Na boca do Conde d’Abranhos, Eça de Queiroz colocou uma das frases que mais o celebrizariam. Cansado dos governos rotativos da Regeneração, que se revezavam no Governo num autêntica campanha alegre, Eça de Queiroz, falando de um Governo imaginário que simbolizava todos os que Portugal tivera, disse, ‘O governo não há-de cair – porque não é um edifício. Há-de sair com benzina – porque é uma nódoa’.

Mais de 100 anos depois, os portugueses poderiam repetir a mesma frase sobre todos os governos que suportaram desde os tempos do autor d’As Farpas. Mas será que essa nódoa cai no melhor pano que é Portugal ou os portugueses, sempre ávidos a criticar mas temerosos a agir, é que permitem que lhes entornem a sujidade em cima?