• Poder Soul

    15 fevereiro 2021 – 19 fevereiro 2021

    Segunda-feira

    Bill Cosby

    Mojo workout

    Warner Bros.

    Nascido em Filadélfia, na Pensilvânia, em 1937, Bill Cosby é um célebre comediante, actor e autor, conhecido sobretudo pelos seus programas televisivos, como Fat Albert and the Cosby Kids ou The Cosby Show, e por, em 2018, ter sido condenado a dez anos de prisão por agressão sexual.

    Mas a carreira deste artísta, que ficou, igualmente, conhecido pelo seu activismo político, também se reflectiu na música.

    Entre 1963 e 2013, Cosby editou quase cinco dezenas de álbuns e inúmeros singles, em nome próprio, como Badfoot Brown ou Silver Throat e enquanto membro do elenco da Electric Company, tendo assinado vários clássicos.

    Gravado em 67, como parte do alinhamento do Lp “Bill Cosby sings / Silver Throat” e prensado em França, num belo Ep – “Mojo workout” – é o meu favorito desses temas.

    Uma tremenda versão da canção de Larry Bright, inspirada no standard escrito por Preston “Red” Foster, estreado por Ann Cole e imortalizado por Jimmy Smith, que tem lugar garantido na minha mala, desde que encontrei o 45 rotações francês, em Vadoma, nos anos 90, numa altura em que ir à mítica feira portuense, além de render que se farta, era o meu after-hours preferido.

     

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  • Poder Soul

    15 fevereiro 2021 – 19 fevereiro 2021

    Terça-feira

    The Horace Family

    God will dry my weeping eyes

    One Way

    Sabe-se muito pouco acerca deste grupo Gospel familiar, liderado por Jean Horace.

    Aparentemente oriundo do sul dos Estados Unidos, ter-se-á fixado em Chicago, na década de 70, para editar este disco e desaparecer sem deixar rasto.

    O único sete-polegadas da Horace Family foi gravado em 1977, para a One Way – marca fundada por Offe Reese, cantor que formou os históricos King Pins, na década de 50 – que se transformou numa das mais decisivas operações editoriais do género, na Windy City, ao mesmo tempo que lançou alguns monstros Soul.

    “God will dry my weeping eyes” foi um verdadeiro flop no Mercado Gospel, mas viria a tornar-se num colecionável trofeu no seio das cenas Funk e Soul.

    Uma enorme canção Gospel Funk, que cruza a intensidade dos coros e da voz princípal, da sua matriarca, com uma coesão rítmica ao nível do melhor James Brown, perfeita para as mais progressivas pistas de dança e que, sendo rara e valiosa no seu formato original, foi incluída no primeiro volume da série “Good God!”, editado pela Numero Group, em 2006.

     

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  • Poder Soul

    15 fevereiro 2021 – 19 fevereiro 2021

    Quarta-feira

    Leon Gardner

    Farm song

    Igloo

    Nativo do Texas, o então bailarino e organista Leon Gardner fixou-se em Los Angeles, com a família, a meio da década de 60.

    Em muito pouco tempo, tornou-se numa presença assídua na efervescente cena de clubes nocturnos da Cidade do Anjos, onde fez amizade com Arthur Monday e Gabriel Fleming – dois talentosos músicos que haviam trocado New Orleans pela Califórnia, com quem viria a colaborar – e fundou a Igloo Records, independente que editou a grande maioria dos nove singles que gravou, entre 1965 e 74, entre os quais se encontra uma mão cheia de hinos, altamente colecionáveis.

    Senhor de um temperamento peculiar e desanimado com a falta de reconhecimento de que era alvo, Leon Gardner abandonou a família e evaporou-se misteriosamente, depois deste ciclo criativo, não deixando que ninguém tivesse conhecimento de onde andava ou vivia, o que faz com haja a convicção, não confirmada, de que seria um sem-abrigo, quando morreu, em 2010.

    Gravado em 69, numa altura em que já se havia fartado do Hammond – “Farm song” – é um dos seus mais geniais momentos e um autêntico Graal na cena Deep Funk.

    Uma desconcertante canção, com uma crua e poderosa base instrumental a suportar uma narrativa confusa mas cativante, que leva ao delírio os mais esclarecidos clubes, desde a segunda metade dos anos 90, década em, finalmente, se fez justiça ao seu enorme talento, sem que ele nunca viesse a perceber.

     

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  • Poder Soul

    15 fevereiro 2021 – 19 fevereiro 2021

    Quinta-feira

    Al (Alonzo) Wilson

    Love you girl

    Nashville

    É muito o mistério que envolve este cantor, sobre o qual nada se sabe.

    Ao contrário daquilo que está publicado em alguns blogs, a única relação que tem com Al Wilson, o celebre cantor, nascido no Mississippi, que foi uma figura de proa da cena Soul de Los Angeles e nos deu clássicos como “The snake” e “Show + tell”, é o nome, sendo pessoas distintas, cujos percursos nunca se cruzaram.

    De igual modo, apesar da pequena independente que editou o seu único disco se chamar Nashville, sabe-se que este Al (Alonzo) Wilson é nativo de Milwaukee, no Wisconsin, e que foi lá que, em 1981, gravou este sete-polegadas.

    “Love you girl” foi descoberto, na viragem do século, pelo Dj e digger local Andy Noble e, desde aí, tem gerado a loucura dos mais abastados colecionadores.

    Uma deliciosa pérola Modern Soul, com uns arranjos e uma produção imaculados, cujas poucas cópias conhecidas terão sido resgatadas do lixo, onde, aparentemente, foram abandonadas pelo próprio artista e que se tornou acessível aos comuns mortais, em 2016, quando o francês Jeremy Underground a incluiu numa recolha que fez para a Spacetalk Records.

     

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  • Poder Soul

    15 fevereiro 2021 – 19 fevereiro 2021

    Sexta-feira

    Fingers

    Searching for a love

    RCA Victor

    Fingers foi um projecto dos músicos nova-iorquinos Chris Adams e Michael A. Ford, que apenas editou um Lp.

    O teclista e o baixista terão sido aliciados para gravarem as oito canções deste disco, lançado pela RCA Victor, em 1979, por Warren Schatz, importante e veterano produtor que, depois de ter iniciado o seu percurso profissional a gravar demos de nomes como Paul Simon, Neil Diamond, Burt Bacharach, Dionne Warwick ou Carol King e der ter fundado o septeto The Brothers, se tornou num actor chave da era Disco.

    “Searching for a love” é um dos temas que compõem este álbum, hómonimo, e, para mim, o seu momento supremo.

    Uma verdadeira maravilha Disco Soul, cantada por Foster “Skip” McPhee, com uns arranjos e uma produção extremamente sofisticados, que nunca falha quando lançada numa pista de dança e é, completamente, obrigatória em qualquer coleção que se preze, até porque é uma autêntica pechincha no mercado de usados.

     

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