O quartel-general do “império” Tony Carreira está sedeado na Margem Sul do Tejo. O cantor que veio do campo – em Armadouro – vive em Lisboa e vem cheio de novidades antes de uma pausa que pensa ser necessária.

O Multiusos de Guimarães recebe Tony Carreira no dia 10 de novembro e a Altice Arena promete nova enchente de fãs nos dias 16 e 17 de novembro.

Pela primeira vez optámos por construir “uma casa”, porque sempre vivemos através dos leds, das máquinas, com estrados, mas nunca construímos um décor. E eu estou todo maluco com isto! (…) Ouvi as pessoas e vamos inserir canções que já não cantamos há 10, 15 anos.

Tony Carreira já gravou 400 canções e consegue identificar onde todas foram criadas. Em 30 anos, fez 26 discos; anos cheios em que quase não teve tempo para olhar para trás. Na calha está também um filme autobiográfico do cantor.

Estive a ver coisas do passado e achei muita piada mesmo. Coisas em que gostei de me ver, outras em que gostei menos de me ver. Mas tudo isso faz parte e defendo isso com muita garra.

“O homem que sou” é o nome do livro, também autobiográfico, de uma das figuras mais queridas do público português que, no entanto, não tem receio de confessar que continua a ter medo de um dia deixar de agradar a quem o segue.

Tem a ver com o aquário onde eu nasci e cresci. Muito humilde onde nada é garantido, eterno. Mas ao mesmo tempo também acho que é esse medo que me ajudou a crescer tanto, porque se não o tivesse talvez me sentisse seguro demais e não tivesse feito o que fiz.

A pausa que pensa fazer agora nasce de uma necessidade de descanso e recuperação de energias. Quer voltar com outras canções para continuar a evoluir e a fazer melhor.

Eu nunca me lembro de ter falado no tempo dessa pausa. E já se escreveu sobre isso. Eu não faço ideia [quanto tempo será]. Isso assusta-me porque esta pausa não tem nada a ver com o eu não gostar do que faço (…) Eu preciso primeiro de algum tempo para mim e depois de algum tempo para que o meu próximo disco seja um disco interessante. É importante às vezes sairmos da nossa profissão para voltarmos com mais garra e mais vontade. Não quero gravar um disco só por gravar.

“As canções das nossas vidas” é o disco que lança antes de se separar do público que o segue há 30 anos e que o questiona se será definitiva.