Emitido

2018/05/19

Episódio nº 54

 

Convidados

Maria João Bettencourt (terapeuta); Andreína Valente (paciente); Joana Ribeiro (paciente); Catarina Portugal (paciente); Helena Pinto Ferreira (Ordem dos Médicos); António Moreira (presidente Sociedade Portuguesa de Medicina Chinesa); João Beles (prof. Bases Científicas de Medicina Natural).

 

 Texto do Provedor

Dou particular atenção aos que se queixam da atuação do Provedor. Têm poucas outras entidades a quem entregar a sua queixa e por isso mesmo trato de lhes dar voz, mesmo quando penso não terem razão. Em qualquer caso: toda a gente que teve oportunidade de expor a sua prática, o seu pensamento e as suas opiniões na RTP tem de estar preparado para ser alvo de crítica e de contraditório. Dentro dos limites do razoável e sem enxovalho, mas com a contundência necessária a não reduzir tudo a brandos costumes.

A área da saúde é particularmente sensível. Tem regulação e enquadramento legal especial. O exercício da profissão nesta área é de acesso condicionado. Quem pretende trabalhar em saúde não pode fazê-lo sem ter em conta os pareceres das ordens do setor. Ao dar voz às críticas dos telespetadores e tempo de exposição a quem desenvolve determinadas práticas terapêuticas não podia deixar de divulgar a posição de responsáveis das ordens. Escolhi a que me pareceu mais apropriada: a ordem dos médicos.

Para si, telespetador, mantenho o mesmo conselho: fale com o seu médico sempre que pensar em recorrer a qualquer terapia alternativa.

[…]

Como já tínhamos referido, a lei portuguesa reconhece algumas terapias alternativas, mas não todas. Não quer dizer que num futuro mais ou menos próximo o quadro legal não venha a alargar-se. Mas, muito mais depressa do que a eventual evolução legal, desenvolve-se uma enorme curiosidade sobre todo o tipo de práticas apresentadas como tendo resultados garantidos no que toca a ganhos de bem-estar e de conforto físico e mental.

A televisão pública deve estar atenta a esta curiosidade e a estas procuras. Negá-las seria um corte deliberado com o seu tempo. Mas a RTP não é um local de simples constatação do que está na moda. Tem obrigação de informar com rigor e de fornecer elementos para a formação de uma opinião pública esclarecida, conhecedora e adulta. Não pode, sobretudo em questões altamente sensíveis como é o caso da saúde, deixar de apresentar sempre o ponto de vista daqueles que a lei reconhece como competentes para se pronunciarem sobre matérias desta área.

Eu sou o seu Provedor. Não se esqueça, pode contar comigo.

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