Emitido

2018/04/28

Episódio nº 52

 

Convidados

Miguel Crespo (investigador IUL /ISCTE);

Joaquim Vieira (Observatório da Imprensa);

Vítor Matos (Observador);

Sofia Branco (presidente Sindicato Jornalistas);

João Pedro Figueiredo (ERC);

Martim Silva (Expresso);

Vítor Gonçalves

 

Texto do Provedor

Como distinguir o que é informação verdadeira, daquilo que é propaganda, informação enviesada, ou mesmo falsa notícia? – Esta interrogação está cada vez mais presente nas mensagens enviadas ao Provedor. Como sabemos, muita coisa mudou no mundo dos media, na informação disponível e nas formas da sua difusão e do seu consumo. E a questão é esta: como evitar comprar gato por lebre?

Ainda não há muitos anos as notícias chegavam-lhe pelos jornais, rádios e canais de televisão. Eram informações tratadas por jornalistas a quem dava crédito. Hoje as informações chegam-lhe por todas as vias, do portátil ao telemóvel, e a maioria não é tratada por jornalistas, chega-lhe vinda diretamente de quem tem interesse em que a conheça e a memorize. E é por tudo isto que no programa de hoje vai ouvir algumas vezes a expressão inglesa “fact-cheking” que designa a atividade de verificação da verdade ou falsidade dos factos que suportam uma afirmação, uma opinião, uma informação, uma ideia.

[…]

A investigação para apurar se aquilo que foi dito, ou anda a ser dito, corresponde à verdade, a meias verdades, ou é totalmente falso ganha uma crescente atualidade. Em Portugal ainda é demasiado incipiente, mas começa a dar os primeiros passos. Não se trata apenas de fazer o trabalho obrigatório do jornalista quando prepara a edição de uma notícia, ou de uma reportagem. Trata-se de ir verificar notícias, informações e pseudoverdades presentes no espaço público da informação. Mesmo e sobretudo quando estas são postas a circular por terceiros. É um novo serviço que os media dignos desse nome devem ao cidadão.

Alguns dos intervenientes neste programa chamaram a atenção para os custos desta atividade. Um centro que reunisse recursos oferecidos por vários media e outras instituições – por exemplo, universidades e fundações – seria vista como tendo maior independência e mais credibilidade do que uma equipa constituída no âmbito exclusivo de um só órgão ou grupo de comunicação social. Tal centro não existe em Portugal, mas é urgente criá-lo. É um desafio a que RTP não pode virar as costas. Tem o dever de contribuir para a sua criação.

Eu sou o seu Provedor. Não se esqueça, pode contar comigo.

Veja o programa completo aqui