• Poder Soul

    31 dezembro 2018 – 4 janeiro 2019

    Segunda-feira

    The Rollies

    Bad news

    Remaco

    Os Rollies foram um grupo Indonésio formado em 1967, na cidade de Bandung, por iniciativa de Deddy Stanzah, que teve bastante notoriedade e sucesso no fim dos anos 60 e durante quase toda a década seguinte.

    Entre 68 e 97, gravaram quase duas dezenas de álbuns, tendo a sua música sofrido sucessivas mudanças, a exemplo do que aconteceu como o seu line-up.

    Foi no princípio dos 70, numa fase em que a influência mais Pop da British Invasion, que marcou os primeiros anos da sua carreira, deu lugar à tentativa de reprodução de modelos Funk como James Brown ou Blue-Eyed Soul como os Blood, Sweat + Tears ou os Chicago, que os Rollies deixaram a sua marca.

    Gravado em 72 para a editora local Remaco, “Bad news” faz parte do seu quarto Lp, homónimo, e é, na minha opinião, o seu mais genial momento.

    Esta explosiva canção, cantada por Gito Rollies, o vocalista que se juntaria a Deddy, um ano depois da formação da banda, e que terá estado na base da deriva estética que se veu a dar, é um exemplo supremo da extrema dinâmica que a cena musical Indonésia vivia nessa época e não deve nada ao melhor Funk gravado nos Estados Unidos.

     

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  • Poder Soul

    31 dezembro 2018 – 4 janeiro 2019

    Terça-feira

    Karen Small

    To get you back again

    Venus

    Karen Small foi uma misteriosa cantora de Los Angeles que apenas gravou dois singles, ambos em 1966, mas que, ainda assim ficou na história da melhor Soul californiana daquela década.

    Aparentemente protegida de Don Julian, importante músico, cantor e compositor que, desde que iniciou a sua carreira, em 53, como parte do trio vocal Meadowlarks até aos 70, década em que se dedicou à escrita de bandas sonoras de filmes de Blaxploitation, como “Savage” ou “Shorty the pimp”, passando pela liderança dos míticos Larks, Karen Small desapareceu sem deixar rasto depois de ter editado estes quatro lados para a pequena independente local, Venus Records.

    “To get you back again” terá sido o seu derradeiro esforço e é, de longe, o tema que a veio a imortalizar.

    Esta obra-prima midtempo, sustentada por um certeiro e incisivo backbeat, é autêntica perfeição Soul e um tesouro cobiçado pelos mais progressivos Djs da cena especializada.

     

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  • Poder Soul

    31 dezembro 2018 – 4 janeiro 2019

    Quarta-feira

    Jay + The Techniques

    Dancin’ mood

    Smash

    Formado a meio dos anos 60, em Allentown na Pensilvânia, por Jay Proctor, George “Lucky” Lloyd, Dante Dancho, Chuck Crowl, Karl Landis, Ronnie Goosley e Jon Walsh – Jay + The Techniques – foi um marcante projecto multi-racial, que esteve activo cerca de uma década.

    Entre 1967 e 81, ano em que se voltaram a reunir para regravarem um dos seus maiores hits, para servir de hino aos Eagles, equipa de futebol americano de Filadélfia, a cidade onde fizeram quase toda a sua carreira, apoiada no importante produtor local – Jerry Ross – editaram dois Lps e mais de uma dezena de singles, para marcas como a Smash, a Gordy, a Polydor e a Event, alguns dos quais atingiram o Ouro, como “Apple, Peaches, Pumpkin Pie”.

    Gravado em 67 para a Smash e apenas editado em sete-polegadas – “Dancin’ mood” – não foi um dos seus grandes sucessos mas é, para mim, o seu mais genial momento.

    Esta enorme canção, aparentada com o decisivo “Tighten up”, embora tenha sido registada um ano antes, tem tido um crescente protagonismo na cena Soul especializada, com reflexo evidente na sua raridade e no seu valor.

     

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  • Poder Soul

    31 dezembro 2018 – 4 janeiro 2019

    Quinta-feira

    Patterson Twins

    Gonna find a true love

    Commercial

    Estus e Lester Patterson eram dois irmãos gémeos, de Magee no Mississippi, que começaram a sua carreira artística no fim da década de 60, primeiro com os Southern Sons e depois como Soul Twins, antes de se tornarem num grupo de culto, para os mais atentos adeptos da melhor música negra, enquanto Patterson Twins.

    Depois de se estrearem em disco, em 1972, ainda como Soul Twins, os gémeos mantiveram-se em actividade até 88, tendo gravado um Lp, altamente colecionável, e quase uma dezena de singles, através de editoras como a King, a Ronn, a Malaco, a Commercial, a Montage ou a Kon-Kord, entre os quais dois verdadeiros Graal da cena Modern Soul: “I need your love” e este take de “Gonna find a true love”.

    Gravada em 78 para a Commercial, esta espantosa e contagiante versão da belíssima canção escrita quatro anos antes, por John Helms e Terry Woodford para os Bottom + Co., tem levado à loucura Djs e colecionadores, desde que foi introduzida nas pistas de dança.

    Atingindo valores quase incomportáveis nos seus formatos originais, foi reeditada, em 2000, pela Expansion, num single que reúne os dois grandes hinos do duo e que já não é fácil de conseguir.

     

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  • Poder Soul

    31 dezembro 2018 – 4 janeiro 2019

    Sexta-feira

    L.B. Wilson

    Don’t

    Vivid

    Muito pouca gente saberá que L.B. Wilson é na realidade Danniel Cannon, um dos fundadores dos Vibraharps, que fez carreira, na década de 60, como Lenny O’Henry, editando uma mão cheia de sete-polegadas para marcas como a Abc, a ATCO e a Smash.

    Depois de, entre 1956 e 61, terem gravado dois singles, os Vibraharps começaram a trabalhar com Bob Crewe, o homem por trás do sucesso abismal de Frank Valli e dos Four Seasons que, sem dar cavaco a ninguém, decidiu atribuir o disco supervisionou a Lenny O’Henry + The Short Stories, provocando o fim do grupo vocal e lançando Danniel Cannon, o sujeito deste pseudónimo, para uma carreira a solo, que não havia planeado, com a assinatura de um contrato com a Abc-Paramount.

    Conhecido por ter uma atitude ditatorial com os artistas com quem trabalhava e de exigir a sua disponibilidade total para participarem nas sessões que dirigia, independentemente, de quem iria assinar cada projecto, Bob Crewe resolveu editar um disco de Danniel Cannon, através da Vivid, uma das várias editora que criou e, talvez por questões contratuais, voltou a “inventar” um nome para o talentoso cantor, desta vez, L.B. Wilson.

    Gravado em 63, na companhia do ultra requisitado Sid Bass, que assinou os seus arranjos e dirigiu a orquestra que assegurou a base instrumental, “Don’t” é um originalíssimo cruzamento entre Soul, Música Latina e a Pop daquela época e o disco que assegurou a Danniel Cannon um lugar entre os heróis da cena retro, algo que esteve longe de conseguir com Lenny O’Henry.

     

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