Raúl, Nelson Gamboa, Patricio Lobos, Manuel Muñoz, Esteban Moya, Fernando Fiori e Luis Ortiz formaram El Combo Xingu, em Santiago do Chile, em 1971.

    Embora apenas tenha durado cerca de dois anos, o grupo foi completamente revolucionário, sendo um dos nomes chave da mais moderna música chilena, ao incorporar o Funk na mistura de Rock com a Nova Canção, que distínguiu a sua geração.

    Entre 71 e 72, El Combo Xingu gravou dois marcantes e colecionáveis Lps e igual número de singles, para a Dicap e para a IRT, onde os seus originais convivem com espantosas versões de gente como Simon + Garfunkel ou Santana.

    Tremenda releitura do hino de James Brown e parte do seu segundo e derradeiro longa-duração – “Hot pants” – não só é a mais espantosa dessas versões, como é a sua maior contribuição para as pistas de dança.

    Um contagiante take deste clássico que leva qualquer clube ao rubro e que é a introdução perfeita ao talento deste octeto chileno.

     

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  • Poder Soul

    27 setembro 2021 – 1 outubro 2021

    Terça-feira

    The Soul Brothers Six

    Lost The Will To Live

    Phil-La of Soul

    Filho de um mineiro do oeste da Virginia, John Ellison começou a tocar guitarra, a cantar e a escrever a suas primeiras canções, com apenas treze anos, mas só quando se mudou para Rochester, no estado de Nova Iorque, é que iniciou o seu percurso artístico, ao se juntar aos irmãos Charles, Moses, Sam e Harry Armstrong e a Lester Freeman, Vonell Benjamin e Joe Beard, para fundar os Soul Brothers Six, que, na realidade, eram oito.

    O grupo estreou-se em disco, em 1966, tendo gravado dois sete-polegadas, para as independentes Lyndell e Fine Records, antes de assinar um contrato com a Atlantic que, entre 67 e 69, rendeu meia-dúzia de singles, entre os quais hits absolutos, como “Some kind of wonderful”.

    Na viragem dos 60 para os 70, Joe e James Johnson, Charles Pevy e Eddie Reno substituiram os irmãos Armstrong e o grupo mudou-se para Filadélfia, para assinar mais um trio de discos e deixar a sua marca na efervescente cena Soul local.

    Sempre liderados por John Ellison, que teve uma profícua carreira a solo, mantiveram-se activos até 77, registando mais uns quantos singles, desta vez na Califórnia.

    Editado em 73, pela crucial independente Phil-La of Soul – “Lost the will to live” – é, para mim, o seu momento supremo.

    Uma imensa canção Funky Soul midtempo, com uma produção e uma interpretação acima da média, que é completamente obrigatória em qualquer coleção que se preze.

     

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  • Poder Soul

    27 setembro 2021 – 1 outubro 2021

    Quarta-feira

    Ray T. Jones

    That Norfolk sound

    We Too!

    Nativo de Filadélfia, Ray T. Jones foi cumprir o serviço militar para Norfolk, na Virginia.

    Como acontecia com muitos marinheiros, quando não estavam em combate na costa do Vietnam, Ray passava os seus tempos livres em clubes nocturnos da Church Street, como The Eureka Lodge, The Enterprise ou The Plaza, onde a música negra encontrava palco naquela cidade altamente segregada, tendo-se apaixonado pela intensa cena local e encontrado a inspiração para tentar o seu percurso artístico.

    Incentivado por Noah Biggs, fundador da Shiptown, e pelo tentacular Frank Guida, decidiu criar a sua própria marca – We Too! – para, entre 75 e 87, editar três dos seus quatro singles e transformar-se numa personagem chave da fusão da Soul com o Country.

    Aparentemente gravado na companhia dos Raw Soul, no estúdio do omni-presente Lenis Guess, onde eram residentes – “That Norfolk sound” – é o primeiro desses sete-polegadas e, provavelmente, o maior do par de monstros que nos deixou.

    Uma verdadeira obra-prima Country Soul que, sendo extremamente rara e valiosa no seu formato original, foi incluída na extraordinária recolha da Backatcha – “Swave Villi Us” – para júbilo de todos os amantes da melhor música negra.

     

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  • Poder Soul

    27 setembro 2021 – 1 outubro 2021

    Quinta-feira

    Samuel Jonathan Johnson

    Sweet love

    Columbia

    Samuel Jonathan Johnson começou a tocar orgão, aos catorze anos de idade, numa Igreja de Des Moines, no Iwoa, onde a sua mãe dirigia um coro Gospel que o levou até ao Nebraska.

    Dois anos mais tarde, mudou-se com a família para Nova Iorque, onde continuou a consolidar o seu talento no templo da Holy Trinity C.O.G.I.C., em Brooklyn.

    Apaixonou-se pelo Jazz quando cumpriu o serviço militar e, depois de regressar à Grande Maçã, começou a cruzar o Gospel com as suas progressões harmónicas, participou em discos de Shunzoh Ohno e de Lonnie Smith e formou os Spontaneous Combustion, com quem abriu concertos de nomes como os Jackson 5, antes de assinar o contrato com a Columbia, que lhe daria a oportunidade de gravar em nome próprio.

    “Sweet love” é um dos temas de “My music”, o seu único e marcante Lp, editado em 78, e, na minha opinião, o seu mais genial momento.

    Uma imensa canção Disco Soul, com uma produção, uns arranjos e uma interpretação imaculados, que tem vindo a conquistar protagonismo no seio da cena especializada e foi prensada em sete-polegadas pela Athens of the North, em 2016.

     

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  • Poder Soul

    27 setembro 2021 – 1 outubro 2021

    Sexta-feira

    The 9th Creation

    Learn to live

    Ritetrack Record Co.

    Em 1970, os irmãos A.D. e J.D. Burrise resolveram formar os Soul Struts, em Stockton, na Califórnia.

    O grupo foi evoluindo e passou a 3rd Creation, antes de se transformar nos 9th Creation e de se estabelecer como uma orquestra Funk, composta pelos dois irmãos, ao lado de Bill Eriksen, Don Ray Allen, Jimmy Jones, Laurence Holman, Mike Micenheimer, Robert Clark, Steven Rubio e Thad Bourland.

    Apesar do seu extremo talento os ter levado ao Soul Train, a fazer prolongadas tours no norte dos Estados Unidos e no Japão e a dividir palcos com estrelas como  Irma Thomas, James Brown, The Whispers, The Sylvers, The Main Ingredient ou Con Funk Shun, os 9th Creation nunca tiveram o reconhecimento e o êxito que mereciam.

    Ainda assim, entre 74 e 86, editaram três sólidos Lps e oito singles, através da sua Ritetrack, bem como da Clarama, da Prelude, da Hilltak e da Track, deixando-nos um número considerável de clássicos e consolidando-se num nome de culto que, em 2019, viu ser recuperado algum do seu material inédito, num álbum prensado pela Past Due.

    Gravado em 75, “Learn to live” é um dos temas de “Bubble Gum”, o seu grande Lp de estreia, e um dos seus vários que teria lugar aqui no Poder Soul.

    Uma bomba Funky Soul, contaminada pelo Disco, que não deve nada ao melhor que nos foi dado por nomes como os Brass Construction ou os B.T. Express, que rebenta com qualquer pista de dança e que deve constar de qualquer coleção que pretenda cobrir o melhor dos 70, até porque foi alvo de uma re-edição, em 2018.

     

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