Voz do Cidadão

Há, como se vê quando elogiam a programação, no público da RTP pessoas com um sentido apurado do que deve ser visto e do que não cabe na televisão pública. E esse é um capital muito importante para melhorar o serviço que a RTP presta.

A pandemia e os seus efeitos em todas as áreas da vida continuam a ser aspetos muito presentes na correspondência dos telespetadores com o seu provedor. Mas nem toda ela é apenas e só sobre a COVID-19.

Há situações em que não usar máscara não contradiz as normas sanitárias anti pandemia. Mas esses casos são poucos. Nos canais da RTP há ainda algumas situações desconformes às recomendações das autoridades de saúde.

Este Verão, e por factos alheios à vontade da RTP, haverá muito pouco desporto na RTP1. qual a estratégia para responder à ausência de transmissões que habitualmente ocupam largas faixas da sua grelha nos meses de julho e agosto?

A oferta de outros canais europeus é uma boa fonte de inspiração para a RTP melhorar as oportunidades que oferece às pessoas com deficiência para consumirem televisão.

A televisão pública não se pode demitir de contribuir para a educação e formação dos adolescentes. Não partilho da opinião de que há assuntos tabus, ou temas estritamente reservados à família. Tudo depende do modo como é apresentado e tratado. O público adolescente merece que as questões mais sensíveis sejam tratadas com sensibilidade e com elevada qualidade.

Verdadeiramente grave não é apenas a frequência do erro. Grave, grave é a inoperância das chefias da televisão pública para combaterem esta pandemia do mau trato da língua portuguesa. A passividade faz temer que a RTP venha a ser conhecida como um exemplo do “assim se erra em mau português”.

As emissões do Estudo em Casa foram, reconhecidamente, muito úteis e resultaram de um enorme esforço de equipas que tiveram de meter mãos à obra com generosidade e coragem. Nos primeiros dias recebi muitas críticas que, rapidamente, foram superadas pelas mensagens de agradecimento e felicitação.

RTP1 e RTP2 responderam razoavelmente bem às condicionantes impostas pela pandemia. O primeiro canal tentou a todo o custo manter a mesma programação. O segundo tratou de alterar a sua oferta. Os telespetadores agradecem.

A permanente repetição de imagens de pessoas ventiladas nos cuidados intensivos foi uma escolha péssima da Direção de Informação, provocando a depressão de quem se encontrava confinado. Assim como o foi prolongar os telejornais com exclusiva atenção à pandemia. Não precisamos de injeções diárias de 90 minutos.

Que pode a televisão pública fazer para dar a conhecer as artes de palco, fomentar a sua fruição e criar públicos nelas interessados? Muito. Muito mais do que atualmente faz.

A língua portuguesa é assunto demasiado sério para que não a defendamos as vezes que forem precisas. O seu atropelo na RTP é constante. A inação das direções de informação e de programas é a origem principal do atual estado de coisas.