• Poder Soul

    8 abril 2019 – 12 abril 2019

    Segunda-feira

    El Internacional Ray Camacho

    Movin on

    Luna

    Trompetista, multi-instrumentista e lider de orquestra, Ray Camacho nasceu em El Paso, no Texas, cresceu nos campos de Mendota, na Califórnia, e fixou-se em Fresno, na década 60, para se tornar numa proeminente figura do meio musical da Costa Oeste, à custa de uma extrema versatilidade que o levou a explorar territórios que vão do Jazz ao Rock, da Soul e do Funk à Salsa e ao Merengue, do Disco à Cumbia e a partilhar palcos com nomes grandes como Santana ou Tower of Power.

    Nos seus cerca de quarenta anos de carreira, quase sempre acompanhado pelo núcleo duro dos Teadrops, a sua primeira banda, Ray Camacho, gravou dezenas de Lps e singles, sob diversas designações, entre os quais, uma mão cheia de sucessos, como “Si si puede”, um disco de 1970, que seria adoptado como hino pelos veteranos latino-americanos da Guerra do Vietnam.

    “Movin’ on” integra o alinhamento de “Mucha salsa”, um raro Lp editado em 78 pela independente de San Jose – Luna Records – reeditado pela Everland, quarenta anos depois, e é uma das suas maiores contribuições para as pistas de dança.

    Esta espantosa versão, de sabor latino, do clássico assinado pelos Brass Construction é uma aposta certeira em qualquer clube especializado e foi reeditada em single pela Freestyle, em 2009, e pela Luv’n’Haight, já este ano.

     

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    8 abril 2019 – 12 abril 2019

    Terça-feira

    Gang do Tagarela

    Melô do tagarela

    RCA

    Gravado por Luis Carlos Miele, um importante produtor paulista, que teve um papel de relevo na rádio, na televisão e no circuito de concertos carioca, nas décadas de 60 e 70, e  escrito em parceria com Arnaud Rodrigues , “Melô do tagarela” terá sido o primeiro disco de Rap brasileiro.

    E se esta versão de “Rapper’s delight”, o clássico que se apropriou de “Good times” dos Chic, assinado pelos Sugarhill Gang, foi uma tentativa falhada de emular o género nascido no Bronx que viria a transformar-se numa força maior da música urbana contemporânea, o take instrumental que a suporta, atribuído ao misterioso Gang do Tagarela, é uma excepcional peça de Soul made in Brasil. 

    Produzida por Augusto Cesar Vanucci, com enormes arranjos do genial Lincoln Olivetti, figura central das ricas cenas Soul, Disco e Boogie do Rio de Janeiro, esta versão gravada para RCA, em 1980, dominada por sublimes solos de guitarra, trombone e saxofone, leva qualquer pista de dança ao delírio, foi incluída em “Black Rio”, recolha da Strut de 2002, e reeditada em sete-polegadas pela Mr. Bongo, em 2016.

     

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    8 abril 2019 – 12 abril 2019

    Quarta-feira

    Phillip + The Faithfuls

    What’cha gonna do

    Goldwax / Kent

    É escassa a informação disponível acerca de Phillip + The Faithfuls, um grupo de Memphis, formado por Phillip Reynolds, que esteve activo a meio da década de 60 e que integrou um jovem Timmy Thomas na sua formação.

    Tudo indica que a banda seria uma das apostas da Goldwax, editora de culto fundada em 1963, por Doc Russell e Quinton Claunch, que desvendou nomes como James Carr, Spencer Wiggins ou The Ovations e que, não tendo a importância da Sun, da Stax e da Hi, ajudou a definir o emblemático som daquela cidade, mas, em vida, o seu output discográfico resume-se a um raríssimo sete-polegadas, editado em 64.

    Quando, no início deste novo milénio, a Ace comprou o catálogo da Goldwax e teve acesso ao seu arquivo de fitas, veio-se a descobrir uma série de gravações que nunca tinham visto a luz do dia e que têm vindo a ser desvendadas.

    “What’cha gonna do”, que também terá sido registada em 64 e que, em 2009, foi incluida no CD – “Goldwax Northern Soul” – e, um ano mais tarde reeditada em single, através da Kent, é uma dessas gravações.

    Um grande canção Soul midtempo, ao nível do melhor produzido nos 60, que deveria ter sido o lado A da tremenda balada “If you love her” e que, não se sabe porquê, ficou arquivada cerca de trinta e cinco anos.

     

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    8 abril 2019 – 12 abril 2019

    Quinta-feira

    Soul Vibrations

    The dump

    Vibrant

    Baterista e organista, Ronnie Anderson e William Acosta formaram os Soul Vibrations em Statesville, na Carolina do Norte, por volta de 1972.

    Depois de conhecerem Gary Rector, um vendedor de automóveis usados que se transformaria no seu manager e que viria a editar o seu único sete-polegadas, através da – Vibrant – uma marca que criou para o efeito e que não teve continuídade, os Soul Vibrations deslocaram-se até Taylorsville, no princípio de 73, para gravarem dois lados no Galaxie III, o mítico estúdio da lenda local Harry Deal.

    Apesar de, no seu curto ano de existência, terem aberto os concertos locais de estrelas como Ben E. King e Millie Jackson e de terem ultrapassado as fronteiras do seu estado natal, tocando em clubes nocturnos da Carolina do Sul, do Tennessee, da Georgia e de Alabama, a banda cessou a sua actividade tendo, a grande maioria dos seus membros, voltado para os seus empregos.

    “The dump”, que “apareceu”, quase espontâneamente, quando estavam a trabalhar “I’ve got to find a way”, a outra canção que gravaram, com o vocalista David Lee Clodfelter, é o lado b do seu único disco e um verdadeiro Graal Deep Funk.

    Um imenso instrumental Funky Soul, extremamente raro e valioso na sua edição original, que foi desvendado, em 2001, pela espantosa colectânea, editada pela Stones Throw – “The Funky 16 Corners” – e reeditado em single, dois anos mais tarde, através da sua associada Now Again, como parte da seminal caixa “Soul 7”.

     

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    8 abril 2019 – 12 abril 2019

    Sexta-feira

    Infinity

    Put everything in place

    Whitehorse

    Os Infinity, foram um septeto de Richmond, na Virginia, que entre 1979 e 80, editou dois autênticos monstros Modern Soul.

    Formados por Raymond Crawley e Rodney Dorsey, depois destes terem acabado com os Ebony Diamonds, um grupo que tinham com Carroll Ellis Jr. que, em 75, gravou um single que foi editado quase quarenta anos depois, graças à Super Disco Edits, os Infinity terão sido apadrinhados por Moses Tribey e Al Walker para gravarem dois sete-polegadas, pirmeiro para a independente de Doswell – Whitehorse – e depois para a Willkerr, editor de culto fundada por George Kerr.

    “Put everything in place” é o lado B do primeiro desses raríssimos discos e, embora não tenha o potencial de pista de “Queen of my universe”, o seu successor, é igualmente especial.

    Um maravilhoso stepper que funde, de forma superior, Soul com o mais independente e jazzy Disco e nos faz lembrar o melhor dos Earth, Wind and Fire, que foi introduzido nas pistas de dança, na década de 90, pelo inevitável Keb Darge.

     

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