Ano da graça de 1928. Portugal, acabada a I República, vivia um período de instabilidade económica e social. Um desconhecido e pouco carismático professor de Coimbra, chamado António Oliveira Salazar, toma posse da pasta das Finanças.

Quando lhe perguntaram o que iria fazer, o novo ministro, com o tom de voz sibilino que o caracterizava, respondeu ‘Sei muito bem o que quero e para onde vou’. Na altura, todos pensaram que estava a falar apenas de défices e contas públicas, mas enganaram-se.

Mais do que saber para onde queria ir, Oliveira Salazar sabia para onde queria levar os portugueses. Queria levá-los consigo, até ao fim. Nos 40 anos seguintes, quantos portugueses pensaram o mesmo que o poeta José Régio: ‘Não sei por onde vou, não sei para onde vou – sei que não vou por aí…’?