Melhores do Ano 2016

Álbuns Nacionais

É tempo de fazer contas ao ano… A Antena 3 revela os 30 melhores discos nacionais de 2016!

A equipa da 3 elegeu os álbuns que mais marcaram a cultura pop. São os 30 discos que mais surpreenderam, que revelaram os artistas a manter debaixo de olho e os músicos de sempre, que não desiludem.

Até ao final do dia, a 3 vai revelar a lista completa. Fica atento à emissão!

 

30. Throes + The Shine – Wanga


A representar a cidade do Porto, de um lado, e com o espírito de Luanda, do outro, 2016 foi de mudança para os Throes + The Shine. Wanga foi o nome que escolheram para o novo disco, depois de editarem Rockuduro, em 2012, e Mambos de Outros Tipos, em 2014. Com a alegria da invicta e o ritmo incomparável da cidade africana, desta vez, há também a mestria de Moullinex na produção do disco, que leva o carimbo da Discotexas.

Os Throes, de um lado e os Shine do outro, uniram-se de novo nestes dez temas que apresentam em Wanga e chamaram ao disco várias colaborações: de La Yegros em “Guerreros” a Pierre Kwenders em “Capuca” – este último, primeiro single do disco, que levou nome de bebida africana alucinante. É com ela que brindamos a Wanga, numa saída da zona de conforto que vale aos Throes + The Shine um lugar nos melhores trabalhos do ano para a Antena 3. Sangue quente, esqueleto energético e pulsação eletrónica, num disco que tem o selo da casa.

 

29. PAUS – Mitra


É com eles que vazamos garrafas, à volta da mesa. A editar juntos desde 2010, Mitra é o álbum que trouxe de novo os PAUS – Quim Albergaria, Hélio Morais, Makoto Yagyu e Fábio Jevelim, aos originais e aos palcos em 2016.

Mitra é ritmo, é poder, é vontade e é, acima de tudo, consequência de um grupo de amigos que se revê no desafio da desconstrução das canções e na reconstrução desses mesmos temas, no palco. “Pela Boca” ou “Mo People” são alguns dos temas que apresentam Mitra, num disco onde há voz com força, uma composição mordaz ou a violência refrescante da bateria siamesa – tudo reunido, gravado e misturado num modelo exemplar – ou não tivesse o álbum, o selo de referência da HAUS, a residência/estúdio/casa-mãe criada pela banda. Mitra, dos PAUS, é um disco Antena 3 e está no vigésimo-nono lugar dos melhores trinta discos do ano. É a fome que (n)os une, todos juntos, na música.

 

28. Paraguaii – Scope


Giliano Boucinha, Igor Gonçalves e Zé Pedro Correia são os Paraguaii. Com a ajuda de Rui Sousa, ocasionalmente, nos arranjos de saxofone, há guitarra, baixo, bateria, sintetizadores e voz, naquela que poderia ser mais só mais uma banda de rock. Não é o caso.

Os Paraguaii são de Guimarães, editaram um EP homónimo no ano passado e passaram 2016 a trabalhar em Scope, o álbum de estreia, de onde fazem parte os temas “Alien Love” ou “Godz”. A banda que nasceu de uma outra banda (Utter), mas que insiste em não pensar mais no passado, reforça-se a si mesma num ciclo de criação que, escrevendo em inglês, acrescenta muito mais à cena rock nacional. Para quê? Paraguaii – para nós.

 

27. Medeiros/Lucas – Terra do Corpo


É uma fusão entre o sublime, as esperanças e entre o bruto, a matéria. Carlos Medeiros e Pedro Lucas dão o nome de família de cada um ao projeto que em 2016 trouxe o corpo à terra, num trabalho editado pela Lovers & Lollypops.

Em Terra do Corpo, dizem que a “pop cruza o folk como o Atlântico o Mediterrâneo” e é nessa tormenta de mares abertos e oceanos cruzados que, entre o sagrado e o profano, dão continuidade ao trabalho experimental que já tinham vindo a traçar desde 2010.

Terra do Corpo é um disco que conta com as participações dos músicos Ian Carlo Mendoza e Augusto Macedo – que já tinham também trabalhado com Medeiros/Lucas em Mar Aberto, o disco anterior de 2014, bem como com as participações de Filho da Mãe, Selma Uamusse ou Tó Trips. Terra do Corpo de Medeiros/Lucas fica com o vigésimo-sétimo lugar nos melhores trinta discos nacionais de 2016.

 

26. Salto – Passeio das Virtudes


Se o nome do novo disco dos Salto nos remete de imediato para o incrível jardim com vista para o rio Douro, a verdade é que nas águas dos Salto, cabem todas as cidades do país, até porque é por elas que Guilherme Tomé Ribeiro, Luís Montenegro, Tito Romão e Filipe Louro têm vindo a construir, pedra por pedra, um passeio por onde é cada vez melhor caminhar.

Se é a voz de Guilherme Tomé Ribeiro que nos diz, no tema homónimo: “nunca faço nada do que não me possa orgulhar” – e se é no meio que está a virtude, o resultado da equação parece-nos simples: o equilíbrio dos Salto fica só reforçado neste decisivo segundo disco da banda do Porto.

De “Mar Inteiro” a “Lagostas”, passando por “Queimo As Mãos Pelo Futuro”, os Salto falam de trabalho, de resistência e perseverança, num disco que nos deixa orgulhosos por ter o carimbo da 3. Passeio das Virtudes, dos Salto, está no vigésimo-sexto lugar no nosso top nacional.

 

25. Maze – Entranhas


A primeira metade de 2016 ficou marcada pela estreia de Maze a solo, com a edição de um disco surpresa, a que que chamou Entranhas. Depois de vinte anos a fazer música com os Dealema, André Neves, que assina como Maze e que já tinha editado, em 2007, o EP Homem Em Missão, assume que a vontade de editar um trabalho em nome individual, já há muito que existia.

No culminar de muita estrada com o coletivo de rap do Porto, com os Mind da Gap e com Mundo Segundo, Entranhas é um álbum que brilha com a poesia da confiança de Maze, distribuída por quinze temas que são testemunhos autobiográficos. Em mensagens que querem por os cérebros a funcionar, Entranhas ajuda-nos a ir a jogo. Afinal, para Maze, é só assim que nasce o trevo de quatro folhas.

Porque a vida acontece, rumo ao infinito, Entranhas está em vigésimo-quinto lugar nas escolhas nacionais da Antena 3.

 

24. Minta & The Brook Trout – Slow


Depois de Olympia, editado em 2012, Francisca Cortesão volta a vestir a pele de Minta num novo disco. Desta vez, a catarse do disco anterior trouxe-nos para a tranquilidade segura de Slow, num trabalho onde compôs os onze temas e trouxe Mariana Ricardo para se juntar a si na produção do mesmo.

A elas, juntaram-se nas guitarras, teclados e percussão, Bruno Pernadas, Margarida Campelo e Nuno Pessoa, num trabalho conjunto que mergulha na segurança folk das cordas, na voz cristalina de Minta e na certeza de uma (auto-) viagem introspetiva que acontece, de forma sublime, sem darmos conta.

“Take it slow, learn to let it go” é a mensagem a reter, no final de 2016. O novo disco de Minta and The Brook Trout está no vigésimo-quarto lugar dos trinta melhores álbuns portugueses do ano.

 

23. Octa Push – Língua


Leonardo e Bruno Guinchon estão ligados para sempre. Pelo sangue e pela música, são uma das duplas nacionais onde a cumplicidade é natural e onde o ritmo entra pelos ouvidos, mas chega rapidamente aos sentidos da alma.

Com Língua, o novo disco, os Octa Push vivem as possibilidades imensas da cultura, imersas na linguagem da música eletrónica. Ao abordarem um registo diferente do trabalho anterior – Oito, de 2013, no novo álbum há convidados de luxo como Maria João, Cátia Só, Tó Trips, João Gomes ou Cachupa Psicadélica.

“Barbara”, “Gaia Cósmica” ou “Trips Makakas” são alguns dos dez temas do disco. Canções que se querem para dançar, para cantar e para sentir, de olhos bem fechados. Língua, dos Octa Push, é o lugar vinte e três dos melhores trinta discos nacionais, de 2016, para a Antena 3.

 

22. Noiserv – 00:00:00:00


É um timecode para um princípio. A zeros, como que numa página em branco, Noiserv assinou este ano um novo disco que para já, nos revela um momento musical diferente daquele que conhecíamos até agora do homem-orquestra.

Com canções escritas em português e deixando para trás o aparato eletrónico a que estávamos habituados, David Santos mostra o que vale ao piano e viaja nas possibilidades imensas que a introspeção pode trazer, quando encaminhada pelos caminhos da subtileza.

É um álbum que conta com oito temas em cerca de vinte minutos, e que mostra o que acontece quando o talento e a experiência que se juntam, em uma década de canções. 00:00:00:00, de Noiserv, é o despedir do passado e o arranque para um novo ano, estando em vigésimo-segundo lugar, nos trinta melhores discos portugueses do ano.

 

21. Alek Rein – Mirror Lane


É o disco de estreia de Alexandre Rendeiro, que prefere ser chamado de Alek Rein, numa espécie de preservação do heterónimo. Do EP Gemini, editado em 2010, foram seis anos de trabalho em novas composições e concertos que resultaram em novas canções, em 2016.

Diz-se que Mirror Lane é folk rock sonhador e se é em “River of Doom” ou “Spirit of Man” que conhecemos a essência de Alek Rein, as influências estão, de facto, lá. É o próprio que diz que são canções entre a confissão, o protesto e o sonho, alinhadas na tradição do psicadelismo folk anglo-saxónico. Mirror Lane conta com Guilherme Canhão e Luís Barros, no baixo e na bateria, foi gravado por Filipe Sambado e está no lugar vinte e um dos trinta melhores trabalhos do ano para a Antena 3.

Especial Melhores Discos Nacionais 2016 (Episódio 1)

 

 

20. Linda Martini – Sirumba


É um legado incontornável, o que os Linda Martini vão deixando ao rock português. A fazerem música juntos desde 2006, André Henriques, Pedro Geraldes, Cláudia Guerreiro e Hélio Morais trazem sempre novas razões para exorcizarmos o nosso lado mais visceral. Sirumba é um disco que tem o selo da Antena 3 e é o sucessor de Turbo Lento, editado em 2013. Já longe vão os tempos do “Amor Combate” e também já lá vai a “Juventude Sónica”, já que agora é tempo dos “Putos Bons”, do “Bom Partido” e de “Comer por Dois”.

Se o hardcore e o punk-rock dos Linda Martini resultou em prosa sincera, hoje, o trilho dos nossos dias é marcado pela certeza de que os Linda Martini são uma máquina bem oleada, pronta para nos levar onde deixarmos. Sirumba é o disco que nos ensina a jogar, no culminar do crescimento. É o vigésimo melhor disco português do ano para a Antena 3.

 

19. Deolinda – Outras Histórias


Outras Histórias saiu na primeira metade do ano e trouxe uns Deolinda diferentes. Em caminhos sonoros que ainda não tinham sido explorados, Outras Histórias é precisamente isso: um disco de momentos ocultos, canções por decifrar e convidados improváveis, como Manel Cruz em “Desavindos” ou Riot, dos Buraka Som Sistema, em “A Velha e o DJ”.

Depois de Mundo Pequenino, de 2013, os Deolinda regressaram com um universo maior, repleto de temas que contam ainda com a participação da Orquestra Sinfonietta de Lisboa, conduzida pelo Maestro Vasco Pearce de Azevedo. Outras Histórias é um álbum que conta também com arranjos para cordas escritos por Filipe Melo, sendo um disco que preserva o conteúdo, mas recicla a forma da música popular portuguesa. Para a Antena 3, é o décimo-nono melhor trabalho nacional de 2016.

 

18. Cave Story – West


Gonçalo Formiga, Pedro Zina e Ricardo Mendes editaram em 2015 o EP Spider Tracks e assinalam a saída de 2016 com o lançamento do disco de estreia West. Sem fronteiras criativas, a banda que outrora fez um tema de homenagem a Jonathan Richman, dos Modern Lovers, diz continuar a fazer a música que gosta de ouvir: do indie-rock ao pós-punk.

West foi quase todo gravado nas Caldas da Rainha pela própria banda, com exceção para os temas “Body Of Work” e “Like Predicted” – gravados em Lisboa e no Porto, respetivamente. O disco de estreia dos Cave Story é o resultado de um trio em sintonia, de referências sincronizadas e de cordas quase afinadas – bem como se quer no rock. West está, por isso, em décimo-oitavo lugar no top dos melhores discos do ano para a 3.

 

17. Memória de Peixe – Himiko Cloud


É uma colisão cósmica, que transforma cada partícula do cosmos em canções memoráveis. Himiko Cloud é o regresso em peso dos Memória de Peixe, quatro anos depois do disco homónimo, de 2012.

Numa fantasia conceptual a que chamaram Himiko Cloud, os Memória de Peixe lembram-nos que trabalham numa galáxia sem buracos negros e que vão a várias esferas culturais para criarem o seu próprio mundo. “Arcadia Garden”, primeiro single do novo trabalho, é uma das nove canções do disco que explora temáticas e narrativas visuais imprevisíveis.

Miguel Nicolau e Marco Franco, de guitarra e bateria, levam de 2016 também a certeza de estarem, para a 3, no décimo-sétimo lugar dos melhores do ano feitos em Portugal.

 

16. Mike El Nite – Justiceiro


É a forma de Miguel Caixeiro comunicar connosco. Sob o nome de Mike El Nite – perpetuando assim a memória de Michael Knight na série “o Justiceiro”, que tanto deu aos anos 80 – Miguel é um performer, é um artista, mas não esquece o que a cabeça diz e o que o coração sente.

No disco de estreia, Mike El Nite aborda temáticas, explora caminhos de uma nova escola, cruza referências fortuitas da cultura pop e revela sem medos uma nova sensibilidade no rap português. “Horizontes”, “T.U.G.A”, “Santa Maria” ou “Água Fria” (com Prof Jam) são alguns dos temas imprevisíveis e atuais que Mike El Nite nos oferece.

No Justiceiro, Mike El Nite chegou de bike, mas é assim que vai mais longe, traçando o seu próprio destino. Alternativamente pop, está, por isso, no décimo-sexto lugar nos melhores trabalhos do ano nacionais para a Antena 3.

 

15. NBC – Toda a Gente Pode Ser Tudo


Timóteo Santos queria há muito fazer este disco. Três anos depois de Epidemia, de 2013, foram precisos mais dias, meses, anos, para ser possível concretizar o idealizado e para tornar real um conceito que NBC andava já há muito já a trabalhar.

Toda a Gente Pode Ser Tudo não é uma pergunta, não tem reticências, não é uma frase dita a medo. É uma certeza. Ainda que NBC possa já ter tido antes outras convicções (recordamos o disco Maturidade, de 2008), todos sabemos que não basta dizer para ser verdade. É preciso mostrar. E é precisamente aí que a realidade acontece.

Da voz às palavras, do rap à soul ou do funk ao gospel, Toda a Gente Pode Ser Tudo é um disco que marca a vitória das possibilidades infinitas da música e, quem sabe, até de nós mesmos. Com NBC,  também podemos ser tudo. Para a 3, é o décimo-quinto melhor trabalho do ano.

 

14. Marvel Lima – Marvel Lima


Nós sabíamos que não vinha aí um disco qualquer. O quinteto de Beja, que já prometia há muito o álbum de estreia, trabalhou o ano inteiro para fazer nascer o primogénito, homónimo, previsto para a segunda metade do ano.

Um parto difícil, filho do perfeccionismo, que acabou por trazer nove temas que transpiram os sons das guitarras e dos sintetizadores em viagens espaciais do pós-punk ao psicadelismo. Os Marvel Lima podiam ter feito este disco em qualquer parte do mundo, mas ficamos felizes que o tenho feito cá dentro. Aquilo que sabemos é que valeu a pena esperar.

“Mariposa”, “Mi Vida” e claro, “Fever” são uma espécie de shot ácido agridoce num dia quente de verão, mas não nos importamos de estar assim, embriagados deles.

O disco homónimo dos Marvel Lima tem o carimbo da 3 e é o décimo-quarto melhor disco nacional de 2016.

13. Cacique’97 – We Used To Be Africans


Tem o selo da Rastilho e marca o regresso da grande família Cacique’97. Com Milton Gulli aos comandos, a festa faz-se com o espírito do afrobeat e sempre com o coração dividido entre Lisboa e Maputo.

We Used To Be Africans é a continuação de um legado, de conexão entre corpo e alma, onde depois do álbum homónimo, de 2009, fez mais sentido que nunca, em 2016, afirmar as raízes, alimentar consciências e continuar a usar o funk como um veículo de união.

O novo disco dos Cacique’97 é um manifesto e um meio para um fim. É a fusão, na modernidade da nossa música e por isso, é para a Antena 3 o décimo-terceiro melhor disco nacional do ano.

12. Golden Slumbers – The New Messiah


É o disco de estreia das irmãs Catarina e Margarida Falcão e onde entre guitarras e sussurros, damos conta de duas vozes gigantes que se vestem de harmonias delicadas, em dez temas que vão beber ao mais puro folk.

Se menos é mais, não temos dúvidas que as Golden Slumbers levam, neste trabalho de estreia, ainda mais longe o talento, a simplicidade e a cumplicidade que têm vindo a construir nos últimos anos e que já tínhamos vislumbrado no EP I Found The Key.

Com a produção de Benjamim (Luís Nunes) e com a leveza da vila de Alvito, os temas “The Hunt”, passando por “Love” ou o homónimo “New Messiah”, garantem a elegância nas letras, na composição e nos arranjos.

O folk no feminino faz-se nas vozes douradas das Golden Slumbers, num álbum puro e verdadeiro, bem como a beleza deve ser. Para a 3, The New Messiah é o décimo-segundo melhor disco português do ano.

 

11. Cais Sodré Funk Connection – Soul, Sweat & Cut The Crap


Sem os Cais Sodré Funk Connection o mundo da música portuguesa seria certamente um lugar menos feliz. Apaixonados pelos ritmos funk e pelo calor da soul, a banda que traz no nome a origem, procurar recriar o ambiente dos clássicos da Motown, Stax, Chess Records e outras editoras das décadas de 60 e 70, com a dedicação de quem nasceu para isto.

Não temos dúvidas disso, que nasceram para isto e é com esse espírito que fazem uma viagem pela história da música negra, com alguns dos melhores músicos portugueses – assinalando assim mais uma garantia da fórmula de sucesso para a música nacional.

Os Cais Sodré Funk Connection dão conselhos, exorcizam desesperos, fogem da rotina e ensinam-nos a ser melhores. Com Soul, Sweat & Cut The Crap, só não dança que não sente. É um disco Antena 3 e é para nós, o décimo-primeiro melhor trabalho nacional do ano.

 

Especial Melhores Discos Nacionais 2016 (Episódio 2)

 

 

10. Pro’ Seeds – Soft Power Sagrado


Vieram da velha escola, mas experimentam novas formas e mantém o conteúdo. É este o cartão-de-visita dos Pro’ Seeds, que se apresentam assim numa nova pele.

A espalhar novas sementes no hip-hop nacional feito na invicta, os Pro’ Seeds – Berna, Serial e Score, mostram que não estão com falta de atenção e, de pés no chão, apresentam um disco repleto de poemas dos nossos dias, que dizem que resultou da fusão de interesses e ideias musicais comuns, onde há espaço para todos: Ace, Expeão e Virtus juntam-se também à festa e são os convidados de luxo em três temas do disco.

Que o sagrado é mais do que aquilo se vê, isso já sabíamos. Se o soft power acontece na partilha de valores, o sagrado estará então no compromisso de cada um, com a sua essência. Se bairro não deixou o Quim, para a 3 é também sagrado não deixar os Pro’ Seeds. Se gostámos? Gostámos. Muito.

 

9. Sensible Soccers – Villa Soledade


É o segundo disco dos Sensible Soccers, que apesar de terem sofrido uma mudança estrutural, passando a trio (agora sem a presença do baixista Emanuel Botelho), voltaram com a determinação que têm vindo a muscular desde os primeiros anos.

Depois do disco de estreia – 8, os Sensible Soccers mostram em Villa Soledade, mais cor, mas também mais tranquilidade, provando que 2016 foi também bondoso no que ao experimental psicadélico nacional diz respeito.

Filipe Azevedo, Hugo Gomes e Manuel Justo garantem que Villa Soledade é um bonito lugar para se estar e que continuam a dar (boas) cartas na música que se faz pelo norte do país. Dar concertos, continuar a trabalhar e lançar mais discos – são as resoluções que tanto esperamos para o futuro dos Sensible Soccers. Villa Soledade é o nono melhor disco português do ano para a 3.

 

8. peixe : avião – Peso Morto


Desde o princípio que temos os peixe : avião debaixo de olho. Os discos 40.02 Madrugada, o homónimo e o mais recente Peso Morto continuam a fazer-nos entender que, do lado deles, ainda há muito por vir e para ouvir.

O novo disco da banda de Braga revelou-se mais uma boa surpresa do ano que passou, num trabalho onde se respira evolução, entre texturas sombrias e memórias cinemáticas. André Covas, José Figueiredo, Luís Fernandes, Pedro Oliveira e Ronaldo Fonseca mostram como a subversão do formato canção resulta em novas abordagens e em língua portuguesa.

Os peixe : avião são já passagem habitual pelos melhores e este ano, mais uma vez, não são exceção. Para nós, o álbum Peso Morto é o oitavo melhor disco nacional de 2016.

 

7. Marta Ren and the Groovelvets – Stop, Look, Listen


Marta Ren é poder. Se já a conhecíamos dos Sloppy Joe, agora há soul, funk, ritmo e palavras num corpo de uma só mulher. Com pronúncia do norte e a atitude de quem nada teme, Marta Ren fez nascer em 2016 o muito aguardado disco de estreia Stop, Look, Listen.

Com a maior parte das autorias assinadas por si e por New Max, é ao som da música dos Groovelvets – banda que em estúdio e no palco, dá corpo à voz de Marta – que Marta Ren diz que este trabalho é um mergulho no groove dos anos 60 e 70.

Do primeiro contacto com ela, ao som de “I’m Not Your Regular Woman”, passando por “2 Kinds of Man” e pela incrível versão de “Smiling Faces”, Marta Ren trouxe em 2016 o poder no feminino à música nacional, em mensagens despidas de artefactos desnecessários. Direta ao assunto, Marta Ren resolve situações e dá pareceres para quem quer (continuar a) crescer. Stop, Look, Listen é o sétimo melhor disco nacional do ano para a Antena 3. Marta Ren é emoção, por dentro e por fora.

 

6. Sean Riley & The Slowriders – Sean Riley & The Slowriders


Não foi um ano fácil para Sean Riley & The Slowriders. Se calhar, também não foi para muitos de nós, mas demo-nos por felizes por chegarmos ao fim e sermos capazes de conseguir extrair o melhor e deixar ir o menos bom.

A música tem essa vantagem, a de nos ajudar a ultrapassar ou a de nos amparar quando queremos voltar ao caminho certo. Com o disco homónimo, Afonso Rodrigues, na pele de Sean Riley, pegou nas canções que compôs para a banda e com os Slowriders, em estúdio, criaram um dos álbuns mais bonitos do ano. “Dili”, “Greetings” ou “Gipsy Eyes” são aperitivos para um disco recheado de talento, confiança e maturidade, que marcou o regresso aos discos dos Sean Riley & The Slowriders. Porque são quem são, porque fazem as canções pop rock que querem fazer e porque já não lhes interessa o que possam deles pensar, o álbum homónimo de Sean Riley & The Slowriders é a certeza da virtude. É um disco da 3 e está no sexto lugar dos melhores do ano, feitos em Portugal.

 

5. White Haus – Modern Dancing


João Vieira é imparável. Nas várias facetas que lhe conhecemos, o denominador é sempre o mesmo: a paixão pela música eletrónica, paixão essa que funciona como um catalisador de energias, de discos e de concertos.

2016 voltou a ser um ano assim para João Vieira. Depois te ter voltado aos palcos com X-Wife, de ter tido Carta Branca na 3 (com o programa “Casa Branca”) e de ser DJ Kitten nas pistas de dança por todo o país, João Vieira voltou a reinventar-se em Modern Dancing, novo disco para o projeto White Haus, num trabalho que considera ser mais orgânico.

Depois de se ter estreado a solo, através do nome White Haus com um EP de inspiração disco-punk e de ter editado, um ano depois, o disco The White Haus Album, chegou, quase no final do ano, Modern Dancing para nos ensinar a dar ao pé, em tempos de contemporaneidade. Para nós, é o quinto melhor disco de 2016.

 

4. Bruno Pernadas – Those Who Throw Objects at the Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them


Compositor e multi-instrumentista, já conhecíamos Bruno Pernadas do disco de estreia a solo, editado em 2014 e também das participações nos álbuns dos amigos – Minta ou They’re Heading West – que de resto continua a fazer. Resta também dizer que esses mesmos amigos – e tantos outros, participam também nos trabalhos e concertos de Bruno Pernadas. A música, essa, é sempre o resultado do puro génio, numa criatividade elevada ao expoente do deslumbre.

Pernadas encanta com a sensibilidade de um acorde, neste que é um dos dois discos que divulgou em 2016. Bem no seio da família Pataca, onde não falta talento e onde há sempre vontade de fazer mais e melhor, Those Who Throw Objects at the Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them, volta a ser uma viagem mágica pela harmonia das vozes e pelos instrumentos musicais em explosões de estrelas provocadas pela composição, pelas guitarras, sintetizadores e samplers de Bruno Pernadas. Se há maneira de sermos felizes, neste mundo ou em qualquer outro de uma galáxia distante, é assim, com a música Bruno Pernadas na vida.

Prometemos não agitar as águas, se continuarmos a ouvir discos assim. É o quarto melhor trabalho do ano para a Antena 3.

 

3. Yout Can’t Win, Charlie Brown – Marrow


Se existem fórmulas que funcionam a seis, os You Can’t Win, Charlie Brown são certamente uma delas. Que não é fácil trabalhar em equipas tão numerosas, também sabemos mas então, os parabéns que damos aos YCWCB são triplos: pelo terceiro disco tão certo, por terem voltado com os pés tão bem assentes no rock elétrico e por serem autores do terceiro melhor disco do ano para a Antena 3.

Uma viagem espacial entre sintetizadores, guitarras e vozes, trazem em “Above The Wall” ou “Pro Procrastinator” a firmeza de uma evolução também ela tripla: a que se construiu, na medula da própria banda; a do resultado final, traduzido nas incríveis nove novas canções postas em disco; e a da harmonia extraordinária que foi alcançada nos últimos anos de trabalho (desde a edição de Chromatic, em 2011), que se entranha em nós, à primeira escuta. O bronze vai para Marrow – o terceiro melhor disco nacional do ano e trabalho imprescindível para arrancar 2017 na perfeição.

 

2. Samuel Úria – Carga de Ombro


De corda na garganta, afinada em dó, Samuel Úria apresentou-nos Carga de Ombro no ano que agora termina. Não foi difícil ficarmos presos a ele, foi, até, natural. Das palavras aos arranjos, o adolescente de Tondela é agora um senhor à procura da perfeição – e arriscamo-nos a dizer que já a encontrou. Tem a corda dos sapatos afinada em ré, não se cansa de correr, de crescer e de aprender. De Nem Lhe Tocava, de 2009, a Carga de Ombro, houve tempo para o Grande Medo do Pequeno Mundo, em 2013, lançar as sementes para um futuro cada vez mais fértil, que chegou assim aos ouvidos do mundo.

No fundo, sabemos que Samuel Úria, o artista, o músico, vai para além de tudo isto. Samuel Úria é sinceridade, aceitação e emoção. É a beleza das canções pop-rock, idealizadas, escritas e compostas através desse trunfo que é a língua portuguesa.

Se é isto, a fermentação em massa de autismo, então, para nós, Samuel Úria não precisa de se reduzir. De ombros juntos e com o selo da casa, Carga de Ombro é ouro revestido a prata, neste segundo melhor álbum nacional do ano para a Antena 3.

 

1. Capitão Fausto – Capitão Fausto Têm os Dias Contados


Quando em 2014 os Capitão Fausto editavam Pesar o Sol, poucos imaginariam que em 2016 seria este o som que apresentariam num novo álbum. Quando o psicadelismo era já palavra associada diretamente aos Capitão Fausto, eles descem à terra e enfrentam a realidade de uma mocidade que chega ao fim.

Em Capitão Fausto têm os Dias Contados, a banda abre as portas à pop e deixa Pet Sounds, dos Beach Boys, entrar. Em pouco mais de meia-hora, há sopros e violinos em canções curtas sobre as encruzilhadas de quem ainda não tem os dois pés na vida adulta, bem como declarações de amor que não têm medo de ser foleiras.

Salvador, Francisco, Domingos, Manuel e Tomás não têm medo de assumir essa foleirice, da mesma forma que não têm medo de mudar a sonoridade a cada álbum. Em bom português, a verdade é que tem corrido sempre bem. Estão uns crescidos, estes putos e é tão bom vê-los crescer. Para nós, este é o melhor disco nacional de 2016.

 

Especial Melhores Discos Nacionais 2016 (Episódio 3)

 

Voz: Luis Oliveira
Texto: Vanessa Augusto
Sonoplastia: Luis Franjoso
Produção: Ricardo Sérgio