• Poder Soul

    23 agosto 2021 – 27 agosto 2021

    Segunda-feira

    Billy Larkin + The Delegates

    Funky fire

    Kola Shanah

    Billy Larkin nasceu em San Bernardino, na Califórnia, em 1930.

    Começou a tocar cedo e, quando se dedicou ao piano e logo depois ao orgão, o seu instrumento de eleição, já dominava o trompete e o saxofone.

    Formou os Delegates, na viragem dos 50 para os 60, durante uma temporada que passou em Portland, no Oregon, mas foi quando regressou à sua cidade natal que teve a oportunidade de iniciar o seu percurso discográfico, ao assinar contrato com a Aura, marca associada à World Pacific e à Liberty.

    Entre 1964 e 78, gravou oito Lps e meia-dúzia de singles, quase todos para aquela major, sediada em Los Angeles.

    Apesar de ter percorrido palcos de toda a Costa Oeste, incluíndo cidades canadianas, como Vancouver, teve uma longa residência no Kola Shanah Club, na sua cidade natal, e foi dessa relação que nasceu a sua maior pérola.

    Gravado em 78, naquele club e restaurante –  “Funky fire” – o lado b do seu derradeiro sete-polegadas, um disco que tem um tema com o nome do espaço na face oposta e cujas 500 cópias prensadas se destinavam a ser oferecidas aos seus melhores clientes, é o seu mais cobiçado hino.

    Uma incisiva canção midtempo que se transformou num clássico Deep Funk que, felizmente, foi incluído na recolha “California Funk”, editada pela Jazzman, em 2010.

     

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  • Poder Soul

    23 agosto 2021 – 27 agosto 2021

    Terça-feira

    The Wooden Glass feat. Billy Wooten

    In the rain

    Interim

    Vibrafonista e percussionista de eleição, Billy Wooten nasceu em Nova Iorque, graduou-se em New Jersey, mas foi em Indianápolis, a cidade dos seus sonhos, que deixou a sua príncipal marca.

    Fixou-se na cidade que nos deu James Brown, na década de 60, assumindo um papel de relevo na cena Jazz local, através dos concertos, atrás de concertos que deu, durante os anos 70, 80 e 90, em espaços como The Hub-Bub Lounge ou The 19th Hole, clube onde se juntou aos Wooden Glass, de Emmanuel Riggins, Harold Cardwell e William Roach para registar um dos mais marcantes momentos da sua carreira, em 1972.

    De facto, apesar de ter participado em discos de referência de nomes como Grant Green, Richard Evans, The Soulful Strings, The Dramatics ou Brainstorm, entre outros, e de nos ter deixado gravações históricas, de projectos como The Naptown Afro-Jazz Quintet, Billy Wooten + Special Friends e The Nineteenth Hole, este Lp, gravado ao vivo no mítico clube e editado pela pequena Interim, permanece o seu mais disputado tesouro.

    Uma espantosa versão instrumental de “In the rain”, o hino dos Dramatics, este é um dos excelentes temas desse histórico disco que, no seu formato original, troca de mãos na casa dos milhares.

     

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  • Poder Soul

    23 agosto 2021 – 27 agosto 2021

    Quarta-feira

    The California Playboys

    Trying to become a millionaire

    Loadstone

    Robert Jacobs, Julian Vaught, Lenell Salone, Kelvin Dixon, Jackie Rogers, Kenney Dunaway e William Smith juntaram-se na Baía de San Francisco, na viragem dos 50 para os 60, para formarem os California Playboys.

    O grupo, que fez quase toda a década de 60, como backing-band de Lester Young, um bem-sucedido cantor e compositor R+B, que assinou alguns colecionáveis lados, apenas gravaria um Lp, em nome próprio, mas isso foi o suficiente para garantir um estatuto de culto no seio da cena Soul especializada.

    Gravado em 76, para a Loadstone, “Trying to become a millionaire”, abre e empresta o nome a esse colecionável longa-duração.

    Uma verdadeira obra-prima Funky Soul, temperada pela Jazz e pela música Latino-Americana, que está entre a melhor música negra daquela profícua década e que se tornou obrigatória nas mais exigentes coleções, desde que foi reeditada, pela Manufactured Recordings, em 2016.

     

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  • Poder Soul

    23 agosto 2021 – 27 agosto 2021

    Quinta-feira

    Roger + The Human Body

    Freedom

    Troutman Bros.

    Embora tenham sido os Zapp, banda que fundou, ao lado dos seus irmãos Larry, Lester e Terry, que lhe asseguraram um lugar na história, Roger Troutman já havia deixado a sua marca, antes de liderar esta aventura que se tornou numa referência do P-Funk e do Electro Boogie.

    Nascido em Hamilton, no Ohio, em 1951, Roger iniciou o seu percurso discográfico, com apenas 13 anos, como membro dos Crusaders, uma banda Garage Surf intrumental, que apenas editou um single, em 64.

    Dois anos mais tarde, estreou-se em nome próprio, com a gravação de um sete-polegadas, enquanto “Lil” Rogers + his Fabulous Vels.

    Apesar dos flops dos seus primeiros passos, Roger continuou a trabalhar com os seus irmãos, com quem, em 1976, gravou o seu primeiro Lp – “Roger + The Human Body introducing Roger” – disco que auto-editaram, através da recém-fundada Troutman Bros.

    Terão sido os Human Body, que chamaram a atenção de Bootsy Collins e de George Clinton, abrindo o caminho para a gravação de “More bounce to the ounce”, tema que, já como Zapp, lhes valeu o seu primeiro sucesso e os lançou para uma carreira, que teve tanto de marcante, como de atribulada e que, alegadamente, acabou com Roger a ser morto a tiro por Larry que, pouco depois, se terá suicidado.

    Gravado em 75, “Freedom” foi prensado em sete-polegadas, abre o histórico e é, para mim, a sua primeira grande contribuição para as pistas de dança.

     

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  • Poder Soul

    23 agosto 2021 – 27 agosto 2021

    Sexta-feira

    The FlashBack Band

    You got me hooked

    Rocker International

    Toby Domino, David Decuir e Joe Parker formaram a FlashBack Band, em New Orleans, a meio da década de 70.

    Em 1976, editaram o seu primeiro single, através da independente Anchor Records, que acabou por ser o único lançamento desta misteriosa marca.

    Traci Borges era um artista, compositor e produtor que, além de ter gravado três singles, em nome próprio, e de ter colaborado com Lloyd Price, nos Lps de culto de Eric Dunbar e The Corner Gang, na TSG, selo este tinha criado para fugir ao fisco, fundou o Knight Recording Studio, onde registou autênticos hinos de alguns dos mais obscuros nomes de New Orleans, como City News, The Dome City Rock Orchestra, The Electrified A.G.B. (All Girls Band) ou Gary Sole.

    Em 82, depois de Michael Decuir, Jerome Scott, Roussell White, Elbert Young e McArthur Wilson terem reforçado a sua formação, chegou a vez da FlashBack Band ser uma das apostas de Traci Borges e ter a oportunidade de gravar o seu único e derradeiro álbum que, sendo propriedade da Knight, a operação editorial do estúdio, foi lançado pela Rocker International Records, marca que o grupo criou para o efeito e que não viria a ter continuidade.

    “You got me hooked” é um dos dezasseis temas deste longa-duração, que se transformou numa peça de coleção entre os mais ambiciosos colecionadores Boogie, e, para mim, o mais genial de um trio de momentos absolutamente superlativos.

     

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