Emitido

2018/04/21

Episódio nº 51

 

Convidados

Moin Ahmed (telespectador);

Mentor Krasniqui (telespectador);

Bin Guan (telespectador);

Lyudmyla Trachuk (telespectadora);

Emanuelle Afonso (Observatório dos Luso Descendentes);

Pedro Calado (ACM)

 

Texto do Provedor

As redes sociais de programas e eventos ligados à RTP são suficientemente monitorizados para detetarem comentários xenófobos e racistas. Se essa não é preocupação maior já noutras áreas nem tudo vai bem. A televisão pública está obrigada a dedicar algum tempo da sua emissão a programas especificamente desenhados para serem úteis aos imigrantes e, mais genericamente, às minorias que vivem em Portugal. Todos os depoimentos recolhidos pelo Voz do Cidadão sublinham a importância de tais programas. O seu interesse vai das informações que difundem, às agendas que dão a conhecer, passando pelos apoios que divulgam.

Estando todos de acordo quanto às vantagens de tais programas, é inadmissível que não se encontre nada disto na oferta televisiva da RTP. As explicações podem ser muitas e até compreensíveis. Mas o resultado é inaceitável. Durante muitos anos a televisão pública prestou bons serviços nesta área. Está não só obrigada a honrar o seu passado como, e sobretudo, a cumprir a lei. Espero que esta situação de incumprimento seja muito rapidamente superada.

Mas no que diz respeito aos imigrantes e minorias não se pede à RTP que realize apenas um programa semanal a eles dedicado. É preciso que vá mais longe porque a isso a obriga a lei. Como vimos, a sociedade portuguesa é hoje constituída por pessoas com origens culturais e geográficas muito diversificadas. A informação e a programação da televisão pública têm de refletir essa diversidade em vez de a esconderem ou escamotearem. Os imigrantes e seus descendentes têm naturalmente de ser atores presentes na ficção, no entretenimento e no documentário. E não basta serem referidos na informação. É preciso dar-lhes visibilidade enquanto protagonistas, produtores e responsáveis pela informação que a RTP faz chegar a casa de quem vive neste país.

Há, sem dúvida, programas em que tudo isto já é tido em linha de conta. Mas ainda são poucos e o seu exemplo não se tem multiplicado. A sociedade que a televisão pública dá a ver nos seus canais, não é, a este título, parecida com aquela em que vivemos. O que tem de ser corrigido.

Eu sou o seu Provedor. Não se esqueça, pode contar comigo.

Veja o programa completo aqui