• Poder Soul

    14 março 2022 – 18 março 2022

    Segunda-feira

    Harold Melvin + The Blue Notes

    Wake up everybody (Part 1)

    Philadelphia International

    Semana dedicada ao chamado “Sound of Philadelphia”, com a recuperação de cinco dos seus mais espirituais e intemporais discos.

    Franklin Peaker, Bernard Wilson, Roosevelt Brodie, Jesse Gillis Jr. e Harold Melvin formaram The Charlemagnes, no início dos anos 50, em pleno advento do Doo-Wop.

    Em 54, mudaram o nome para The Blues Notes, assinaram contrato com a Josie e, até 69, com várias alterações no seu line-up, gravaram mais de uma dezena de singles, antes de recrutarem Teddy Pendergrass, para a fase mais criativa e de maior sucesso da sua longa carreira.

    Ao longo da década de 70, Harold Melvin + The Blue Notes afirmaram-se como um dos mais emblemáticos projectos da histórica Philadelphia International Records, tendo assinado hinos e hits como “If you don’t know me by now”, “The love I lost”, “Bad luck” ou “Prayin’”, já para a Source.

    Escrito por Whitehead, McFadden e Carstarphen e produzido pela dupla Gamble + Huff – “Wake up everybody” – foi gravado em 1975, é um dos seus maiores êxitos e, para mim, o seu mais genial momento.

    Uma imensa canção, de forte consciência social, que está entre a mais marcante música afro-americana da história e faz hoje todo o sentido.

     

    ▶️ OUVIR

  • Poder Soul

    14 março 2022 – 18 março 2022

    Terça-feira

    The Jones Girls

    Nights over Egypt

    Philadelphia International

    Embora Brenda, Shirley e Valerie, as três irmãs que se juntaram enquanto Jones Girls, sejam nativas de Detroit, foi em Filadélfia que gravaram os mais decisivos discos da sua carreira.

    Iniciaram o seu percurso discográfico em 1970, tendo gravado oito singles, para a GM e a Music Merchant, ainda na Motor City, e para a Paramount e a Curtom, antes assinarem com a Philadelphia International, em 79, para a fase mais produtiva de uma carreira que se estendeu até 92.

    Composto por Cynthia Biggs e Dexter Wansel e produzido por Kenneth Gamble – “Nights over Egypt” – foi prensado em sete e em doze-polegadas, incluído em “Get as much love as you can”, o seu terceiro Lp, editado em 81, e, na minha opinião, é o maior dos vários hinos que nos deixaram.

    Uma verdadeira obra-prima midtempo, com uma produção e uns arranjos altamente futuristas, que soa hoje tão actual como há quarenta anos.

     

    ▶️ OUVIR

  • Poder Soul

    14 março 2022 – 18 março 2022

    Quarta-feira

    Jean Carn

    Free love

    Philadelphia International

    Jean Carn nasceu Sarah Jean Perkins, em Columbus, na Georgia, em 1947.

    Começou a cantar, com apenas quatro anos, no Coro de uma Igreja de Atlanta, cidade onde foi criada e onde se graduou em Música, no Morris Brown College, de onde saiu a dominar o piano e o clarinete.

    Iniciou o seu percurso artístico depois de se casar com Doug Carn, emprestando a sua voz a alguns decisivos Lps, gravados pelo seu parceiro para a mítica Black Jazz Records, para além de ter colaborado com nomes como Azar Lawrence ou Norman Connors.

    Em 76, já divorciada, foi contratada pela Philadelphia International, para conhecer finalmente o sucesso, que a levou a gravar quatro Lps para a crucial marca de Gamble + Huff, a editar através da Motown e da Atlantic e a assinar clássicos como “Don’t let it go to your head” ou “Was that all it was”.

    Editado em sete-polegadas e como parte do seu primeiro longa-duração, homónimo – “Free love” – é, para mim, a sua maior contribuição para as pistas de dança.

    Uma enérgica e contagiante canção, com uma produção, uns arranjos e uma interpretação estratosféricos que nunca falha quando lançada num clube e é absolutamente obrigatória na coleção de qualquer Dj de Soul ou Disco.

     

    ▶️ OUVIR

  • Poder Soul

    14 março 2022 – 18 março 2022

    Quinta-feira

    Teddy Pendergrass

    You can’t hide from yourself

    Philadelphia International

    Teddy Pendergrass nasceu em Kingstree, na Carolina do Sul, em 1940, mas mudou-se muito cedo para Filadélfia.

    Como muitos na sua geração, começou a cantar ainda criança na Igreja, alimentando o sonho de vir a ser Pastor.

    Foi ordenado Ministro, com apenas 10 anos, numa altura em que tocava bateria na secção rítmica do coro da sua congregação e foi como baterista que começou o seu percurso artístico, enquanto membro dos Cadillacs, primeiro, e dos Blue Notes, de Harold Melvin, depois.

    Em 1970, depois do Melvin o ter ouvido a cantar num ensaio, assumiu as funções de vocalista, cinco anos mais tarde, transformando-se num dos mais carismáticos barítonos da história da Soul.

    Iniciou a sua carreira em nome próprio em 77, tendo gravado mais de duas dezenas de Lps e um sem número de singles, entre os quais se encontram clássicos incontornáveis, como “The more I get, the more I want” ou “Turn off the lights”, entre muitos outros.

    Tema de abertura do seu álbum de estreia, editado pela Philadelphia Internacional, em 77 – “You can’t hide from yourself” – é, na minha opinião, a sua maior contribuição para as pistas de dança.

    Uma musculada e explosiva canção Disco Soul, que rebenta com qualquer clube, serviu de base a um dos maiores hinos House dos 90, pelas mãos de Dj Sneak e é completamente obrigatória em qualquer coleção minimamente exigente.

     

    ▶️ OUVIR

  • Poder Soul

    14 março 2022 – 18 março 2022

    Sexta-feira

    M.F.S.B.

    Sexy

    Philadelphia International

    Todos os temas que vos trouxe esta semana têm uma coisa em comum: a sua base instrumental foi assegurada pelos míticos M.F.S.B., ou Mother Father Sister Brother.

    Recrutada por Kenneth Gamble e Leon Huff, como house banda da sua editora – Philadelphia International – reuniu músicos chave da cena Soul da City of Brotherly Love, como Earl Young, Roland Chambers, Bobby Eli, Norman Harris, Ron Baker, Vince Montana, Thom Bell, Ron Kersey ou John Davis, entre os trinta residentes dos Sigma Sound Studios a que recorreu.

    Entre 1971 e 85, a M.F.S.B., para além de ter sido crucial em centenas de discos chave de alguns dos maiores nomes da Soul e de ter definido aquilo que se veio a chamar o Som de Filadélfia, gravou sete sólidos lps, onde clássicos como “TSOP (The Sound of Philadelphia)”, a sua versão de “K-Jee”, original dos Nite-Liters, ou “Mysteries of the world”.

    Gravado em 75, como tema de abertura de “Universal Love”, o seu quarto longa-duração – “Sexy” – é, para mim, o maior desses hinos.

    Um tremendo instrumental Disco, que sintetiza tudo o que fez deste Som de Filadélfia algo de tão especial e que, mesmo sem recorrer às espantosas vozes que lhe deram corpo, continua a levar ao rubro qualquer pista de dança.

     

    ▶️ OUVIR