Chama-se oficialmente Ângelo Firmino, mas quase nem se lembra disso. Os amigos chamam-lhe AC, mas até a mãe e as filhas já fazem o mesmo. Boss AC tem novo trabalho: “A Vida Continua”

Foram precisos quase 30 anos para perceber que escolhi o nome errado. Sou boss [chefe] em quase todo o lado menos em casa. Três mulheres em casa e posso dizer-te que não mando nada lá em casa.

O menino que na escola já fazia as composições de Língua Portuguesa a rimar queria ser cientista ou inventor.

Sempre fui muito reservado, autónomo e independente. Sempre arranjei soluções para os meus problemas dentro de mim, nunca fui muito de exteriorizar os meus problemas (…) Sempre passei aquela imagem do super homem, no sentido em que parece que está tudo bem.

É nas músicas que acaba por contar tudo o que guarda para si no dia-a-dia. E torna-as indiscutivelmente orelhudas.

Já pensei que uma música ia funcionar muito bem e depois não funciona! Não é uma ciência exata. De uma forma geral tenho mais ou menos acertado, mas agora é muito mais difícil prever o que é que as pessoas vão gostar. As coisas estão muito efémeras, as canções duram muito pouco.

Começou a cantar com a mãe, numa casa cheia de música e de músicos. Não sentiu racismo até aos anos 90 e foi aí a primeira vez que se sentiu diferente.

Mas depois por força do hip hop – porque a revolta foi exteriorizada na música e não noutro sítio qualquer – eu percebi que podia ser isso tudo [cabo-verdiano e português].

A dignificação do hip hop deve-se também ao trabalho de equipa de Boss AC com tantos outros que se esforçaram por criar novos caminhos para esse género musical.