Emitido

2018/03/24

Episódio nº 48

 

Texto do Provedor

O dever de transparência e a obrigação de prestar contas impõem que traga ao Voz do Cidadão alguns indicadores da atividade do Gabinete do Provedor em 2017. Mas o programa de hoje não é apenas dedicado a números e a gráficos. Aproveito para recordar alguns dos acontecimentos mais importantes do ano passado – e que por isso mesmo estiveram no centro da relação dos telespetadores com o seu Provedor.

Vamos depois deter-nos sobre os critérios seguidos na hora de tratar e responder às questões colocadas. Refiro, por fim, alguns dos desafios enfrentados pelo serviço prestado pela RTP e que, a meu ver, continuam a carecer de resposta convincente no presente ano.

Regressemos então a 2017…

[…]

Tenho por norma responder a todas as mensagens que recebo. Só não têm resposta as que recorrem a linguagem inaceitável ou injuriosa para com funcionários e responsáveis da RTP. No ano passado não consegui responder a todas as mensagens recebidas durantes o primeiro trimestre de 2017 por ainda não ter o gabinete do Provedor suficientemente organizado. Para verificar a razão das questões que me colocam solicito frequentemente informação aos serviços visados. Só depois tomo posição, teço críticas ou elaboro recomendações.

Apesar de responder a todos, confiro maior prioridade aos telespetadores que me escrevem por terem sido pessoalmente visados em programas, reportagens ou notícias, bem como aos que referem temas abordados pela programação da RTP nos quais eles, telespetadores, são peritos.

Também dedico particular atenção à correspondência sobre assuntos de maior gravidade, ou que podem causar danos ou interpretações erradas. Finalmente, procuro dar mais importância a tudo quanto aponta para situações recorrentes: erros, faltas, problemas e procedimentos que surgem repetidas vezes. Estou igualmente muito atento aos telespetadores que referem assuntos envolvendo o bom nome e a reputação da RTP.

[…]

Ficou a conhecer alguns dos indicadores mais importantes da atividade desenvolvida em 2017. Quanto à informação RTP nesse ano retenho a crítica ao excesso de notícias sobre futebol, a escassa informação internacional e a sobreposição RTP1-RTP3 ainda à procura de perfis mais de acordo com o livre acesso de que gozam ambos os canais. Lembro a importância do reforço do jornalismo dito de investigação, capaz de revelar temas escondidos, rigoroso na verificação dos factos e na audição de todas as partes envolvidas, sobretudo as pessoas e instituições visadas. E sublinho a necessidade de maior atenção à violência das imagens divulgadas e a falta de atenção para com a informação útil em circunstâncias específicas e situações dramáticas.

No campo da programação recordo a satisfação com que várias séries e muitos documentários foram recebidos, a irritação com a presença, nos programas da manhã e da tarde, de insistentes convites à chamada telefónica para prémios e concursos, ou com a mudança demasiado frequente de horário dos programas.

Mais genericamente e também ainda por resolver: os telespetadores querem falar para a sua RTP sem pagarem custos de telefone e isso ainda não é possível. E querem ouvir e ler português correto nos programas e na informação RTP. Temo que neste campo, e apesar das frequentes chamadas de atenção do Provedor, o progresso tenha sido pequeno.

Este foi o ano de 2017. Espero poder apresentar um balanço mais interessante relativo a 2018.

Eu sou o seu Provedor. Não se esqueça, pode contar comigo.

Veja o programa completo aqui