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O Mal Não Está Aqui

O Mal Não Está Aqui (título internacional: Evil Does Not Exist) estreia-se nas salas de cinema portuguesas no dia 28 de março, com o apoio da Antena 3.

Takumi e a sua filha Hana vivem numa aldeia perto de Tóquio, de forma modesta e em harmonia com os ciclos da natureza. Mas um projeto de construção de um parque de glamping ameaça desestabilizar a comunidade, interferindo no abastecimento de água e desequilibrando profundamente a vida de quem aí habita.

Depois do grande sucesso da primeira colaboração entre ambos no oscarizado Drive My Car, Ryusuke Hamaguchi e Eiko Ishibashi voltaram a trabalhar juntos em dois projetos: Gift, um concerto ao vivo — a que pudemos assistir na edição do ano passado do festival Semibreve — em que Ishibashi é acompanhada por imagens mudas filmadas por Hamaguchi; e O Mal Não Está Aqui, a nova e aclamada longa-metragem do realizador (que está na origem das imagens de Gift), com uma linguagem visual arrebatadora e uma banda sonora original irresistivelmente bela composta por Ishibashi. Nesta nova colaboração, a compositora e intérprete e o cineasta reinventam as relações entre o som, a imagem e a narração.

“Rodámos o filme perto do local onde a Eiko vive. Pensei que, uma vez que é naquele lugar que a sua música tem as raízes, isso simplificaria a minha tarefa, ao ir ali em busca das imagens concretas. A Eiko convidou alguns dos seus amigos a trabalhar no projeto. E entre eles havia alguém que eu descreveria como um especialista da natureza. As suas ideias e o seu ponto de vista inspiraram fortemente o carácter daquele personagem. Com ele, aprendi a escutar a natureza. Compreendi até que ponto ela está impregnada de movimento. Esses movimentos, essas flutuações, pensei que se harmonizariam, seguramente, com a música composta pela Eiko. Tenho de expressar toda a minha gratidão à Eiko, que foi a inspiração para este projeto.” — Ryusuke Hamaguchi

Uma alegoria sobre o preço que pagamos por desrespeitar a natureza, O Mal Não Está Aqui transmite uma mensagem familiar, mas cujo impacto é tremendo. O filme foi recebido com uma ovação em pé de oito minutos no Festival de Veneza (que entregou a Hamaguchi o Grande Prémio do Júri, ao que se seguiram outros prémios em vários festivais), o que faz dele uma das estreias mais aguardadas do ano.