• Poder Soul

    12 outubro 2020 – 16 outubro 2020

    Segunda-feira

    Osiris

    Consistency

    Tom Dog

    Osiris Marsh nasceu em Washinton D.C., nos primeiros anos da década de 50, para se tornar num dos protagonistas da cena músical da capital norte-americana.

    Começou a cantar no coro da sua Igreja, com apenas 7 anos de idade, e, aos 14, já integrava os Romantics, antes de decidir formar o seu próprio grupo – The Stridells – com quem venceu concursos de talento e batalhas escolares.

    Em 1968, o colectivo Doo Wop foi descoberto pelo crucial Maxx Kidd, que o assinou para a sua recém-formada Yvette Records, apadrinhando a a sua estreia em disco.

    Depois de os Stridells se terem separado, em 72, Osiris assumiu a voz principal dos Deacons mas, no ano seguinte, fundou os Destiny, grupo vocal com quem gravaria um single, para a RCA, e que o fez encontrar os músicos com quem iria trabalhar nos seus mais estimulantes projectos: Maceo Bond e Tyrone Brunson.

    Primeiro enquanto The Family, com Reginald Walter McNair e William Eugene Jackson, e, logo depois, como Osiris, na companhia de Jimmy Stapelton, o trio viria a gravar cinco Lps e cerca de uma dúzia de singles, entre 77 e 86, para marcas como a Little City, a Tom Dog, a Marlin ou a Jem Rose.

    “Consistency” é um dos temas que compõem “Since before our time”, o primeiro álbum dos Osiris, editado em 79, pela Tom Dog, que o licenciou à Warner Bros., e, na minha opinião, o seu mais marcante momento.

    Uma grande canção Funky Soul midtempo, que está ao nível da melhor música negra produzida nos 70 e que deve constar de qualquer coleção que se preze, até porque pode ser assegurada por uma bagatela.

     

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    12 outubro 2020 – 16 outubro 2020

    Terça-feira

    L.A. Bare Faxx

    Super cool Brother

    Watts U.S.A.

    O talentoso organista, nativo de Phoenix, no Arizona – Richard Cason – resolveu ir para Los Angeles, depois de ter abandonado os Dyke + The Blazers e de ter regressado à sua cidade natal, para dar corpo a dois projectos falhados – The Showmen Inc. e The Odd Squad.

    Na Cidade do Anjos, viria a encontrar o cantor e baterista Leon Kitrell, o guitarrista Billy Ray Charles e o baixista Ted Butler, com quem foi residente de clubes como o Caribbean e o Hazel + Herb e formou os L.A. Bare Faxx.

    Em 1971, o grupo foi contratado por Bill McCloud, um engenheiro da National American Broadcasting, que tinha acabado de criar a Watts U.S.A., com o objectivo de editar talento local que recrutava no circuito de clubes nocturnos, e que viria a apadrinhar nomes de culto, como os Warm Excursion, e a trabalhar com lendas, como Vernon Garrett, para gravar dois sete-polegadas, antes de evoluir para Formula V e Rich Cason + The Galactic Orchestra.

    “Super Cool Brother” é o primeiro e, de longe, o mais raro desses discos e um verdadeiro hino Deep Funk.

    Uma poderosa e musculada canção, contaminada por doses certas de psicadelismo, com uma certeira secção rítmica a receber umas intensas harmonias vocais, à la Temptations, que se transformou num valioso objecto de coleção e foi incluída na essencial recolha da Jazzman: “California Funk”.

     

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    12 outubro 2020 – 16 outubro 2020

    Quarta-feira

    Robert Montgomery + Chain Reaction

    I need you girl

    Crescent

    Robert Montgomery é um obscuro produtor, compositor, teclista e cantor, oriundo de Rome, na Georgia.

    Começou o seu percurso artístico, ainda teenager, como membro da banda local – The Sons of Aries – um talentoso e solicitado colectivo que, embora tenha levado a sua mistura de Rock, Soul e Jazz a palcos de todo o sudeste norte-americano, nunca chegou a gravar.

    Depois do fim da banda, Robert Montgomery decidiu tentar a sua sorte a solo e, depois de ter sido contratado por Jeffrey Jackson Jr., gravou o seu primeiro single, para a pequena Crescent Records, em 1976, na companhia de alguns dos seus anteriores parceiros, agora rebaptizados Chain Reaction.

    O disco, que teve uma curta prensagem de mil unidades e uma distribuição e promoção deficientes, transformou-se num autêntico Graal da cena Soul, mas pouco ou nada fez pela sua carreira, obrigando-o a mudar-se para Atlanta, em 78, onde se viria a cruzar com os Ripple, importante banda de Michigan, responsável pelo clássicos “I Don’t Know What It Is, But It Sure Is Funky” e “The beat goes on and on”, com quem gravou mais quatro grandes canções, que acabaram por ficar “arquivadas” até 2017 e 2018, anos em que foram recuperadas, pela Soul Junction, em dois sete-polegadas.

    “I need you girl” é o primeiro destes três excelentes discos e aquele que lhe valeu o estatuto de culto na cena especializada, que permitiria a tardia edição dos outros dois.

    Uma verdadeira obra-prima Crossover que, no seu ultra-raro formato original, troca de mãos por valores acima do milhar e que, felizmente, acompanhou os seus quatro inéditos, quando a Soul Juction decidiu resgatar a sua obra.

     

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    12 outubro 2020 – 16 outubro 2020

    Quinta-feira

    The Tams

    This precious moment

    Sounds South

    Os irmãos Charles e Joseph Pope juntaram-se a Robert Lee Smith, Floyd Ashton e Horace Key, para formarem os Tams, em Atlanta, na Georgia, em 1959.

    O quinteto vocal que, com as inevinevitáveis alterações de line-up, ainda se mantem activo, sob a liderança de Little Red, filho do fundador Charles Pope, teve uma marcante e bem-sucedida carreira, afirmando-se como uma das princípais referências da chamada Beach Music.

    Começaram o seu percurso nos clubes nocturnos da cidade e, em 62, conveceram o produtor Bill Lowery a gravar um single, para a Arlen Records, que, para sua surpresa, se transformou num êxito regional, chamando a atenção da Abc-Paramount, que os viria a contratar.

    Nas décadas que se seguiram, os Tams editaram nove Lps e várias dezenas de singles, através de marcas com a King, a Capitol, a Stateside, a Apt, a MGM, a Roulette ou a Sounds South, entre os quais se encontram vários clássicos e hits.

    Gravado em 78, para a Sounds South – “This precious moment” – não reflecte a sua fase mais produtiva, na década anterior, mas é, para mim, o seu momento de eleição.

    Uma deliciosa canção, com uma produção, uns arranjos e uma interpretação que roçam a perfeição, capaz de, no momento certo, levar qualquer pista de dança ao delírio e obrigatória nas mais exigentes coleções.

     

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    12 outubro 2020 – 16 outubro 2020

    Sexta-feira

    The Gospelaires of Dayton, Ohio

    No where to run

    Savoy

    The Gospelaires foi um grupo Gospel, que iníciou o seu percurso artístico, em Dayton, no Ohio, a meio da década de 50, como um quarteto vocal, composto por Bob Washington, Paul “Easy” Arnold, Melvin Boyd e Robert Lattimore.

    O colectivo, que se foi alargando com o decorrer dos anos, transformou-se rápidamente numa das referências do género, à escala nacional, e, entre 1956 e 86, viria a editar mais de uma dezena de Lps e o dobro de singles, através de editoras chave como a Peacock e a Savoy, assinando vários êxitos e clássicos, a maioria dos quais durante os seus primeiros dez anos de carreira.

    Gravado em 79, como parte do alinhamento de “Rest for the weary”, um dos Lps lançados pela Savoy – “No where to run” – não é um desses hinos da sua fase dourada mas é, na minha opinião, a sua maior contribuição para as pistas de dança.

    Uma enorme e contagiante canção, carregada de Soul e contaminada pelo mais independente Disco, que foi introduzida nos clubes por Greg Belson, um dos Djs de referência da cena Funk britânica, dos 90, que, depois de se mudar para Los Angeles, se tornou num dos maiores especialistas Gospel do planeta, e se transformou num clássico incontornável da cena especializada.

     

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