A Presidência da República caiu-lhe no colo, oferecida por Oliveira Salazar. Ganhou as eleições a Humberto Delgado devido a fraudes eleitorais, acredita-se, mas algo é certo: não as ganhou pela sua eloquência. Sem uma língua afiada para cortar na casaca, Américo Tomaz limitava-se a cortar fitas em infindáveis inaugurações de infindáveis obras públicas, fossem barragens, pontes, lavandarias ou até escadas-rolantes.

Tantas inaugurações fazia que repetia quase ipsis verbis os mesmos discursos. E ainda bem, porque, quando resolvia improvisar, dizia pérolas como ‘É a primeira vez que cá estou desde a última vez que cá estive’. E assim continuou durante anos e anos, entrando sempre no Palácio de Belém pela primeira vez desde a última vez que lá estivera…