Emitido 

2018/12/08

Episódio nº 77

 

Convidados 

Elisabete Brasil (UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta);

Rita Basílio Simões (Investigadora FLC);

Sofia Branco (Sindicato dos Jornalistas);

Daniel Cotrim (APAV).

 

Texto do Provedor

Os noticiários da RTP tratam a violência doméstica do mesmo modo que outros crimes públicos: dão-lhe importância quando estão envolvidas figuras públicas, ou quando a brutalidade entre paredes atinge o extremo do assassínio. Fora dos ecrãs fica a violência doméstica quotidiana e escondida que está presente num em cada três lares portugueses e que em 80 por cento dos casos é dirigida contra as mulheres. Por isto mesmo, vários peritos preferem falar de violência de género, por não haver qualquer dúvida: se és mulher tens quatro vezes mais hipóteses de ser vítima de maus tratos do que se fores homem.

Que pode a RTP fazer para apoiar o combate a esta realidade tão negra quanto oculta? Muito – de acordo com as recomendações do estudo da Entidade Reguladora e com as propostas feitas pelas investigadoras que ouvimos neste programa. De todas elas retenho duas sugestões dirigidas aos jornalistas: relatar as histórias de mulheres que conseguiram romper o círculo de violência de que eram vítimas; e procurar contextualizar os assassínios noticiados na questão social mais ampla da violência de género em ambiente doméstico.

Fica também um desafio para as associações, institutos e organismos públicos criados para combater esta praga: têm de encontrar formas e canais de sensibilização de um maior número de jornalistas para o conhecimento da realidade da violência doméstica e dos preconceitos que a envolvem e produzem.

Eu sou o seu Provedor. Não se esqueça, pode contar comigo.

Veja o programa completo aqui