Emitido

2018/11/17

Episódio nº 74

 

Convidados

Joaquim Vieira (observatório da Comunicação Social);

Pedro Adão e Silva (sociólogo);

António José Teixeira;

Mário Mesquita (ERC);

Clara Soares (psicóloga e jornalista)

 

Texto do Provedor

A mentira, disfarçada de informação, expande-se continuadamente. Conhece picos de aceleração durante as campanhas eleitorais e em outros momentos de confronto político, internacional, ou religioso. A mentira que circula nas redes sociais é cada vez mais sofisticada, deixou de ser vertida em texto para passar a apresentar-se vestida de sons, imagens e vídeos. Parece cada vez mais credível. Agora não se chama mentira, dá pelo nome mais chique de fake-news. Notícias falsas.

Quem cria tais mentiras e a maior parte de quem as difunde nas redes sociais sabe que são um embuste. Mas que importa? – quem as divulga não está nada preocupado com a verdade. Aquilo que pretende a todo o custo é reforçar as convicções de quem já faz parte do grupo e dar motivos para que novas pessoas se juntem a ele. As recentes eleições presidenciais brasileiras foram disto o exemplo máximo.

A cobertura da campanha realizada pela RTP não escapou ao clima de irredutível clivagem criado entre os apoiantes dos dois candidatos. As críticas de que foi alvo atingiram uma frequência e uma ferocidade nunca antes vista. A mesma informação, a mesma reportagem, foi acusada de ser pró-Haddad e de ser pró-Bolsonaro.

Manipulação, enviesamento, parcialidade e muito mais foram acusações que me chagaram. Salvo alguns casos em que dei razão às críticas dos telespetadores, o verdadeiro enviesamento não estava nas peças jornalísticas, mas sim nos olhos de quem as visionou muito maltratados pelo convívio com notícias falsas. Por assim ser decidi regressar ao tema das fake-news e inquirir até que ponto a redação da RTP é, ou não, a elas vulnerável.

[…]

Todos nós damos maior atenção e mais valor à informação que confirma as nossas escolhas, convicções, preferências ou os nossos receios, inseguranças e medos. Mas, se não queremos viver no engano e na ilusão, é melhor frequentarmos com igual interesse a informação que nos desagrada. E, em qualquer um dos casos, não ir no engodo de informações pouco plausíveis.

Como sempre, achamos que, ao contrário de outros, cada um de nós e o país em geral estamos ao abrigo de tais processos de reprodução massiva de mentiras forjadas. Não sou dessa opinião. Creio que, em situação de forte polarização, reagiremos como os demais. Basta lembrar a intensa circulação de informações falsas no mundo do futebol, ou ter em conta a relação obsessiva-compulsiva dos portugueses com o telemóvel para perceber quanto vulneráveis estamos.

Eu sou o seu Provedor. Não se esqueça, pode contar comigo.

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