(Quar)antena 3

10 Livros (sempre) bons de voltar

@Adília Lopes, livro “Estar em Casa”

De quarentena ou não, ler é das coisas que mais bem me faz e assim sendo, deixo-vos uma lista de alguns dos meus livros preferidos.

Com alguns, estou a namorar pela primeira vez, outros já são amores antigos aos quais acabo sempre por voltar.

“Things The Grandchildren Should Know”, Mark Oliver Everett

É um dos melhores livros que já li, juro. É a autobiografia do vocalista da banda Eels, que tem coisas extraordinárias para contar: uma história de vida atribulada com direito a dor, tragédia e música. Se forem como eu, acabam o livro com um sorriso, uma lagrimita e uma vontade enorme de lhe dar um abraço gigante.

 

“As coisas que os homens me explicam”, Rebecca Solnit

O título fala por si, de facto. Da condescendência ao silenciamento das mulheres, passando pela descredibilização, a exploração ou a violência, o livro é uma narrativa sociológica, inteligente e sensível, que começa de forma extraordinária e não assim tão rara:

Rebecca Solnit, escritora, historiadora e ativista, conta-nos um episódio em que um homem lhe explica um livro que não leu – a ela, que o escreveu.

“We Should All Be Feminists”, Chimamanda Ngozi Adichie

É uma espécie de bíblia. Um livro rápido, prático, descomplicado e esclarecedor sobre o que está errado com a maneira como o mundo está construído. Um compacto breve sobre o que é, afinal, esse bicho-papão chamado feminismo. As dúvidas ficam esclarecidas, tal como os preconceitos, mitos e ideias do arco-da-velha. Simples, fácil, evidente e para todos. Tal como o feminismo deveria ser.

“Milk and Honey”, Rupi Kaur

Conheci a Rupi Kaur num momento crítico. Li tudo o que consegui dela de uma só assentada. Se estão de coração partido, “Milk and Honey” não vai curar. Mas vai ajudar.

Na Rupi Kaur vão encontrar alguém com a mesma dor mas disposta a deixá-la ir. Um livro de poesia de sobrevivência que faz olhar para dentro e que relembra como pode ser bom, para nós e para os outros, cicatrizar as feridas interiores.

“Paz Traz Paz”, Afonso Cruz

Este livro tem andado quase sempre comigo e com ele, faço aquele exercício de o abrir, aleatoriamente, numa página qualquer. Calha sempre a coisa certa. Há espaço para os sonhos, para a tristeza, para a dormência e para o futuro – sempre em paz. Como se não bastasse, ainda traz ilustrações a acompanhar a poesia.

“Girl In a Band: A memoir”, Kim Gordon

Num mundo de homens e numa banda de homens, Kim Gordon escreve as suas memórias à medida que nos faz viajar até à Nova Iorque nos anos 80 e 90 e ao início dos Sonic Youth. Há espaço para se falar da independência, do amor, da maternidade e do papel que Kim teve enquanto pioneira nas mulheres do rock. A beleza e a sensibilidade estão lá também, para nos confirmarem a fórmula de uma artista incomparável.

“Sabrina”, Nick Drnaso

Foi um presente muito generoso e uma surpresa ainda melhor.

É a primeira novela gráfica finalista do Booker Prize e conta a história de uma rapariga que desaparece sem deixar rasto e daqueles que, à sua volta, têm de lidar com isso. Uma obra incrivelmente bem escrita e desenhada. É uma espécie de fábula da modernidade que espero que vos surpreenda e entusiasme tanto como a mim.

“Os Assaltos à Padaria”, Haruki Murakami

Um ataque de fome a meio da noite leva dois amigos a assaltarem uma padaria. O episódio é relembrado pelo narrador e, ao partilhá-lo com a companheira, numa madrugada qualquer, o hábito parece querer repetir-se.

Um livro que cheira a pão no forno e que vos vai fazer levantar para ir à cozinha. Traz ilustrações maravilhosas da Kat Menschik.

“Música Para Aguardente”, Charles Bukowski

Contos que são o que são, sem floreados. A vida como ela é, Bukowski como ele é. Um livro de histórias que destilam álcool e que, estranhamente, confortam. Para relembrar o quão grotesca, visceral e violenta pode ser a frustração de um só homem.

“Estar em Casa”, Adília Lopes

Poesia do mais belo que existe, sobre a intimidade do sossego. Um livro de simplicidade com os pensamentos mais profundos e elegantes sobre a vida, as pessoas e todas as coisas que dela fazem parte. Se acham que o vosso coração não aguenta tanta beleza, garanto-vos que depois deste livro, ele só se vai expandir ainda mais.

Vanessa Augusto