• Poder Soul

    1 fevereiro 2021 – 5 fevereiro 2021

    Segunda-feira

    Bob Hines Trio

    Dahsheka

    Grit + Gravy

    Bob Hines nasceu no Alabama, mas passou quase toda a sua vida na estrada.

    Começou a tocar piano com nove anos de idade e, apesar de ter tido formação músical na escola, optou por ser autodidacta, seguindo os músicos que animavam os Juke Joints das redondezas, para tentar perceber os géneros que o estimulavam: os Blues e o Jazz.

    Foi essa procura que o levou até Cleveland, onde tocava quatro noites por semana, no Blue Room do Majestic Hotel, só para poder passar os restantes dias no clube de Art Tatum, a ouvir o histórico pianista e a aprender, sem que ele se apercebesse.

    Entre 1935 e 44, acompanhou os Ink Spots, antes de descobrir o orgão, através de “Honky Tonk”, de Bill Doggett, e se apaixonar pelo instrumento.

    Depois de passar o dia a explorar o orgão e a noite a tocar piano com Bull Moose Jackson, Bob Hines juntou-se à banda de Memphis Slim, no início dos anos 50, adoptando, de uma vez por todas, o seu instrumento de eleição.

    Três anos mais tarde formou o seu trio, com quem, até à segunda metade da década de 70, percorreu palcos de todo o sul dos Estados Unidos, embora apenas tenha gravado um sete-polegadas, em toda a sua carreira.

    Editado, no fim dos anos 60, através da misteriosa Grit + Gravy – “Dahsheka” – foi registado na companhia de Eddie Saunders e John Majors, é o lado B do seu único disco e a sua grande contribuição para a cena especializada.

    Um imenso instrumental, dominado pelo saxofone e pelo orgão, que funde, com uma energia impar, Rhythm + Blues, Jazz e Funk e que se transformou num clássico nos clubes de vários quadrantes do movimento retro.

     

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    1 fevereiro 2021 – 5 fevereiro 2021

    Terça-feira

    Lynn Williams

    It takes two

    Dade

    Nativa de Miami, na Flórida, Lynn Williams é filha de Hank Ballard, o lendário cantor e compositor que foi fundamental na afirmação da King, então dominada por James Brown, e da Dj de culto local, Vanilla “Miss Boom Boom” Williams.

    Depois da morte da sua mãe, foi “adoptada” por Arnold Albury, organista e líder dos Rising Sun, que viria a apadrinhar a sua estreia discográfica, com apenas quinze anos de idade.

    Entre 1969 e 75, Lynn Williams teve um pequeno, mas marcante, percurso, que se reflectiu na edição de cinco singles, através de marcas como a Dade, a Suncut ou a T.K., entre os quais figuram vários clássicos e um trio de disputadas raridades.

    Desapareceu depois de se casar…

    Gravado em 70, na companhia da mítica banda do seu “pai adoptivo”, que também escreveu a canção – “It takes two” – é um dos três discos que editou pela Dade, mais um incontornável selo do império de Henry Stone, e, provavelmente, o seu mais cobiçado sete-polegadas.

    Uma obra-prima Sister Funk midtempo, que se transformou numa espécie de Graal, entre os mais abastados Djs e colecionadores do género e que troca de mãos na casa dos milhares, no seu formato original, mas que, felizmente, foi reprensada, em 2015, pela Anthens of the North, ao lado de “Don’t be surprised”, outro dos seus grandes hinos.

     

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    1 fevereiro 2021 – 5 fevereiro 2021

    Quarta-feira

    Aggregation

    Can you feel it

    Charity

    Oriundos de Birmingham, Ron Carter e Larry “Ship” Glover, faziam parte da Alabama A+M College Marching Band, sediada em Huntsville, quando decidiram juntar-se aos seus colegas de universidade – Arthur Wade, Eddie Scott, Edmond White, Michael Cornelius e Tom Woodruff – para formarem os Aggregation, no fim da década de 60.

    Depois de se tornar numa presença assídua em festas de fraternidade e em clubes locais, como o Ebony, o Orbit Lounge, o Night Light e o Plush Horse, o septeto convenceu Charles “Toot” Snoddy, fundador do novo Acoustic Loop Sound Lab, a dar-lhes seis horas de estúdio, em troca da impressão do seu logotipo no rótulo do único sete-polegadas que editaria.

    O disco, prensado em 73, pela Charity, marca que parece ter sido criada para o efeito, teve um reduzido apoio da rádio local, mas não impediu os Aggregation de percorrerem palcos das Carolinas, do Mississippi, do Tennessee e da Flórida, abrindo concertos de nomes como Archie Bell, Isley Brothers ou os War, e de “invadirem” os escritórios da Stax, em Memphis, à procura de um contrato discográfico que, lhes foi prometido após uma audição, mas que nunca se veio a concretizar.

    As suas obrigações pessoais acabaram por se sobrepôr às suas ambições artísticas, levando ao fim do seu sonho, mesmo depois de Scott, White e Cornelius, terem voltado a tentar a sua sorte e a gravar mais um single, como T.A.C. Movement. 

    “Can you feel it” é o lado B do seu único e colecionável single e a sua grande contribuição para as pistas de dança.

    Um monstro Deep Funk que, desde que foi introduzido na cena especializada, leva ao delírio os mais progressivos clubes, e que, sendo praticamente impossível de assegurar no seu formato original, é um dos quarenta e cinco enormes singles que compõem a obrigatória, mas igualmente inacessível, caixa da Numero Group: “Eccentric Soul – Omnibus: Vol.I”.

     

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    1 fevereiro 2021 – 5 fevereiro 2021

    Quinta-feira

    Afrodisia

    A fool no longer

    RD Records

    Nascido e baseado em Worms, na Alemanha, Afrodisia é o projecto de Darnell Summers, irmão do baterista de culto Bill Summers.

    Nascido em Detroit, em 1947, um ano antes do seu irmão, Darnell, que se dedicou aos teclados e à voz, teve um percurso muito mais tardio e discreto mas, ainda assim, fez o suficiente para também ter assegurado um lugar de culto entre os mais obstinados amantes da melhor música negra.

    A sua carreira artística apenas se iniciou em 1970, quando o amor o fez regressar à Alemanha, onde, uns anos ante, tinha estado a cumprir parte de um serviço militar, que também o levou ao Vietnam.

    Fundou a banda rock The Last Exit, em Worms, mas voltou aos Estados Unidos, antes de esta ter gravado o que quer que seja.

    Em 1977, fixou-se naquela cidade germânica para formar os Afrodisia e fazer parte de um conjunto de bandas, entre as quais figuravam os Last Exit, que tinha “ocupado” uma escola abandonada dos subúrbios para ensair, chamando ao local – “Rock Haus”.

    Três anos mais tarde, os Afrodisia gravaram o seu primeiro disco – “Elephant sunrise” – um sólido e colecionável Lp, em que dez talentosos músicos, negros e brancos, americanos e alemães, apresentam uma estimulante fusão de Soul, Funk, Jazz e Disco.

    Em 81, a banda voltou a estúdio para registar um novo álbum, mas o disco não chegou a ser editado, tendo, apenas, uma das suas faixas sido incluída na compilação – “Rock Aus Der Alten Schule” – um Lp, lançado pela RD Records, que se propunha perpetuar o legado das bandas que haviam nascido naquele emblemático espaço e que, entretanto, tinham sido alvo de despejo, por parte das autoridades locais.

    “A fool no longer” é o tema com que participaram nesse projecto e um dos vários hinos que nos deixaram.

    Uma fabulosa canção Modern Soul, de um grupo que viu o seu talento ser, finalmente, reconhecido depois de ter sido recuperado pela Cordial que, desde 2017, não só reeditou o seu intemporal longa-duração, como tem desvendado alguns belos inéditos.

     

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    1 fevereiro 2021 – 5 fevereiro 2021

    Sexta-feira

    Lee Alfred

    Rockin-Poppin full tilting (Part 1)

    Cancer

    Nascido Alfred L. Whitfield, Lee Alfred foi um misterioso artista, nativo dos arredores de St. Louis, no Missouri, que esteve activo na viragem dos 70 para os 80.

    Entre 80 e 81, juntou algum talento local, como David D., James Thompson, J. Lester e R. Murphy, para gravar quatro singles, que autoeditou, através da Cancer e da Sunni, marcas que criou para o efeito e que trabalhava a partir de sua casa, na pacata aldeia de Hanley Hills.

    Registado nos Earth City Studios e prensado em doze e sete-polegadas – “Rockin-Poppin full tilting” – é o primeiro desses discos e aquele que lhe garantiu um lugar na história.

    Um grande canção Soul, contaminada pelo Boogie, que tem vindo a conquistar cada vez mais adeptos nos mais progressivos clubes da actualidade e que foi incluída no segundo volume da excelente série “Pura Vida presents: Beach Diggin’”, editada pela Heaven Sweetness.

     

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