• Poder Soul

    24 maio 2021 – 28 maio 2021

    Segunda-feira

    Lynn Day

    Bit off more (than I can chew)

    Big Hit

    Lynn Day é um obscuro cantor nativo de Detroit que, no princípio dos anos 70, gravou dois singles na sua cidade natal, antes de se mudar para o Texas, onde, entre 77 e 85, viria a editar um Lp e mais quatro sete-polegadas, alguns dos quais altamente colecionáveis.

    Iníciou o seu percurso, apadrinhado por Johnnie Mae Matthews, também conhecida como a Madrinha dos Blues da Motor City, que o contratou para a Big Hit, importante independente que havia fundado a meio dos 60 e que revelou nomes como Black Nasty ou Herbie Thompson.

    Gravado em 1971 e escrito e produzido pelo lendário Sir Mack Rice – “Bit off more (than I can chew)” – é o lado b do seu disco de estreia e, para mim, o ponto alto da fase inicial da sua intermitente carreira.

    Uma musculada canção Funky Soul, anrcorada nos mais profundos Blues, que representa o melhor da faceta mais rude da música negra de Detroit pós-Motown e que deve constar nas mais exigentes coleções, até porque não é necessário cometer qualquer loucura para a assegurar.

     

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    24 maio 2021 – 28 maio 2021

    Terça-feira

    Lou Courtney

    Hey Joyce

    Pop-Side

    Cantor, compositor e produtor, Lou Courtney nasceu em Buffalo, no estado de Nova Iorque, em 1943.

    Começou a sua carreira profissional em 1962 e, até 78, ano em que entrou num estúdio pela última vez, como membro dos Fifth Dimension, gravou uma mão cheia de marcantes Lps e perto de três dezenas de singles, para marcas como a Imperial, a Riverside, a Verve, a Buddah, a RCA ou a Motown, primeiro em nome próprio e, depois, enquanto Buffalo Smoke.

    Editado em 1967, pela Pop-Side, uma das subsidiárias da Riverside – “Hey Joyce” – será o seu mais emblemático sete-polegadas.

    Uma incisiva canção, que abre com um brutal break de bateria, usado por Dj Shadow e Cut Chemist no mítico “Brainfreeze” e samplado pelos Main Source, que é uma peça fundamental da Soul da década de 60.

     

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  • Poder Soul

    24 maio 2021 – 28 maio 2021

    Quarta-feira

    The Highway QC’s

    If you fail, try again

    Savoy

    Fundado em 1945, em Chicago, The Highway QC’s é um notável colectivo Gospel, que se manteve activo mais de sete décadas e abrigou vozes como Sam Cooke, Lou Rawls ou Johnnie Taylor.

    A sua vasta discografia, composta por algumas dezenas de Lps e singles, editados, entre 55 e 2007, por marcas como a Vee-Jay, a Peacock ou a Savoy, entre outras, reflecte a evolução da música religiosa na segunda metade do século passado e a importância que os seus cruzamentos com géneros vigentes, como os Rhythm + Blues, a Soul ou o Funk, tiveram na sua constante reinvenção.

    Gravado em 76, para a Savoy, como parte de “Stay with God”, mas também prensado num sete-polegadas – “If you fail, try again” – é um dos melhores exemplos da “interferência” que a Soul teve na música dos Highway QC’s.

    Uma imensa canção que está entre o melhor que o género nos deu e que, não sendo incomportável nos seus formatos originais, foi incluída, por Greg Belson, na recolha “Turn it loose, ain’t no good”, editada pela Honest Jon’s.

     

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    24 maio 2021 – 28 maio 2021

    Quinta-feira

    Satin Finish

    Took a chance on love

    Green Back

    Satin Finish era um trio, composto por Donald Oliver, Joe Exum e Dennis Kornegay, quando Gary D. Jackson resolveu trocar New Jersey por Goldsboro, na Carolina do Norte, no fim dos anos 70.

    Na sua cidade natal, Jackson tinha sido sócio de George Greene na mítica Greenback Records, pequena independente que nos deixou hinos absolutos dos Firebolts e dos Transfer, e, embora se tenha mudado porque havia decidido mudar de ramo, quando confrontado com o talento dos três jovens locais, não conseguiu resistir e aventurou-se na gravação de mais um sete-polegadas, que viria a ser o único disco dos Satin Finish.

    Depois de contratar músicos, para completarem a formação, Jackson, levou o grupo até Durham, onde o seu ex-parceiro tinha montado um estúdio caseiro, para uma sessão de gravação em que foram registados os temas que viriam a compôr este single, que se transformaria num autêntico Graal no seio da cena especializada.

    Cantado pelo baixista Dennis Kornegay – “Took a chance on love” – é o lado b do disco, que tem “Don’t wanna lose your love”, uma balada com a voz de Karen Scott, na face príncipal.

    Uma obra-prima Modern Soul que, sendo quase impossível de assegurar no seu formato original, acaba de ser reeditada, pela Fantasy Love, de James Pogson, para júbilo dos mais apaixonados adeptos da melhor música negra.

     

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  • Poder Soul

    24 maio 2021 – 28 maio 2021

    Sexta-feira

    Crystal Clear

    Stay with me

    Polydor

    Crystal Clear foi um misterioso grupo vocal feminino, de Filadélfia, que esteve activo na viragem dos 70 para os 80 e que gravou apenas dois singles para a Polydor.

    Aparentemente apadrinhadas por Doug King e Morris Bailey, dois requisitados produtores locais que, embora separados, colaboraram com nomes de culto como Billy Paul, John Ellison, The Minx, Direct Current, Vaneese + Carolyn, Jean Wells, John Gibbs ou La Pergunta, as Crystal Clear, desapareceram sem deixar rasto, logo depois de terem gravado, um dos mais raros e cobiçados sete-polegadas prensados por esta major.

    De facto, “Stay with me”, que foi o derradeiro disco do grupo, gravado em 1980, transformou-se num disputado hino da cena Soul especializada, levando os mais abastados colecionadores à loucura.

    Uma deliciosa canção, com uma produção, uns arranjos e uma interpretação do outro mundo, que está entre os mais geniais momentos que a música negra nos deu, nessa fase, e que, felizmente, foi incluída no segundo volume da série “Expansion Soul Sauce”, em 1993, e em “Step inside my Soul”, obrigatória recolha da Cree Records, editada em 2014.

     

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