• Poder Soul

    26 outubro 2020 – 30 outubro 2020

    Segunda-feira

    Andrea Vereen + The St. Mark’s Choir

    Who is he

    Peacock

    Nascida Andrea Townsley, Andrea Vereen é uma importante figura da Igreja de Brooklyn, em Nova Iorque, que começou o seu percurso religioso como membro de um Coro Gospel, tendo gravado um single e um Lp, altamente colecionável.

    “Herdou” o seu apelido artístico de Ben Vereen, um bem sucedido cantor, autor e bailarino que se notabilizou na Broadway e em Hollywood, com quem Andrea se casou, em 1966, e se divorciou oito anos mais tarde, depois de terem tido um filho.

    Em 74, assinou um contrato com a decisiva Peacock, para gravar um Lp, na companhia do coro da St. Mark’s Episcopal Church de Brooklyn, um espaço que nesse ano havia inaugurado um vitral em que celebrava a cultura Afro-Americana ao juntar a alguns santos tradicionais, nomes contemporâneos como Harriet “Black Moses” Tubman, Martin Luther King, Jr. ou Marcus Garvey. 

    Produzido por Lee Young, irmão de Lester Young, e por Tony May, requesitado engenheiro de som que deixou a sua marca em gravações de gente como Chick Corea, Keith Jarrett, Ron Carter, Van Morrison ou os Isley Brothers, entre muitos outros – “Who is he” – é o tema de abertura de “Oh, say can you see” e, na minha opinião, o seu mais excepcional momento.

    Uma grande canção Gospel Soul, altamente influenciada pelo Funk e pelo mais embrionário Disco, que está entre o melhor que o género nos deu, nesta época em que se fundiu, com grandes resultados, com as mais importantes e populares linguagens da música negra.

     

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    26 outubro 2020 – 30 outubro 2020

    Terça-feira

    Jimmy Jules + The Nuclear Soul System

    Come and get your gift

    Jim Jem

    Nativo de New Orleans, Jimmy Jules iniciou o seu percurso artístico em 1961, quando editou o seu single de estreia – “Talk about you” – através da Atlantic, apadrinhado por Harold Battiste, fundador da independente local A.F.O. Records, para a qual começou a participar em sessões de gravação, enquanto Pistol.

    Até 1980, para além de ter escrito canções para nomes como Johnny Taylor, Archie Bell + The Drells, Etta James ou Three Degrees e ter integrado as formações de gigantes como Marvin Gaye, Otis Redding ou Little Willie John, gravaria três sólidos Lps e oito singles, para marcas como a Carnival, a Abet, a Gamble, a Polydor, a Mission ou a sua Jim Jam, seja a solo, seja na companhia dos Nuclear Soul System, dos Southern Cookin’ e da Gospel Renaissance.

    Registado em Claremont, na Califórnia, em 77, com os Nuclear Soul System – “Come and get your gift” – é um dos grandes temas que compõem o alinhamento de “Xmas done got funky”, o seu melhor e  mais colecionável disco, marcado pela presença de Jackie Spencer, uma misteriosa cantora de Macon, que não voltou a gravar.

    Um grande instrumental Funky Soul que se transformou num cobiçado clássico das cenas Rare Groove e Deep Funk e que, sendo praticamente inalcançável no seu formato original, pode ser assegurado numa, também rara mas não tão valiosa, reedição da década de 80.

     

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    26 outubro 2020 – 30 outubro 2020

    Quarta-feira

    Musicism

    Bermuda triangle

    Aquarius

    Clive Hunt é um produtor, compositor e multi-instrumentista nascido em St. Catherine, na Jamaica, em 1952.

    Depois de ter aprendido a tocar trompete, no Liceu, e de ter sido recrutado por Byron Lee, para integrar os seus Dragonaires, numa tour nos Estados Unidos, transformou-se num requisitado músico de sessão, dominando instrumentos como a flauta, o saxofone, o baixo ou os teclados e colaborando com nomes como Stevie Wonder, Grace Jones, Marcia Griffiths, The Congos,  Horace Andy ou Toots + The Maytals, entre muitos outros, para além de ter assinado um trio de Lps e cerca de dezena e meia de singles, quer em nome próprio, quer como Lizzard ou Azul.

    Willie Lindo é um produtor, compositor e guitarrista jamaicano que se estreou em disco em 1974 e, desde aí, editou quatro sólidos Lps e perto de duas dezenas de singles, tendo, ainda, integrado as formações dos decisivos Aggrovators e dos Professionals, de Joe Gibbs.

    Em 77, juntaram-se para dar corpo a Musicism, um projecto que apenas gravou um álbum, para a Aquarius – “Swing me gentle” – e que se tornou num marco, pela sua original fusão de Soul, Funk e Jazz com Reggae.

    Escrito por Clive Hunt, “Bermuda triangle” é, para mim, o mais genial dos vários temas que compõem o disco.

    Um tremendo instrumental Funk midtempo, com uma musculada e coesa secção rítmica a suportar um enorme trabalho de sintetizador, que soa hoje tão bem como quando foi gravado e foi, recentemente incluído, na compilação da francesa Favorite – “Caribbean Disco Boogie Sounds” – assinada por Waxist.

     

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    26 outubro 2020 – 30 outubro 2020

    Quinta-feira

    Maurice Mander + Leroy Stay Clean

    Pickem up and puttem down

    Blood Leaf

    Nativo de Filadélfia, Maurice Mander cresceu em Camden e em Trenton, no estado de New Jersey.

    Aos dez anos recebeu uma marioneta de presente, começou a construir cenários para dar pequenos espectáculos e, dois anos mais tarde, inspirado por um programa televisivo de Paul Winchell, resolveu que tinha que dominar a arte do ventriloquismo.

    Foi como ventríloquo que Maurice Mander fez carreira no mundo do espectáculo, pintando de castanho os bonecos que adquiria e a quem acrescentava uma peruca afro, criando personagens como Junior ou Little Superbad e abrindo concertos de estrelas como James Brown, Marvin Gaye ou Luther Vandross.

    Em 1980, foi desafiado pela Blood Leaf Records, pequena independente sediada na sua cidade natal, responsável pelo lançamento do projecto de culto Heem, The Music Monsters, para gravar um sete-polegadas, na companhia de uma personagem criada para o efeito: Leroy Stay Clean.

    Escrito por Hubert Willis, o fundador da editora e, mais tarde, um dos membros dos Three Blind Mice, em parceria com Jerome Ross – “Pickem up and puttem down” – é o lado b deste single, que tem “Leroy for President” na face oposta, e um verdadeiro hino Deep Disco.

    Uma autêntica bomba Disco Soul, que rebenta com qualquer pista de dança e que, não sendo fácil de assegurar no seu formato original, foi incluída no primeiro volume da recolha da Tramp: “Can you feel it?”.

     

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  • Poder Soul

    26 outubro 2020 – 30 outubro 2020

    Sexta-feira

    The Reason Why

    Step inside my world

    Polydor

    A exemplo do que acontece com “We’re gonna make it” dos New World, este disco atribuído a The Reason Why é, aparentemente, uma obra não assumida de mais um monstro da música negra.

    Se New World terá sido um projecto anónimo de Curtis Mayfield, The Reason Why será uma aventura de um disco só de Willie Hutch.

    É que esta lenda, nascida em Los Angeles, em 1944, que, depois de ter passado pelos Phonetics, iniciou uma marcante carreira em nome próprio, em 65, tendo assinado absolutos clássicos como “Love runs out” ou “Brothers gonna work it out” e bandas sonoras de marcos da Blaxploitation como “The Mack” e “Foxy Brown”, estava sem editora no momento em que produziu este sete-polegadas, tendo acabado de abandonar a Motown e de estar em vias de assinar pela Whitfield.

    Seja como for – “Step inside my world” – foi editado pela Polydor, em 77, é o lado b de um double-sider, que tem o clássico Sweet Soul “So long letter, na face oposta, e um verdadeiro Graal da cena especializada.

    Uma pérola Modern Soul, com uma produção, uns arranjos e uma interpretação superlativos, que, no seu formato original troca de mãos acima do milhar, mesmo tendo sido prensado por uma major, e que, felizmente, foi incluída e inspirou o nome da compilação da germânica Cree Records – “Step inside my Soul”.

     

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