• Poder Soul

    3 dezembro 2018 – 7 dezembro 2018

    Segunda-feira

    Gentle

    Easy greasy pt. 1

    Leo Mini

    Embora Janet, a sua vocalista, tenha feito uma emocional aparição surpresa numa festa “Secret Rendez-vous” em Nova Iorque, em 2015, estando documentado no Youtube o momento em que canta “Easy greasy”, sobre o disco original, pouco ou nada se sabe sobre os Gentle.

    Poderemos supor que esta banda que, entre 75 e 77, gravou dois sete-polegadas de culto para a cena Deep Disco, será, certamente, oriunda do Bronx, ou não estivesse ligada a Bill Moore, o produtor local que fundou as seminais editoras – Leo Mini e Janion – e que esteve associado aos míticos Brother Soul, que já foram recuperados aqui, através de “Cookies”, e pouco mais.

    “Easy greasy”, gravado nos estúdios WRC, em Brooklyn, é o seu primeiro, o seu mais raro e, de longe, o seu mais extraordinário disco, por muito que “Bionic lover”, o seu derradeiro esforço, seja, também, indispensável.

    Uma das grandes obras-primas do mais cru e independente Disco, “Easy greasy” pôs em polvorosa a cena especializada quando foi introduzida nas pistas de dança há relativamente pouco tempo, e, desde aí, as suas raríssimas cópias originais são transacionadas na casa dos milhares.

    Foi, finalmente, reeditada, há pouco mais de duas semanas, pela londrina Suncut Records, para júbilo de muitos como eu.

     

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  • Poder Soul

    3 dezembro 2018 – 7 dezembro 2018

    Terça-feira

    Booker T. Averheart

    Heart’n’Soul

    Soultex

    Não fosse o facto de apenas se ter dedicado à música em part time e, provavelmente, Booker T. Averheart não teria comprado o rancho onde cresceu, em Streetman no Texas, que viria a servir de base ao seu Motel e ao seu Aeroporto privado, que lhe permitem sobrevoar os céus do estado num Cessna ou passear nas avenidas de Dallas num Rolls Royce.

    Mas fiquemo-nos pela música…

    No final dos anos 40, ainda no Liceu, comprou o seu primeiro baixo às prestações, sem que o pai soubesse mas com o aval de uma tia, e depressa começou a ser convidado para fazer parte da secção rítmica de várias bandas, acabando por ter a sua primeira experiência em estúdio a gravar Rock’n’Roll, com Little Sun Jackson.

    A meio da década de 60, com a interferência de Z.Z. Hill, assinou contrato com a Kent e iníciou uma curta mas marcante carreira discográfica que, entre 65 e 69, nos deu alguns clássicos Rhythm & Blues e Funk.

    Gravado em 69, para a pequena independente de Roger Boykin – Soultex Records – “Heart’n’Soul” é o seu derradeiro esforço e o seu mais cobiçado sete-polegadas.

    Esta pequena maravilha Funky Soul instrumental, alicerçada numa coesa secção rítmica, no órgão singular de Roger Boykin e nuns espantosos sopros, transformou-se num clássico incontornável da cena Deep Funk e foi recuperada, em 2003, pela Now Again, através da obrigatória caixa de singles – “Soul 7”.

     

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  • Poder Soul

    3 dezembro 2018 – 7 dezembro 2018

    Quarta-feira

    Little Jimmy Ray

    You need to fall in love

    Galliant

    Tudo parecia correr bem a James Ray quando, em 1959, trocou Washington D.C. por Nova Iorque à procura de sucesso e, com apenas 18 anos, teve imediatamente a oportunidade de gravar o seu primeiro disco, para a Galliant Records, o único enquanto Little Jimmy Ray.

    Mas a verdade é que se aproximavam tempos difíceis e no par de anos que se seguiu, não só a sua carreira não arrancou, como acabou a viver com extremas dificuldades, por vezes na rua, apenas tendo uma ou outra chance em pequenos clubes nocturnos, onde acabou por ser recrutado pelo compositor Rudy Clark, que lhe devolveu a esperança, ao lhe proporcionar a gravação do seu primeiro disco como James Ray, em 61, através da recém-fundada Caprice.

    O single foi um sucesso, ocupou o Top 10 de Rhythm & Blues, permitiu que tivesse uma curta carreira discográfica, reflectida em alguns lados, para marcas como a Dynamic Sound ou a Congress, que não voltaram a repetir o êxito de “If you gotta make a fool of somebody”, e que terminou, em 64, quando morreu subitamente, vítima de uma overdose.

    “You need to fall in love” é o lado b do seu disco de estreia e, por muito que tenha significado um doloroso arranque em falso, é, para mim, o seu mais genial registo.

    Mais uma fabulosa canção inspirada em “Fever”, que retrata o imenso talento do jovem James Ray, é um exemplo supremo da mais precoce Soul e se transformou num hino das cenas Popcorn e Rhythm & Blues.

     

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  • Poder Soul

    3 dezembro 2018 – 7 dezembro 2018

    Quinta-feira

    The Seven Souls

    I still love you

    Okeh

    Formados na Universidade de Oregon, em 1964, os Seven Souls foram um grupo multirracial, que se mudou para Los Angeles, à procura de sucesso.

    Apadrinhado por Larry Williams, o grupo que, além do seu principal cantor – Ivory Hudson – tinha Bob Welsh, futuro colaborador dos Fleetwood Mac, David T. Walker, que viria a ser um super requisitado guitarrista, tendo gravado com gigantes como Stevie Wonder, Jackson 5, James Brown, Ray Charles ou Aretha Franklin, entre muitos outros, ou Bobby Watson e Tony Maiden, que acompanhariam Rufus + Chaka Khan, gravou três singles, entre 67 e 68, e acabou por se separar um ano depois do seu derradeiro esforço discográfico.

    Gravado para a Okeh e produzido por Larry Williams, “I still love you” é o lado b do seu primeiro sete-polegadas, um double-sider que está na base do estatuto de culto de que são alvo no movimento Northern Soul.

    Esta deliciosa canção, que roça a perfeição, alimenta pistas de dança desde os longínquos tempos do Wigan Casino e é um dos clássicos essenciais da militante cena britânica.

     

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  • Poder Soul

    3 dezembro 2018 – 7 dezembro 2018

    Sexta-feira

    A Brother’s Guiding Light

    Getting together

    Mercury

    David Morris Jr. é um excelente cantor de Filadélfia que, apesar de ter conhecido um relativo sucesso, em 1976, com “Midnight lady”, nunca foi suficientemente reconhecido.

    Começou a sua carreira nos primeiros anos da década de 60, em formações de Doo Wop locais, e, em 69, iniciou um percurso discográfico, em nome próprio, que se reflectiu em oito singles, editados para marcas como a Radnor, a Phiips, a Jamie, a Plush, a Buddah ou a Becket.

    Em 73, juntou-se ao quinteto vocal A Brother’s Guiding Light para gravar o seu único disco, aquele que garantiu a David Morris um lugar entre os maiores heróis da cena Modern Soul.

    Com produção e arranjos do genial Vince Montana, que terá recrutado o núcleo duro dos MFSB para a sessão de gravação – “Getting together” – é uma verdadeira pérola da Soul de Filadélfia que, nesta altura, esteve na origem de inúmeras obras-primas e serviu de referência à grande maioria dos mais importantes artistas de música negra e não só.

    Um disco altamente colecionável no seu formato original que foi incluído em mais de uma dezena de compilações e alvo de um par de inevitáveis bootlegs.

     

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