A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma substância estranha ao organismo (alergénio). Cerca de trinta por cento dos portugueses são alérgicos. Só o médico, designadamente o Imuno-Alergologista, consegue fazer um diagnóstico adequado da situação. Para tal baseia-se na história clínica e sintomas, no exame físico e nos exames laboratoriais.

Feito o diagnóstico clínico, impõe-se descobrir qual ou quais os alergénios em causa: ácaros, pó de casa, pelo de gato e cão, fungos, pólen de gramíneas, pólen de árvores e de ervas, leite, ovo, amendoim, peixe, marisco e frutos secos e muitos outros. Para isso o médico recorre a testes de provocação (prick tests) verificando qual a reação da pele do doente frente a alergénios suspeitos e quase sempre pede confirmação ao Patologista Clínico que doseia e identifica as imunoglobulinas E (IgE) específicas para os alergénios em questão mediante testes especiais (Rasts).

Ao nível de tratamentos, 71 por cento faz algum tipo de tratamento específico de controlo das alergias, contudo quem faz algum tipo de tratamento fá-lo essencialmente em SOS (67 por cento), sendo que apenas 33 por cento refere fazer tratamentos contínuos. São os homens e os indivíduos mais velhos (mais de 57 anos) os que mais indicam fazer tratamentos contínuos. Já no que respeita aos tratamentos em SOS, a incidência é maior no segmento feminino e na população mais jovem (até aos 56 anos).

 

Rinite

Quais são os sintomas e sinais?

– Espirros, sendo comum a ocorrência de salvas de 5 a 20 espirros seguidos;
– Comichão e vermelhidão do nariz;
– Corrimento, muco nasal aquoso e transparente;
– Obstrução nasal (sensação de nariz entupido);
– Lacrimejo e comichão nos olhos;
– Comichão na garganta;
– Olheiras crónicas;
– Eventualmente tosse (surge quando o corrimento nasal escorre para a garganta, irritando-a).

A rinite alérgica pode ser sazonal, dependendo então de alergénios especiais, os pólens de plantas, e perene ou constante, isto é, a que ocorre o ano todo, com mais intensidade nos meses frios. Sabe-se que a rinite alérgica tem um forte componente genético, pelo que a existência de história familiar de atopia, isto é, tendência para doenças alérgicas, como asma ou eczema atópico, numa pessoa com queixas de rinite, torna mais provável este diagnóstico, sendo que, mesmo sem história familiar de alergias ou rinite, esta pode desenvolver-se.

Para diferenciar a rinite de uma constipação comum, é importante ter em consideração:

– Se o aparecimento dos sintomas ocorre quando se contacta com algum alergénio específico (queixas que só surgem depois do contacto com pó ou animais, por exemplo) ou mais numa altura específica do ano (na Primavera, por exemplo, depois do contacto com pólenes ou no Outono devido à humidade);
– Se as queixas são recorrentes, ou seja, se se anda “sempre constipado”. Neste caso é frequente aparecerem os chamados “tiques”, como é o caso de coçar repetitivamente o nariz ou coçar repetitivamente a garganta (muitas vezes emitindo sons desagradáveis, para os quais se é chamado à atenção).

A rinite alérgica não é uma doença grave, isto é, não provoca consequências desastrosas para o ser humano, nem determina a sua morte. No entanto, é uma doença crónica bastante desagradável, uma vez que determina as seguintes anormalidades: dores de cabeça, irritabilidade, perda de apetite, insónia, diminuição do rendimento escolar em crianças, perturbação do comportamento social e, quando o entupimento é constante e intenso, dificuldade considerável na respiração, pela obrigação de se respirar somente pela boca.

 

Qual o tratamento?

Com esta história clinica e com um mínimo de exames complementares (testes alérgicos, pesquisa de eosinófilos no exsudado nasal, análises de sangue e, às vezes, radiografias) o médico está capacitado para apurar a causas da rinite e prescrever a terapêutica correta, para alívio rápido da manifestação alérgica.

 

Como Atenuar:

– Mantenha o interior da casa limpo, em especial o quarto de dormir;
– Ventile a casa com regularidade;
– Aspire o colchão com frequência e use capas de cobertura anti ácaros;
– Prefira lençóis de algodão;
– Use um edredão e almofadas de materiais sintéticos, porque são mais fáceis de lavar;
– Lave regularmente a roupa da cama a altas temperaturas (+ de 55ºC);
– Limite o número de bonecos de peluche no quarto e lave-os com regularidade;
– Evite ter plantas no quarto, já que a terra favorece o aparecimento de fungos;
– Evite alcatifas e tapetes pesados, pois são difíceis de lavar. É melhor se o chão for de madeira, por exemplo;
– Lave com frequência os cortinados, pois também acumulam pó;
– Evite ter arranjos de flores secas como elementos decorativos: além de serem difíceis de limpar, degradam-se e libertam muito pó;
– Se tiver animais de companhia, areje e aspire a casa com frequência;
– Evite os passeios no campo, especialmente na Primavera e em dias com mais vento;
– Feche os vidros do carro quando passa por uma zona com feno e/ou outras plantas suscetíveis de causar reações alérgicas;
– Use óculos escuros, em especial se os sintomas se manifestam nos olhos.

A medicação será a forma mais eficaz de combater os sintomas de alergia. Consulte um médico especialista de Imunoalergologia para o diagnóstico correto e prescrição do medicamento mais adequado.

 

Diagnóstico:

– Para se fazer o diagnóstico será necessário recorrer a uma consulta da especialidade – alergologia – em que, com base na história do paciente, se fazem testes cutâneos (na pele);
– Estes testes são fáceis de realizar, mesmo em crianças pequenas, são feitos praticamente sem dor e com leitura aos 20 minutos. Os resultados são depois confirmados por análises ao sangue.

 

Boletim polínico ajuda a prevenir alergias

A Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) preocupa-se com estas questões relacionadas com as doenças alérgicas, em particular a rinite alérgica e a asma. Nesse sentido, a SPAIC apresenta um serviço público inovador, o Boletim Polínico que tem por objetivo informar a população sobre os pólenes mais frequentes em Portugal. Semanalmente, a SPAIC garante, a recolha e tratamento de dados que quantificam os pólenes mais frequentes em cinco localizações do território Continental: Norte, Centro, Estremadura, Alentejo e Algarve. À semelhança do que acontece com a Meteorologia, o Boletim Polínico divulga para cada zona do país, os três pólenes clinicamente mais prevalentes.

Para o doente alérgico, o Boletim Polínico é fundamental, uma vez que, informando o doente sobre as concentrações polínicas previstas, este pode atuar preventivamente, através de atitude terapêutica (ex: anti-histamínicos, corticoides intranasais, etc.) e instituindo medidas para reduzir a exposição aos pólenes. Para obter estas informações semanalmente, basta aceder ao site da SPAIC – www.spaic.pt – e clique sobre a Rede de Aerobiologia (Boletim Polínico). Quando chegar à página do Boletim Polínico, pode saber qual a previsão polínica semanal e os principais tipos e concentrações de pólenes, na sua região. Às sextas-feiras, estas previsões são divulgadas no programa Bom Dia Portugal, da RTP1, na RDP – Antena 1 e ainda no Diário de Notícias.