• Poder Soul

    18 janeiro 2021 – 22 janeiro 2021

    Segunda-feira

    Now

    Land of Now

    Now

    Nascido em Birmingham, no Alabama, o tenor Jimmy Radford mudou-se para Columbus, no Ohio, para participar em alguns projectos de culto da cena Soul daquela cidade.

    Começou este percurso quando, em 1968, se juntou aos Enchanted Five para, até 70, gravar dois singles. Depois da morte de Ray Raley e de Alvin Freeman, dois dos seus membros originais, o grupo vocal transformou-se em The Ultimates tendo, entre 74 e 76, editado um sete-polegadas, através da Br-Roma, e um Lp, lançado pela crucial TSG Records, marca de Lloyd Price que, tendo como objectivo fugir aos impostos, acabou por nos dar obras de referência de nomes como The Topics, 1619 Bad Ass Band, Ricardo Marrero + The Group ou Reality, entre outros.

    Todos este discos se tornaram em disputados objectos de coleção, tal como aconteceria com o único single dos Now, a sua aventura seguinte.

    Resultantes de uma parceria entre Radford e James Guillaumez, ex-marido da então sua mulher, os Now foram formados por Glen Dunlop, Ruben Washington, Tim Whitmire e os misteriosos Lucky e Rick, terão gravado um Lp – “In the beginning” – que nunca viu a luz do dia e estiveram activos durante uma década, até se separem em 86.

    Aparentemente resultante da sessão de gravação do seu abortado álbum, “Land of Now” é o lado b do seu único lançamento, um double-sider auto-editado, em 76, e a sua grande contribuição para as pistas de dança.

    Esta espantosa versão vocal de “Junkie Hustle”, o monstro Funky Soul, gravado um ano antes pelos Earth’s Delight, o anterior projecto de James Guillaumez, transformou-se num verdadeiro hino dos mais progressivos clubes da cena especializada, sendo mais um clássico a que, o quase desconhecido, Jimmy Radford fica ligado.

     

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  • Poder Soul

    18 janeiro 2021 – 22 janeiro 2021

    Terça-feira

    Made in USA

    Shake your body

    De-Lite

    Depois de ter passado pelos Crown Heights Affair, o saxofonista, nativo de Brooklyn – Darryl Gibbs – juntou-se a Jann Harrison, Willie Slaughter, Herbert Aikens, Kevin Hood, Charles Morais, Ruben Faison, Greg Henderson, Freida Nerangis e Britt Britton, para formar os Made in Unity, Strength + Ambition, em 1975.

    O talentoso grupo acabou por ter uma vida curta, tendo o seu output discográfico ficado pela edição de um Lp, do qual foram retirados dois singles, antes de os seus músicos seguirem caminhos alternativos e de Gibbs, Morais, Slaughter e Faison, participarem na fundação dos Strickers, imortalizados por “Body music” e “Inch by inch”.

    “Shake your body” foi um dos temas deste álbum, homónimo, gravado em 1977, para a De-Lite, marca fundada, dez anos antes, por Fred Vigorito, Fred Fioto e Ted Simonetti, que seria responsável por desvendar os míticos Kool + The Gang, e, para mim, o seu momento supremo.

    Uma grande canção Disco Soul midtempo, com uma produção e uns arranjos futuristas, que soa, hoje, tão ou mais pertinente do que quando foi registada e é obrigatória em qualquer coleção que se preze, até porque uns escassos euros são suficientes para o fazer.

     

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  • Poder Soul

    18 janeiro 2021 – 22 janeiro 2021

    Quarta-feira

    Soulful Illusion

    Soulful Illusion

    Tudor

    Os Soulful Illusion foram um misterioso quarteto vocal, formado em Los Angeles, na segunda metade da década de 60, por Bea Jaye, Peter Wayne, Mogondie e Brougham Shontu Shamm.

    Iniciaram o seu curto percurso discográfico, que apenas rendeu dois sete-polegadas, em 67, quando, gravaram o seu primeiro single, para a Mercury, apadrinhados por Phil Wright, um importante compositor e arrajador, que havia trabalhado para a Chess e com nomes como Sugar Pie DeSanto, Mitty Collier, Little Milton, Tony Clarke, Fontella Bass ou Etta James, entre outros, e por Jerry Butler, o incontornável fundador dos Impressions.

    Os resultados do disco, que se transformaria num clássico Northern Soul, não terão sido os desejados e os Soulful Illusion foram dispensados daquela major, para só voltarem a ter mais uma oportunidade, com a edição do seu derradeiro e mais marcante disco, em 71, através da pequena independente local, Tudor.

    Produzido por Peter Dorfman, com arranjos do genial Gene Page – “Soulful Illusion” – é o lado b desse single, tem o mesmo nome do grupo e é, para mim, o seu melhor cartão de visita.

    Um enorme tema Funky Soul, com um Groove contagiante, uns arranjos e uma produção imaculados e uma belas harmonias vocais, dominadas pelo falsete, que parece mais pertinente do que nunca, entre os mais progressivos sectores da cena especializada.

     

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  • Poder Soul

    18 janeiro 2021 – 22 janeiro 2021

    Quinta-feira

    The Tonistics

    Dimona (Spiritual Capital of the World)

    Kingdom Production

    Tal como os Sons of the Kingdom, que já foram alvo de destaque no Poder Soul, The Tonistics são um dos frutos da comunidade Afro-Americana judia, que se fixou na cidade israelita de Dimona, na década de 70.

    Guiada por Ben Amni Carter, fundador do movimento Black Hebrew, na Chicago dos anos 60, e liderada pelos Soul Messengers, banda formada pelos ex-Metronomes, Charles “Hezekiah” Blackwell e Thomas “Yehudah” Whitfield e por John “Shevat” Boyd que, depois de trocarem a Windy City por Monrovia, a capital da Libéria, sendo a primeira banda Funk residente no continente africano e de regressarem à sua cidade natal, para integrar The Pharaohs, se fixaram naquele kibutz, a trinta quilómetros do Mediterrâneo, onde a comunidade Afro-Americana formaria uma cena que ficaria conhecida como a “Motown do Médio Oriente”.

    Aquela deriva espiritual atraiu um número considerável de músicos oriundos de Chicago, mas também de Detroit, que deram corpo a uma série de estimulantes projectos, como The Soul Expressions, The Spirit of Israel, The Tonistics, The Angelettes ou Sons of the Kingdom que, reunidos em torno de uma operação editorial designada Kingdom Production, levaram para Israel várias facetas da música negra, como o Gospel, a Soul ou o Funk.

    Uma espécie de resposta local aos Jackson 5, The Tonistics foram um quinteto infantil, cuja presença em palco, baseada em coreografias precisas, encantou vários pontos de Israel, tendo gravado dois temas para “Sweet Land of Mine”, Lp de 1976, que reunia uma parte significativa daquele movimento.

    Um verdadeira pérola Crossover e uma autêntica elegia à sua comunidade –  “Dimona (Spiritual Capital of the world)” – é uma dessas duas supremas canções que, em 2008, foram recuperadas pela Numero Group, na recolha “Soul Messages from Dimona” e, sete anos mais tarde, foram reprensadas num apetecível sete-polegadas da Athens of the North.

     

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  • Poder Soul

    18 janeiro 2021 – 22 janeiro 2021

    Sexta-feira

    Smokin' Shades of Black

    Grease wheels

    Stem

    Não se sabe absolutamente nada acerca destes Smokin’ Shades of Black, para além daquilo que nos é dado a entender através da sua música e da pouca informação que está impressa no rótulo do seu único sete-polegadas.

    Assim sendo, parece plausível que a banda fosse oriunda de Nova Iorque, até porque a misteriosa independente que, para além deste disco está associada a, apenas, mais um trio de lançamentos – Stem Records – teria sede na Broadway, assim como uma audição atenta dos disco nos indica que terá estado activa entre a segunda metade dos 60 e os primeiros anos dos 70.

    Seja como for, “Grease wheels” foi adoptado pelo movimento Deep Funk e transformou-se num dos seus grandes hinos.

    Um incisivo instrumental, temperado pelo Boogaloo, que abre com um orgão brutal antes de explodir ritmicamente e que, desde que foi introduzido com estrondo nas pistas de dança, por Keb Darge, que o íncluiu no primeiro volume da série “Legendary Deep Funk”, tornou-se alvo da cobiça dos mais obstinados colecionadores.

    Será, finalmente, reeditado em 45 rotações, pela germânica Perfect Toy, no fim de Março deste ano.

     

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