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As horas decisivas de Abril

 
Foto: Mário Varela Gomes / Fundação Mário Soares

Introdução

O dia 25 de Abril de 1974 foi a data marcada para uma viragem decisiva na história de Portugal. Um grupo de militares, na sua maior parte capitães, decidiu dar um golpe definitivo no regime político vigente.

No final do dia 24 de Abril de 1974, o Estado Maior do Movimento das Forças Armadas (MFA) instala-se no Posto de Comando situado no Regimento de Engenharia 1 (RE 1) para dirigir as forças revoltosas.

No comando encontrava-se o major Otelo Saraiva de Carvalho acompanhado pelos tenente-coronéis Garcia dos Santos e Nuno Fisher Lopes, major Sanches Osório, capitão Luís Macedo, comandante Vítor Crespo e mais quatro oficiais do RE 1: Frazão, Máximo, Reis e Cepeda.

 
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25 - 04 - 1974

00:25

  • 1 min | O sinal aguardado

Eram dois os sinais combinados para o início da ação revoltosa. O primeiro ouviu-se pelas 22 horas e 55 minutos do dia 24 quando os Emissores Associados de Lisboa emitiram Paulo de Carvalho com a música “E Depois do Adeus”.

No programa “Limite” da Rádio Renascença, Leite de Vasconcelos lançou a segunda e derradeira senha para o início do golpe de Estado.

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25 - 04 - 1974

00:30

  • 30 seg | Tomada da RTP em Lisboa (Sem som)

A Escola Prática de Administração Militar toma de assalto os estúdios da RTP em Lisboa, um dos pontos estratégicos da operação. (Imagens sem som)

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25 - 04 - 1974

04:26

  • 1 min | O MFA revela-se

O Rádio Clube Português emite o primeiro comunicado do MFA, lido por Joaquim Furtado.

Esta emissora foi conquistada, sem incidentes, perto das três horas da manhã pelo 10.º “Grupo de Comandos” liderado pelo capitão Santos Coelho acompanhado pelo tenente-coronel Sacramento Gomes, majores Costa Neves e Campos Moura, capitães Correia Pombinho, Mendonça de Carvalho, Santos Silva e Santos Ferreira, todos oficiais da Força Aérea

# Foto: Alfredo Cunha / Fundação Mário Soares
25 - 04 - 1974

06:00

Uma coluna de carros de combate e transporte de tropas da Escola Prática de Cavalaria (EPC) comandada pelo capitão Salgueiro Maia instala-se no Terreiro do Paço. Corta os acessos aos ministérios, Banco de Portugal, Marconi, Câmara Municipal de Lisboa e 1.ª Divisão da PSP. Marcelo Caetano, líder do Governo, refugia-se no Comando-Geral da GNR, no largo do Carmo.

# Foto: Alfredo Cunha / Fundação Mário Soares
25 - 04 - 1974

09:00

  • 45 seg | A ameaça que vem do rio

A Fragata “Almirante Gago Coutinho” toma posição no Tejo em frente às forças de Salgueiro Maia instaladas no Terreiro do Paço.

# foto: Alfredo Cunha / Fundação Mário Soares
25 - 04 - 1974

09:35

Chega ao Terreiro do Paço uma força liderada pelo Brigadeiro Junqueira dos Reis, 2.º comandante da Região Militar de Lisboa, constituída por quatro carros de combate M47, uma companhia de atiradores do Regimento de Infantaria 1 e alguns pelotões de Polícia Militar.

Dois dos carros de combate, comandados pelo major Pato Anselmo, colocam-se na Ribeira das Naus, os outros dois, comandados pelo coronel Romeiras Júnior, posicionam-se na Rua do Arsenal em frente das forças de Salgueiro Maia. Na Avenida Ribeira das Naus apela-se às forças do regime para aderirem à revolta.

# Foto: Alfredo Cunha / Fundação Mário Soares
25 - 04 - 1974

10:30

  • 30 seg | A Ribeira das Naus é controlada pelo MFA

O major Pato Anselmo rende-se e os dois carros de combate na Ribeira das Naus e as tropas que os acompanham passam para o lado das forças do MFA, ficando sob o comando de Salgueiro Maia.

# Foto: Alfredo Cunha / Fundação Mário Soares
25 - 04 - 1974

11:00

  • 1 min | Os defensores do regime não o defendem

Na rua do Arsenal, ocorreram os momentos de maior tensão entre forças do regime e revoltosos. Após várias tentativas de negociação, e ameaças de fogo por parte das tropas do regime, o seu comandante, Junqueira dos Reis, incapaz de obrigar os seus homens a disparar com os carros de combate que não aderiram ao MFA, fica no local sem tomar mais nenhuma iniciativa.

# foto: Alfredo Cunha / Fundação Mário Soares
25 - 04 - 1974

11:30

Salgueiro Maia desloca-se com a coluna da EPC para o largo do Carmo. As restantes unidades, sob o comando de Jaime Neves, irão sitiar o quartel general da Legião Portuguesa que se rende sem grande resistência.

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25 - 04 - 1974

15:10

  • 15 seg | O MFA pressiona no Carmo

No largo do Carmo, em frente ao quartel do Comando Geral da GNR, Salgueiro Maia solicita a rendição de Marcelo Caetano.

# foto: arquivo RTP
25 - 04 - 1974

16:00

O povo que desde o inicio acompanhava os acontecimentos, enche completamente o largo do Carmo apoiando o Movimento das Forças Armadas.

# foto: Alfredo Cunha / Fundação Mário Soares
25 - 04 - 1974

17:45

O general António de Spínola chega ao largo do Carmo para aceitar a rendição de Marcelo Caetano.

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25 - 04 - 1974

19:00

  • 35 seg | A queda do regime

Marcelo Caetano e os ministros Rui Patrício e Moreira Baptista são retirados numa chaimite do largo do Carmo e transportados para o quartel da Pontinha.

# Foto: Mário Varela gomes / Fundação Mário Soares
25 - 04 - 1974

20:00

  • 3 min | O MFA comunica o fim do governo

O Rádio Clube Português emite a proclamação do MFA.

“…o Movimento das Forças Armadas, que acaba de cumprir com êxito a mais importante das missões cívicas dos últimos anos da nossa História, proclama à Nação a sua intenção de levar a cabo, até à sua completa realização, um programa de salvação do País e da restituição ao Povo Português das liberdades cívicas de que vem sendo privado.”

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25 - 04 - 1974

20:30

  • 1 min | Os últimos resistentes

Na rua António Maria Cardoso, na sede da PIDE–DGS, elementos desta polícia política resistem aos militares do MFA, abrindo fogo causando 4 mortos e dezenas de feridos entre militares e população que aí se tinha juntado. Só na manhã do dia seguinte será controlada a situação com a rendição incondicional da PIDE-DGS.

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26 - 04 - 1974

01:30

  • 4 min | Primeira apresentação pública

A Junta de Salvação Nacional faz a primeira declaração ao país na RTP.

 

Terminava assim o dia que ficou conhecido como o da “Revolução dos Cravos”.

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