• Poder Soul

    27 de Junho – 1 de Julho

    Jackie Shane

    Comin’ down

    Sue

    Jackie Shane apresentava-se, ao vivo, vestido de mulher, algo extremamente radical e corajoso, no início da década de 60, sendo, por isso, uma das grandes inspirações da cultura Drag.

    Originário de Nashville, foi em Toronto que fez a maior parte da sua carreira, na companhia de Frank Motley, embora desse, regularmente, concertos em clubes de várias cidades dos Estados Unidos.

    Estreou-se em single em 1962, com uma versão de “Money”, acabando por editar mais três sete-polegadas e um Lp, para selos como Stop, Sue, Modern e Caravan.

    “Comin’ down”, o lado B de “In my tenement”, editado pela Sue em 63, não é o seu maior sucesso mas, na minha opinião, é o seu grande hino de pista de dança.

    Produzida por Juggy Muray Jones, esta canção, com uma introdução quase épica, cruza Rhythm & Blues, Rock’n’Roll e Soul de uma forma magistral, estando ao nível dos melhores momentos do ícone Little Richard.

    A carreira de Jackie Shane viria a dissipar-se no princípio dos anos 70 tendo, a grande maioria dos seus colaboradores, perdido o seu rasto.

    Sabe-se hoje que voltou para Nashville e que terá tido consciência de que os seus discos se tornaram em verdadeiros objetos de culto.

  • Poder Soul

    27 de Junho – 1 de Julho

    Johnny Adams

    Feel the beat, feel the heat

    Hep’Me

    Discos como Feel the beat, feel the heat são testemunhos claros do papel decisivo que a produção de New Orleans teve na história da música negra, durante décadas.

    Johnny Adams nasceu na misteriosa cidade do Louisiana, em 1932, e morreu em Baton Rouge, em 1998. Cantou Jazz, Blues, Soul e Gospel e teve uma longa e consistente carreira, que durou desde o fim da década de 50 até aos seus últimos dias. Em quase quatro décadas gravou quase duas dezenas de álbuns e mais de meia centena de singles, para editoras como a Ric,a Ron, a Watch, a Pacemaker, a SSS International, a Atlantic, a Hep’Me ou a Rounder.

    Feel the beat, feel the heat, produzido pelo enorme Wardell Quezergue e editado por Senator Jones, através da Hep’Me, em 1979, parte dum beat Disco para acabar por desvendar o Groove coeso e o Funk hibrido característico de New Orleans. E quando aqueles coros entram, destrói qualquer pista de dança!

    Mais um clássico obrigatório de uma cidade que tem alimentado as cenas Rhythm & Blues, Soul, Funk e, neste caso, Disco Boogie.

  • Poder Soul

    27 de Junho – 1 de Julho

    Ricky Calloway + his NT Express

    Get it right

    Camaro

    Nascido em 53, em Jacksonville, na Florida, Ricky Calloway é o mais carismático dos “imitadores” de James Brown. Vê-lo cantar, ao mesmo que emula, os exigentes e característicos passos de dança do Godfather, mas de guitarra na mão, é uma experiência extasiante.

    Mas Ricky Calloway é muito mais do que isso…

    Estreou-se em disco, aos 17 anos, com o fabuloso clássico Deep Funk – “Tell me” – para a Jayville e, até 84, editou apenas mais dois sete-polegadas: este “Get it right”, em 74, para a Camaro, e “Paying my dues” para a Super.

    Depois de ter sido “recuperado” por Keb Darge, como um dos reis da cena Deep Funk, Ricky Calloway acaba por ter uma segunda vida que, desde 2010 até hoje, já rendeu mais discos do que toda a sua anterior carreira, entre os quais uma colaboração no primeiro single dos nossos Cais do Sodré Funk Connection.

    “Get it right” é um contagiante exercício Funk, carregado da mais profunda Soul, que mostra o peso e o talento impar que Ricky Calloway tem.

    Tal como a sua restante discografia vintage, é um peça de coleção cujo acesso está reservado a muito poucos. A Kay-Dee encarregou-se de corrigir a injustiça e tornou os seus hinos acessíveis a todos, com alguns retoques de Kenny Dope nas misturas.

  • Poder Soul

    27 de Junho – 1 de Julho

    Mamie P. Galore

    No right to cry

    Sack

    Mamie Davis nasceu no Mississippi em 1940. Juntou-se à crew de Ike Turner, primeiro, e de Little Milton, depois, que a levou para Chicago, com a intenção de lhe proporcionar a oportunidade de se lançar em nome próprio.

    Em 65 assinou contrato com a St. Lawrence Records e mudou o seu nome para Mamie Galore, não fosse o seu disco de estreia inspirado na moda dos agentes secretos, iniciada com James Bond.

    Até 69 gravou quase uma dezena de singles, entre os quais “It ain’t necessary”, imediatamente adotado pela comunidade Northern Soul.

    “No right to cry”, produzida pelo seu mentor – Monk Higgins – para a Sack, em 67, é a sua obra-prima.

    Esta imensa canção demorou a ser descoberta pelos fanáticos da cena Soul europeia, mas quando chegou aos clubes através de Djs como Soul Sam, provocou a loucura total.

    Sendo infinitamente mais rara e procurada do que “It ain’t necessary”, não surpreende que troque de mãos sempre acima das três unidades, continuando a ser cobiçada por muitos colecionadores.

  • Poder Soul

    27 de Junho – 1 de Julho

    Harmonica Paul

    Motherless child

    Jude

    Sabemos que Harmonica Paul é texano, que Alton Paul Alexander é o seu verdadeiro nome e que “Motherless child” é o seu único disco.

    Estranhamente também sabemos o que é que está na base do tão peculiar som desta bomba, que cruza Blues e Funk de forma genial.

    Registado em quatro pistas, “Motherless child” foi, inicialmente, gravado apenas por Harmonica Paul, usando uma pista para a guitarra e outra para voz e, lá longe, a peça de estanho que usava na sola do sapato para fazer a marcação rítmica. A bateria e a guitarra ritmo seriam gravadas mais tarde, ocupando, cada instrumento, a duas pistas que restavam livres.

    O resultado é um som sujo e quente, mas quase low-fi, que acrescenta um caracter excecional à canção e a serve na perfeição.

    “Motherless child” é mais um disco de grande raridade, cujas cópias originais não estão ao alcance de todos.

    Felizmente a germânica Tramp encarregou-se da sua reedição, em 2012.