• Poder Soul

    16 maio 2022 – 20 maio 2022

    Segunda-feira

    L. Hollis + The Mack-A-Dos

    Bui Bui

    Big Mack

    Sabe-se pouco ou nada acerca de Lonny Hollis.

    Sabe-se que seria nativo de Detroit, que terá sido colega de escola de Ed McCoy, o fundador da Big Mack Records, independente de culto da Motor City, para a qual gravou o seu único disco, e pouco mais.

    Aparentemente liderava um grupo de jovens, composto por dois saxofones tenor e um barítono e pela bateria de Roy Brooks, músico de excelência que deixou a sua marca na cena Jazz espiritual independente de Detroit e a participou em gravações de nomes como Horace Silver, Blue Mitchell, Shirley Scott, Stanley Turrentine, Chet Baker ou Yusef Lateef, entre muitos outros.

    Gravado em 1963, “Bui Bui” é o lado A desse sete-polegadas, creditado a L. Hollis + The Mack-A-Dos.

    Um original e contagiante instrumental, que cruza Rhythm + Blues, Jazz e o mais precoce Funk, que nunca falha quando lançado numa pista de dança e se tornou num clássico entre os vários quadrantes da cena retro.

     

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  • Poder Soul

    16 maio 2022 – 20 maio 2022

    Terça-feira

    Eddie Regan

    Playin’ hide and seek

    Abc-Paramount

    Na escassa documentação disponível conseguimos perceber que, antes de se aventurar na edição do seu próprio single, Eddie Regan era manager dos Tip Tops, um grupo vocal nova-iorquino que também cantava como The Destinations, The Hamilton’s ou The Groove e que terá feito parte do “negócio” que o trouxe até aqui.

    É que este sete-polegadas foi financiado pela R + W Productions, companhia fundada por Bill Ramal e Marty Wilson, a dupla que então assinou os Tip Tops, para a sua estreia na Kapp, e que terá vendido este master a Don Costa, para este o colocar na Abc-Paramount, antes de assumir as funções de A+R na United Artists, a exemplo do que sucedeu com “Call me” de Eddie Bishop. 

    Gravado em 1966, “Playin’ hide and seek” foi o único disco deste artista que desapareceu sem deixar rasto.

    Uma certeira canção Northern Soul, que foi adoptada pelo militante movimento britânico, logo nos seus primeiros dias, transformando-se num dos grandes clássicos da sua história.

     

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  • Poder Soul

    16 maio 2022 – 20 maio 2022

    Quarta-feira

    John Craig

    Doing my own thing

    True Soul

    Nativo de Little Rock, John Craig foi um talentoso guitarrista, compositor, produtor e um dos actores decisivos na história da True Soul, provavelmente a mais emblemática independente do estado do Arkansas.

    É que foi a ele e a Thomas East, William Stuckey e Morris Freeman, que Lee Anthony, então dono da Soul Brothers, a primeira loja de discos de um afro-americano daquela cidade, recorreu, quando, numa tentativa de reproduzir a receita de sucesso da Stax, decidiu fundar a True Soul Records, em 1968.

    A aventura estava ancorada num pacto, que garantia que todos colaborariam nas gravações de uns e de outros, abdicando de cachet e transformando o pequeno estúdio, construído por Anthony e que contava com eles como a sua banda residente, num tremendo polo criativo, responsável pela edição de inúmeras pérolas.

    Para além de ter participado nu número significativo dos mais cobiçados discos da True Soul e associadas, John Craig editou dois colecionáveis sete-polegadas em nome próprio, primeiro para a True Soul e, depois, para American Play-Boy.

    “Doing my own thing” é o lado A do seu primeiro disco e o tema que lhe reservou um lugar na história.

    Uma imensa canção Funky Soul midtempo, com uma produção, uns arranjos e uma interpretação fabulosos, que está entre o melhor que nos deu a década de 70.

     

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  • Poder Soul

    16 maio 2022 – 20 maio 2022

    Quinta-feira

    Hifidelics

    Hifidelics Groove

    Quip

    James Tigler, Sam Bonner, Matthew Thornton, Bill Samuels, Bryan Vale, Roscoe Peake e George Owens eram finalistas da Aliquippa High School, quando formaram os Hifidelics, inicialmente Hollow Grooves, no fim da década de 60.

    Embora Aliquippa fosse uma das mais pequenas cidades do Ohio, a sua maioritária comunidade Afro-Americana resultou no ecossistema perfeito para o nascimento de uma notável cena Soul, que nos viria a dar nomes como El Pooks, Rare Experience Band, The Sweet Notes, Black Love, The Citations e The Lovations.

    Os Hifidelics foram uma das bandas que contribuíram para este boom e, a par com os El Pooks, um grupo de colegas de Liceu com quem tinham relações próximas, a ponto de partilharem o baterista, uma das poucas que chegou a estúdio.

    Gravado em 74, “Hifidelics Groove” foi o seu único disco, teve uma reduzidíssima prensagem com o selo Quip e transformou-se num verdadeiro Graal Deep Funk.

    Um intenso e incisivo tema, eminentemente instrumental, que é um fiel retrato de uma rica e peculiar cena musical que se dissipou à medida que aquela pequena cidade, ancorada na indústria metalúrgica, foi definhando.

     

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  • Poder Soul

    16 maio 2022 – 20 maio 2022

    Sexta-feira

    Charlie Mitchell

    After hours

    Janus

    Charlie Mitchell é na realidade Vic Marcel, um cantor nativo de Nova Iorque, que fez todo o seu percurso a partir de Washington D.C., teve algum sucesso na viragem dos 60 para os 70 e foi forçado a adoptar este nome, no seu derradeiro single, por estar preso a um contrato de cinco anos com a RCA, numa altura em que esta major não estava disposta a investir na sua carreira.

    Iniciou o seu percurso discográfico em 66, com a gravação de um sete-polegadas para a DonBut, independente de Donald Bulter que ficou por aqui. 

    O disco foi um sucesso regional e, em 69, assinou o dito contrato com a RCA, que, durante o primeiro ano, se reflectiu na edição de mais quatro singles, e não passou daí.

    Produzido por Tony Silvester, arranjado por Bert DeCoteaux, escrito por J.R. Bailey e Ken Williams – “After hours” – foi editado pela Janus e foi o último disco deste talentoso cantor, que ainda anima a igreja da sua congregação.

    Uma verdadeira obra-prima Soul midtempo, rara e valiosa no seu formato original que, felizmente, acaba de ser reeditada no âmbito do primeiro Record Store Day, de 2022.

     

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