• Poder Soul

    23 setembro 2019 – 27 setembro 2019

    Segunda-feira

    Gloria Irving

    I need a man

    Cobra

    Sabe-se muito pouco acerca de Gloria Irving.

    Sabe-se que será nativa de Chicago, que terá estado activa durante a década de 50, que terá iniciado a sua carreira como vocalista da orquestra do decisivo Sax Kari, com quem, em 1953, gravou dois 78 rotações, e que apenas editou um disco, em nome próprio, através da mítica Cobra, marca que a terá contratado por sugestão de Willie Dixon.

    Ainda assim isto foi suficiente para que o seu nome esteja entra a lendas da profícua cena Rhythm + Blues da Windy City, que tanto contribuiu para a “invenção” da Soul.

    Escrito por Mel London, o mentor da Chief Records e colaborador de eleição de nomes como Howlin’ Wolf, Muddy Waters, Elmore James ou Junior Wells, e gravado em 58 – “I need a man” – foi prensado em dez e em sete-polegadas e o single que a perpetuou.

    Uma enorme canção Blues, contaminada pelo Mambo, que indica os caminhos que viriam a dar à Soul e revela um enorme talento vocal que, não se sabe bem porquê, não voltou a ter qualquer outra oportunidade.

     

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    23 setembro 2019 – 27 setembro 2019

    Terça-feira

    Betty Moorer

    Speed up

    Wand

    Oriunda de Milwaukee, Betty Moorer formou os Esquires, com os seus irmãos Alvis e Gilbert, em 1957, quando ainda estavam no Liceu.

    Embora tenha abandonado o grupo, inicialmente conhecido como Betty Moorer + The Esquires, no princípio da década de 60, foi ao lado dos seus irmãos e dos seus parceiros que se manteve, tanto quando gravou o seu primeiro single, para a Cuca, em 63, como quando, três anos mais tarde, se mudaram para Chicago, onde começaram a trabalhar com o importante produtor e editor Bill Shepperd.

    Mas, se os Esquires arrancaram para uma carreira de relativo sucesso que, entre 67 e 80, se reflectiu num Lp e em cerca de dezena e meia de singles, para marcas como a Bunky, a B+G, a Capitol, a Rocky Ridge, a Lamarr, a Hot Line, a New World, a Ju-Par ou a Cigar Man, Betty Moorer apenas editaria mais um sete-polegadas.

    Escrito pelos seus irmãos Alvin e Gilbert, em parceria com o Esquire Sam Pace e com Bill Shepperd, que também produziu o disco, para a Wand, em 67 – “Speed up” – é o lado b deste extraordinário e ultra-colecionável double-sider, que tem uma bela versão de “It’s my thing”, dos Isley Brother, na sua face principal.

    Um imenso hino Northern Soul, apenas ao alcance dos mais abastados Djs e colecionadores que, felizmente, foi alvo de três reedições, nos últimos anos: em 2009, através da subsidiária da Jazzman, Soul 7, em 2016, num split da Kent Select e, há uns meses, pelas mãos da Outta Sight.

     

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    23 setembro 2019 – 27 setembro 2019

    Quarta-feira

    Vera Hamilton

    But I ain’t no more (G.S.T.S.K.D.T.S.)

    Epic

    Embora o seu output discográfico seja reduzido, Vera Hamilton foi uma das grandes vozes da Soul, dos anos 70.

    Aparentemente nativa de Los Angeles, terá sido entre 1970 e 71, quando fez parte da Ikettes, que Vera Hamilton começou a sua carreira profissional.

    Durante este periodo, actuou em vários shows televisivos, como parte do grupo vocal feminino que acompanhava Ike + Tina Turner. E fez parte do elenco do Filme-Concerto – “Soul to Soul” – que imortalizou um espectacúlo, em que à famosa dupla norte-americana, se juntaram nomes como Wilson Pickett, Santana, Les MacCann e Eddie Harris, The Staple Singers e as Voices of East Harlem e que festejou a Independência do Ghana, em Accra, no dia 6 de Março de 71. 

    No ano seguinte começou a trabalhar com Johnny e Shuggie Otis, tendo editado o seu primeiro single, antes de emprestar a sua voz a um Lp de Bo Diddley, de adoptar o nome Delilah, para se aventurar no território do Disco, com a gravação de um Lp, tutelado por Billy Griffin, em 78, e de ter passado os últimos anos da sua carreira a actuar com as Klass, grupo que formou com, as também ex-Ikettes, Alesia e Tiresia Butler.

    Antes de nos deixar, em 2013, ainda alinhou numa nova encarnação do mítico grupo com que se iniciou, promovida por Ike Turner, a meio dos 90.

    Produzido por Johnny Otis, para a Epic – “But I ain’t no more (G.S.T.S.K.D.T.S.)” – é uma das canções do seu único disco, em nome próprio, e um verdadeiro clássico, que retrata o seu imenso talento vocal e que está entre a melhor  Soul gravada no princípio da década de 70.

     

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    23 setembro 2019 – 27 setembro 2019

    Quinta-feira

    L.A. Carnival

    Pose a question

    Pacific Avenue / Now-Again

    No fim dos anos 60, o talentoso baterista Lester Abrams era uma presença assídua nos clubes nocturnos de Omaha, no Nebraska, e até já tinha gravado dois singles, com os seus Fabulous Impacts, quando o ainda teenager Leslie Smith o convenceu a assistir a um ensaio de um grupo que formara com alguns colegas de Liceu – The Les Smith Soul Band.

    Impressionado com o potencial de Arno Lucas, Rick Chudacoff, Ron Cooley, Geno DeVaughn, Percy Marion, Michael Patterson e, claro, de Leslie Smith, decidiu juntar-se à banda e assumir a sua liderança.

    Começou a escrever canções que reflectiam os preconceitos de que uma banda multi-racial era alvo, nessa altura, e que alimentavam o Funk sujo e visceral que praticava, numa região estranha ao género e, em 1969, foram para estúdio gravar, para a independente local Pacific Avenue, o material que viria a constar do único single editado, em vida, pelos L.A. Carnival, designação adoptada pelo grupo depois de Leslie Smith ser chamado para cumprir o serviço militar.

    No início do novo milénio, a Now-Again de Egon, desvendaria este raríssimo disco e o restante material registado pelos L.A. Carnival, esquecido e arquivado durante mais de três décadas, através do lançamento de um Lp e de dois sete-polegadas.

    “Pose a question”, tema que inspirou o título dessa recolha e que foi prensado em single, é, na minha opinião, a mais genial dessas canções.

    Uma grande e socialmente pertinente canção Funky Soul, ancorada numa musculada secção rítmica e nuns belos arranjos de sopros,  que é uma das mais significativas descobertas das últimas décadas.

     

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    23 setembro 2019 – 27 setembro 2019

    Sexta-feira

    Betty Griffin

    Free spirit

    Mopres

    Betty Griffin terá iniciado o seu percurso, a meio da década de 70, quando foi recrutada por James Cleveland para integrar os Cleveland Singers, o notável colectivo Gospel que havia fundado em 64, depois de ter trocado Chicago por Los Angeles.

    Entre 79 e 85, participou em sete Lps de James Cleveland, gravados para a Savoy e para a sua King James mas, apesar de ter tido uma peso considerável na cena Gospel, nas últimas décadas do século XX, apenas editou dois álbuns em nome próprio – “Fee spirit”, em 1980, e um disco homónino, treze anos mais tarde, assinado como Betty Griffin Keller.

    O tema que deu nome ao seu primeiro longa-duração e que, também foi prensado em sete-polegadas, pela pequena e misteriosa Mopres Records – “Free spirit” – foi a sua grande contribuição para as pistas de dança especializadas.

    Uma autêntico monstro Gospel Disco que, nos últimos anos, se tornou numa das armas de festas chave como Downlow, em Nova Iorque, e Horse Meat Disco, em Londres, e que foi incluído no primeiro volume da fundamental recolha de Greg Belson, para a Cultures of Soul, “Divine Disco”.

     

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