Emitido

2019/05/25

Episódio nº 99

 

Convidados

Maria Roçadas (telespectadora);

Fernando Silva (telespectador);

João Clemente (telespectador);

Nuno Vaz;

António José Teixeira

 

Texto do Provedor

Tem razão a telespetadora que se queixa da publicidade que o Bom Dia Portugal faz ao tabaco. Ao longo de quatro minutos, a RTP emite repetidas imagens de homens e mulheres a fumarem, de bancas de venda de tabaco e de marcas de cigarros. Estando a publicidade ao tabaco vedada por lei, a RTP deve ter consciência de que ao incluir tais imagens num espaço noticioso está a dar a ver aquilo que não pode mostrar nos seus espaços comerciais.

Ao não dar voz aos relatores do anterior estudo agora contraditado pela Tabaqueira, a RTP não só não esclareceu a questão como proporcionou ao consumo de tabaco uma exposição que este não consegue via publicidade. É preciso garantir que tal

não se venha a repetir. E é necessário tratar estes temas tendo sempre presente o interesse da saúde pública e as imposições legais existentes.

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A RTP não exibiu imagens do massacre. Exibiu durante um curto período de tempo imagens do vídeo feito pelo assassino. Não pode, neste caso, ser acusada de ter tido um comportamento oportunista ou sensacionalista, ou de ter faltado às regras que o bom jornalismo impõe. Contudo, vale a pena refletir um pouco mais nos detalhes do caso.

Durante décadas o terrorismo dependia dos meios de comunicação tradicionais para se dar a conhecer. Sem rádios, jornais e televisões os seus atos e as suas mensagens não chegavam ao público. A sua comunicação com o grande público era mediada pelos jornalistas.

O assassino da Nova Zelândia colocou o seu filme em direto nas redes sociais. Sem qualquer mediação. Ninguém decidiu se seria, ou não, aceitável do ponto de vista ético pô-lo no ar. Ninguém decidiu como e quando publicá-lo. Só os gestores proprietários das redes sociais podiam impedir a sua divulgação. Ou seja, publicitar ou silenciar atos e mensagens terroristas já não está só e exclusivamente nas mãos dos jornalistas. Mas sempre precisaremos que estes evitem difundir o que os terroristas pretendem.

Eu sou o seu provedor. Não se esqueça: pode contar comigo.

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