Ela é a besta negra do nosso país, a dama de ferro que nos angustia, a cavaleira do apocalipse: falamos, claro, da Matemática.

Desde o aluno que entra na primária até ao ministro que combate o défice, passando até talvez pelos professores que a ensinam, os portugueses detestam a Matemática quase tanto como os impostos que dela derivam. É, por isso, compreensível que António Guterres não contasse protagonizar um dos mais famosos deslizes aritméticos da política portuguesa. Meses antes das eleições legislativas de 1995, o candidato socialista tropeçou nos cálculos e atrapalhou-se com o PIB em frente a todas as televisões.

“Eh… são… o Produto Interno Bruto são cerca de três mil milhões de contos… portanto, seis por cento… seis por cento de três mil milhões… eh… seis vezes três dezoito… eh… um milhão e… um milhão e… ou melhor… enfim, é fazer a conta”.

Anos depois, continuamos todos a debater-nos com o mesmo défice e a mesma dificuldade em reduzi-lo. E continuaremos… tão certo como 2 mais 2 serem 5.