• Poder Soul

    13 julho 2020 – 17 julho 2020

    Segunda-feira

    Willie Rosario + his Orchestra

    Calypso blues

    Musicor

    Semana em que o Poder Soul volta a focar-se no Boogaloo, o estrondoso cruzamento entre os Rhythm + Blues, a Soul e estruturas ritmícas Afro-Cubanas, “inventado” pela comunidade Latino-Americana de Nova Iorque, na década de 60, e que contaminou, imediatamente, a cultura juvenil dos seus países de origem.

    Também conhecido por “Mr. Afinque”, Willie Rosario nasceu em Coamo, Puerto Rico, em 1930.

    Começou muito cedo a aprender guitarra, teve aulas de saxofone mas o seu intrumento de eleição eram as congas.

    Com dezasseis anos formou a sua primeira banda – Coamex – antes de emigrar, com a familia, para o chamado Spanish Harlem, em Nova Iorque.

    Uma vez na Grande Maçã, decidiu consolidar a sua formação no instrumento, depois de ter assistido ao um espectáculo de Tito Puente, no Palladium e, ao mesmo tempo que cumpria o serviço militar, tinha aulas com Willie Rodriguez.

    Em 53, regressou ao país natal, durante um ano, para iníciar o seu percurso profissional, como baterista da Orquestra Fiesta, com quem voltou aos Estados Unidos, tendo sido Dj duma estação de rádio hispânica e dirigido a sua própria banda, para tomar conta do Club Cabo Rojeño, durante três anos, antes de ser contratado pela Allegre, em 62, e começar uma marcante carreira discográfica que, nas cinco décadas seguintes, se traduziu em várias dezenas de discos, e o consolidou como uma das referências da música Latino-Americana.

    Gravado em 1968, como parte de “Two too much”, Lp editado pela Musicor, com a participação de Frankie Figueiroa – “Calypso blues” – é uma extraordinária releitura do standard, escrito por Don George e Nat King Cole, e um dos seus mais especiais momentos.

    Uma tremenda versão, duma canção do outro mundo, cantada por Willie Torres, que, em 2006, foi incluída na excelente recolha da Honest Jon’s – “Boogaloo Pow Wow – Dancefloor rendez-vous in young Nuyorica”.

     

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  • Poder Soul

    13 julho 2020 – 17 julho 2020

    Terça-feira

    Willie Rodríguez

    Marty tune

    Fonseca

    Tal como Willie Rosario, o trompetista Willie Rodríguez também nasceu na cidade porto-riquenha de Coamo, em 1935.

    Em 54, depois de completar os seus estudos, foi enviado pelos pais para Nova Iorque onde, após ter integrado um trio de orquestras, formou o seu próprio grupo, em 57, com que começou a actuar regularmente em clubes como Los Panchos, Monte Carlo ou Cabo Rojeño, mítico espaço que serviu de palco à gravação do seu primeiro disco – “Willie Rodríguez Swings” – editado pela MAN, em 65.

    Iníciou, logo a seguir, uma profícua relação com a Fonseca, importante marca de Carmelo Fonseca, responsável pela edição de alguns discos de culto de nomes como Ricardo Ray, Bobby Valentin, Orquesta Novel, Kent Gomez ou Hommy Sanz, entre outros, que, até ao final dos anos 60, nos deu dois Lps e três singles.

    Ainda gravou mais um trio de importantes álbuns para a Mary Lou e para a Salsa, antes de dissolver a sua banda, a meio da década de 70, e acabar por abandonar a sua carreira artística.

    “Marty tune” é o lado b de “Boogaloo Pussyca”, um dos sete-polegadas que gravou para a Fonseca e, na minha opinão, um dos seus temas de eleição.

    Uma grande canção midtempo, perfeita para aquecer qualquer pista de dança, que se transformou num dos clássicos incontornáveis da nova geração de Djs da cena Mod.

     

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  • Poder Soul

    13 julho 2020 – 17 julho 2020

    Quarta-feira

    Eddie Palmieri + his Orchestra

    The African twist

    Tico

    Filho de emigrantes porto-riquenhos, Eddie Palmieri nasceu no Bronx, em 1936, para se tornar numa das figuras chave da cena músical latino-americana.

    Começou a tocar piano muito cedo e, com apenas oito anos, já acompanhava o seu, também influente, irmão – Charlie – em concursos de talento.

    Iníciou a seu percurso profissional no princípio dos anos 50, década em que integrou diversas bandas, dirigidas por gente como Eddie Forrester, Eddie Segui e Tito Rodriguez, ao mesmo tempo que foi aperfeiçoando as suas aptidões enquanto compositor, arranjador e lider de orquestra.

    Fundou a La Perfecta, à entrada para os 60, e os Harlem River Drive, dez anos mais tarde, colaborou com nomes chave como Cal Tjader ou Fania All-Stars e, desde 1962 até aos nossos dias, editou algumas centenas de importantes discos, através de marcas como a Tico, a Alegre, a Verve, a Roulette ou a Coco, entre outras, onde ajudou a moldar a moderna música latino-americana e a sua fusão com o Jazz, a Soul e o Funk. 

    Gravado em 68, como parte do alinhamento do Lp “Champagne”, mas também prensado em sete-polegadas – “The African twist” – é um dos grandes clássicos que assinou.

    Uma imensa e contagiante canção Boogaloo, que leva qualquer pista de dança ao delírio e é um dos temas obrigatórios do género.

     

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  • Poder Soul

    13 julho 2020 – 17 julho 2020

    Quinta-feira

    Mario Allison y su Combo

    Oh yeah!

    Mag

    Embora apenas tenha visitado Nova Iorque uma vez, para actuar a convite de Tito Rodriguez, em 1967, Mario Allison foi um dos principais embaixadores do Boogaloo, na América Latina.

    O mais velho de sete irmãos, dos quais cinco viriam a ser músicos, Allison nasceu na cidade de Paita, no Perú, em 1943.

    Autodidacta, aprendeu muito cedo a tocar bateria e timbales, instrumento em que se distinguiu, e, depois de se mudar com a família para Lima, formou uma banda Rock, antes de conhecer César Gonzalés e Coco Lagos, um dos fundadores dos Black Sugar, e ser convidado a integrar La Sonora de Lucho Macedo, primeiro, e ser músico residente da importante editora de Manuel António Guerrero – a Mag – logo a seguir.

    Em 62, ao mesmo tempo que se assumiu como um dos elementos chave da Sonora Nelson Ferreyra, estreou-se, como lider do seu próprio grupo, iniciando um percurso discográfico que, nas duas décadas seguintes, se reflectiu em mais de uma dezena de Lps e um sem número de singles, editados através de selos como Mag, Dinsa ou Sono Radio, onde explorou as mais variadas linguagens afro-cubanas, com particular destaque para o Pompo e o Boogaloo.

    Editado em 67, pela Mag, como lado b de um sete-polegadas que tem uma bela versão de “Louie Louie”, na face oposta, e incluído no Lp “De Fiesta! Vol. II” – “Oh yeah!” – é, provavelmente, a sua maior contribuição para as pistas de dança.

    Uma autêntica bomba Boogaloo que usa o orgão, de uma forma orginal e surpreendente, e que sendo disputada pelos mais ambiciosos Djs e colecionadores do género, no seu inacessível formato em single, pode ser assegurada em Lp, por uma verdadeira bagatela.

     

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  • Poder Soul

    13 julho 2020 – 17 julho 2020

    Sexta-feira

    Tito Bauche

    No quiero un ride

    Orfeon

    Tito Bauche nasceu Hector Armando Bauche Merino, na Cidade do México, em 1938.

    Durante a adolescência aprendeu a tocar vários instrumentos e, inspirado pelo sucesso de Elvis Presley, decidiu que queria ser um artista de Rock, algo que não agradou nada aos pais.

    Foi obrigado a frequentar o curso de Direito da Universidade Nacional Autónoma do México, mas a sua obsessão pela música fez com que não se chegasse a graduar. Em vez de ir às aulas, Tito Bauche passava as noites em famosos clubes nocturnos, como Las Catacumbas ou El Quid, para ver tocar os mais modernos grupos de Rock mexicanos ou estrelas da música Afro-Cubana, como a lendária Sonora Mantacera, então “liderada” por Célia Cruz.

    Em 66, depois de assistir a um concerto de Sérgio Mendes, durante uma viagem a Nova Iorque, decidiu introduzir a Bossa Nova no seu país natal, tendo arrancado para uma curta, mas muito bem-sucedida, carreira, que se reflectiu na gravação de um Lp e pouco mais de meia-dúzia de singles, para a Musart e a Orfeon, em que a sua original mistura de ritmos das Antilhas com Soul, o perpetuou, localmente e ao lado de nomes como Jávier Batiz e Carlos Santana, como um dos “inventores” da Soul Latina.

    A sua constante instabilidade emocional, a par com um estilo de vida boémio, impossível de conciliar com um casamento, do qual resultaram dois filhos – Tito e Vanessa – que viria a transformar-se numa famosa actriz, impediram-no de chegar mais longe e de gozar esse título.

    Gravado em 68, para a Orfeon, na companhia da Orquestra de Luiz Gonzalez – “No quiero un ride” – foi uma das suas incursões ao Boogaloo e, para mim, o seu mais genial momento.

    Uma grande canção, desvendada pelo digger de Miami Action Pat, capaz de rebentar com qualquer pista de dança, que ainda se mantém algo obscura no seio da cena especializada, mas que, mais dia, menos dia, irá ser perseguida pelos mais ambiciosos Djs do género, até porque raridade é coisa que não lhe falta.

     

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