Antigo homem do Estado Novo, a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República foi tolerada pelas autoridades até ao dia em que, com o à vontade de quem fala de um mero subordinado, disse o indizível. À pergunta, feita com a naturalidade apenas possível num jornalista estrangeiro da France Presse, Humberto Delgado respondeu, com a mesma naturalidade, o que quase todos os portugueses pensavam, mas ninguém tinha coragem para dizer, nem sequer aos próprios botões: ‘Obviamente, demito-o’. Referia-se a Salazar.

Obviamente, acabou por vencer nas ruas, mas não nas urnas… Como também é óbvio. A frase, essa, continua viva. Imortalizando o espírito do General Sem Medo. Saberia ele que, ao dizê-la, estava a escrever o seu epitáfio?