• Poder Soul

    1 agosto 2022 – 5 agosto 2022

    Segunda-feira

    Benny Spellman

    Fortune Teller

    Minit

    Benny Spellman nasceu em Pensacola, na Flórida, em 1931.

    A sua paixão por football americano rendeu-lhe uma bolsa de estudo na Southern University, em Baton Rouge, e foi lá que começou a cantar. 

    Não chegou a ser o jogador que sonhara, mas deixou a sua marca na história dos Rhythm + Blues.

    Em 1959, cruzou-se com Huey “Piano” Smith, na sua terra natal. O conceituado líder dos Clowns tinha o carro avariado e Benny levou de regresso até New Orleans, acabando por ficar por lá, primeiro para integrar a banda e, depois, para assumir uma residência no mítico Dew Drop Inn.

    Um ano mais tarde estava a gravar o primeiro de uma dúzia de singles, para a Minit, marca de culto de Joe Banashak, que nos deu discos decisivos de Irma Thomas, Aaron Neville, Ernie K-Doe ou Alder Ray, entre muitos outros.

    Abandonou o mundo da música, em 68, e regressou a Pensacola para se tornar vendedor da Miller Beer.

    Gravado em 62 e escrito por Allen Toussaint, sob o pseudónimo Naomi Neville, “Fortune Teller” é o lado b de “Lipstick traces”, o seu maior êxito e, para mim, o seu mais genial momento.

    Uma enorme canção que, por muito que tenha tido versões de gigantes como The Rolling Stones ou The Who, nunca viu igualado o alcance do seu take original.

  • Poder Soul

    1 agosto 2022 – 5 agosto 2022

    Terça-feira

    Jeffrey Gaither

    Struggling ghetto woman

    Murbo

    É praticamente nula a informação disponível acerca de Jeffrey Gaither.

    Pelas escassas pistas que nos são dadas no rótulo do seu único sete-polegadas podemos supor que será nativo de Nova Iorque, até por este foi editado pela Murbo, independente que esteve activa entre a segunda metade dos anos 60 e a primeira dos 70 e que editou desde Pop a Garage, passando pelo Jazz ou Funk, quase sempre tocado por músicos brancos.

    Aliás a audição atenta dos dois imensos temas deste single, leva-me a crer que, apesar do título e do conteúdo lírico desta canção, Jeffrey Gaither poderá não ser Afro-Americano.

    Seja como for, “Struggling ghetto woman” foi gravada em 1971 e, tal como “Just a natural man”, a canção prensada na face oposta do disco, é uma verdadeira obra-prima.

    Uma imensa canção Funky Soul, temperada pelo psicadelismo, com uns arranjos e uma interpretação supremos, que se transformou num clássico obrigatório da cena especializada.

  • Poder Soul

    1 agosto 2022 – 5 agosto 2022

    Quarta-feira

    Golden Echoes of Southeast Georgia

    Packing a grip

    Crumco

    Apesar de ainda se manterem em actividade, após quase cinquenta anos de carreira, as Golden Echoes são um grupo Gospel feminino que apenas gravou um single.

    Nasceram em 1973, no sudeste da Georgia, em resposta a um desafio do Claxton Enterprise, um semanário local apostado no desenvolvimento da região.

    Liderado por Margaret Murray, uma cantora nativa de Filadélfia, e por Viola Brewton, Brenda Carswell e Frances Smith, todas dissidentes das 5 Roses of Sharon, o colectivo passou despercebido até à entrada de Caroline, a irmã mais nova de Frances, dois anos depois da sua formação.

    É que, depois de terem partilhado o palco com os enormes Soul Stirrers, Caroline apaixonou-se e casou com Dillard Crume, um dos seus mais destacados membros.

    Crume acabou por trocar Chicago por Reidsville, para lá continuar com a sua Crumco Records, a independente familiar que acabou por editar o único sete-polegadas dos Golden Echoes.

    Gravado em 86, mas a soar como se tivesse sido registado dez anos antes, “Packing a grip” é um verdadeiro monstro Gospel Funk.

    Uma enorme canção com uma base instrumental coesa e musculada, um Groove contagiante e uma profunda e intensa interpretação vocal que arrasa com qualquer pista de dança.

  • Poder Soul

    1 agosto 2022 – 5 agosto 2022

    Quinta-feira

    Starfire

    Make the most of it

    Dynamic Artists

    Antwan Garrison, Willie Mcwhite, Rudy Leaper, Ronnie Cokes e Jay Prior formaram os Starfire, em Richmond, na Virginia, a meio da década de 70.

    Foram aposta da Dynamic Artists, plataforma local, também responsável pela carreira dos Poison, resultante da colaboração dos produtores e compositores Joe Carter e Thomas Cephas com Nick Colleran, engenheiro de som e sócio do prestigiado estúdio Alpha Audio, que assumiu o seu management e editou a totalidade dos seus discos.

    Entre 1976 e 80, gravaram dois Lps e cinco singles, todos altamente colecionáveis.

    “Make the most of it” foi prensado em sete-polegadas, em 76, incluído em “Get off with us” e “Dancing and singing for you”, os dois longa-duração da banda e é, para mim, o maior dos vários hinos que nos deixaram.

    Uma maravilhosa canção Crossover midtempo, com uma produção altamente futurista, que se transformou num absoluto clássico Rare Groove e Modern Soul e que soa hoje tão intemporal como quando foi gravada.

  • Poder Soul

    1 agosto 2022 – 5 agosto 2022

    Sexta-feira

    Jeff Floyd

    Don't leave me

    Big J

    Apesar de completamente desconhecido para o público em geral, Jeff Floyd assinou dois discos que trocam de mãos por vários milhares entre os mais abastados colecionadores da cena especializada.

    Na verdade, este cantor nascido em Jacksonville, na Flórida, em 1965, estreou-se com apenas treze anos, ao lado do seu irmão Michael, para nos dar “Life is a miracle”, o único sete-polegadas da Jax Transit Authority, disco que se transformou num autêntico Graal Modern Soul e que já foi alvo de devido destaque aqui no Poder Soul.

    Depois de oito anos sem que se tenha sentido a sua presença, Jeff Floyd, voltou aos discos com este hino, o seu primeiro single em nome próprio, cujo destino acabou por ser o mesmo do da sua estreia precoce.

    Ainda se mantem em actividade e, até 2008, ainda gravou mais cinco álbuns: primeiro para a sua Murphy Floyd, no início dos 90, e, já neste milénio, para a Wilbe Recording Company, marca fundada pelo veterano William Bell.

    Prensada pela Big J, independente que criou para o efeito, e registada na companhia de Eddie Mejia e de Bruce Klein – “Don’t leave me” – é uma cobiçada pérola Boogie que, felizmente, foi recentemente reprensada pela Papaya, novíssima marca de Detroit.