• Poder Soul

    20 – 24 de Junho

    20 de Junho

    Spitting Image

    JB’s latin

    Masai (1969)

    Como a única coisa que se sabe sobre este disco é ser uma espécie de tributo a James Brown, feito por uma banda de origem latina, presumivelmente, de L.A. vou aproveitar para mostrar como esteve, juntamente com alguns outros, na base de uma mudança fundamental no consumo de música negra iniciado pelo movimento Northern Soul.

    Cansado da pouca renovação e da doentia ortodoxia da cena Northern Soul, no fim dos 80, Keb Darge, então uma das figuras de proa de Stafford, resolve começar a explorar discos de um género que era alvo de desprezo pelos seus parceiros de movimento – o Funk.

    Não foi preciso muito diggin’ para Keb consolidar uma playlist que começou a levar ao rubro as pistas e a recrutar novos adeptos para a causa da música negra mais rara.

    “JB’s latin” dos Spitting Image é um dos temas cruciais desta pequena revolução. Transformando-se, no início dos 90, a par com “Dap walk” de Ernie & The Top Notes e de “Sissy walk” dos Freedom Now Brothers, num dos principais hinos daquilo a que se viria a chamar Deep Funk e que tanto iria contribuir para a abertura de mentalidades dos adeptos da Soul.

    “JB’s latin” manteve-se, até hoje, como uma pérola cobiçada por Djs e colecionadores de todo o mundo e o seu poderoso efeito nas pistas, fez com que ultrapassasse os limites da cena Funk e se transformasse numa arma certeira, em quase todos os sub-géneros da cultura retro.

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    20 – 24 de Junho

    21 de Junho

    Freddie Chavez

    They’ll never know why

    Look (1968)

    Freddie Chavez foi uma das figuras de proa da irrequieta cena Soul de origem Chicana, de Albuquerque, no Novo México.

    Foram vários os projetos que liderou, mas ficou na história por ter fundado os Thee Checkers, banda que gozou de um enorme sucesso regional, e por ter assinado “They’ll never know why”.

    Editado em 1968 pelo selo de Nashville, Look Records, “They’ll never know why”, embora fugisse da norma vigente, transformou-se num dos maiores hinos do Wigan Casino, talvez o mais histórico clube do movimento Northern Soul britânico.

    A loucura que gerava entre dancers e Djs, a par com a sua extrema raridade, fez com que as cópias originais trocassem de mãos por valores na casa dos milhares e com que fosse alvo de bootleging, primeiro em 74 e depois a meio dos 80.

    Em 2013, a Jazzman, através da sua subsidiária Soul 7, encarregou-se da sua primeira reedição oficial e, por último, acabou por ser incluído na banda sonora do polémico filme de 2014 – Northern Soul.

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    20 – 24 de Junho

    22 de Junho

    Deloris Ealy + The Roadrunners Band

    It’s about time I made a change

    Velvet (197?)

    Deloris Ealy teve uma curta carreira no circuito Soul de L.A., na viragem dos 60 para os 70, conseguindo até abrir concertos para gente como os Drifters, Dyke & The Blazers e Etta James, de quem era fan.

    Gravou meia dúzia de singles, três dos quais são verdadeiras peças de coleção – este “It’s about time I made a change” para a Velvet, editora local que viria a abrigar Arlene Bell, “Honeydripper” para a Duplex, selo fundado por Jimmy Liggins no Arkansas e “Deloris is back with Jerome and his band” para a Big Vick Hammond de Oakland, disco do qual apenas se conhece a existência de uma dezena de cópias.

    “It’s about time I made a change” é um dos mais extraordinários registos do chamado Sister Funk, uma canção que retrata na perfeição a personalidade marcada de Deloris Ealy, uma verdadeira líder que assumia o controlo absoluto de tudo o que fazia.

    Não se sabe se foi esta sua faceta que esteve na base das suas divergências com Aaron Johnson, dono da Velvet Records, a sua editora base, que a viria a dispensar.

    Deloris retirou-se dos palcos e dos discos, resolveu emprestar a sua impressionante voz a um coro de igreja e leva uma vida familiar recatada.

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    20 – 24 de Junho

    23 de Junho

    The Harvey Averne Dozen

    Never learned to dance

    Uptite (1968)

    Nascido em Brooklyn, em 1936, Harvey Averne, filho de um imigrante da Georgia, na União Soviética, e duma ascendente de polacos, viria, estranhamente, a transformar-se numa das figuras centrais da Latin Soul e do Boogaloo, que dominaram a cena Latina nova-iorquina, na década de 60.

    A sua conversão à música latina começou com o convívio com os colegas de trabalho do pai, oriundos de Porto Rico, e com um empregado cubano de um dos hotéis das Catskills, onde tocava durante as férias de verão, e culminou com a partilha de um palco com Tito Puente, que se tinha transformado no seu mentor.

    Depois de ter sido apresentado por Larry Harlow a Jerry Masucci, foi convidado a assumir a direcção da recém-formada Fania, acabando por estar na base de alguns dos mais marcantes discos da mítica editora.

    Ainda assim, estreou-se na Atlantic, com o LP Viva Soul, antes de começar a assinar discos para o selo que dirigia.

    “Never learned to dance” foi o seu primeiro lançamento para a editora, através de uma marca criada para explorar territórios mais próximos dos Rhythm & Blues – a Uptite – e o seu disco mais colecionável.

    Esta contagiante canção, que na verdade é mais Soul do que Latina, depressa foi adotada pelos fanáticos britânicos, tendo-se transformado numa bomba nas pistas de dança deste lado do Atlântico.

    “Never learned to dance” transformou-se, como era inevitável, num Graal cujo valor reflete o seu estatuto.

    Harvey Averne deixou de gravar em nome próprio e a Fania em 1971, para fundar a Coco e se dedicar à produção. Mantém-se, até hoje, como um dos principais motores da música latina.

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    20 – 24 de Junho

    24 de Junho

    Mighty Ryeders

    Evil vibrations

    Sun Glo (1978)

    Os Mighty Ryeders nasceram em 77, editaram uma obra-prima – o LP Help us spread the message – em 78 e desapareceram pouco depois.

    Não se sabe qual terá sido a razão pela qual estes oito elementos, originários da Florida, com um talento fora do comum, cessaram a sua atividade mas, mais uma vez, a desilusão e falta de oportunidades terão tido bastante peso.

    Help us spread the message é um extraordinário disco da mais militante e espiritual Soul, à altura dos melhores momentos dos Earth, Wind & Fire, cuja edição original, da Sun Glo Records, se tornou num fetish dos mais ambiciosos colecionadores.

    A Love’n’Haight encarregou-se da reedição deste álbum, que contém hinos como “Let there be peace”, “Starchildren” e este “Evil vibrations”, no início dos 90.

    “Evil vibrations” soa familiar logo aos primeiros acordes. Serviu, juntamente com “I’ve got my mind made up” dos Instant Funk, de base para “A roller skating jam named Saturdays”, um dos maiores hits dos De La Soul.

    Esta imensa canção é, obviamente, muito mais do que aquela citação. É um autêntico hino nas pistas Funk, Disco e Modern Soul e um clássico por direito próprio.