Emitido

2019/05/18

Episódio nº 98

 

Convidados

Raquel Feliciano (telespectadora);

Carlos Fiolhais (Universidade Coimbra);

Catarina Viegas Dias (médica UCSP Olivais);

Francisco Esteves (Universidade Mid Sweden);

Gustavo Cardoso (ISCTE);

Mónica Brito Vieira (Universidade York);

Diana Barbosa (comunidade céptica portuguesa)

 

Texto do Provedor

Um estudo dito científico vem provar que o azeite é ótimo para a saúde. Poucos anos depois, outro estudo, apresentando-se como igualmente científico, afirma exatamente o contrário: o azeite mata que se farta! Em que ficamos? Com a certeza absoluta de que nenhum dos estudos era rigorosamente científico. Mas, pelo meio, a nossa confiança na ciência ficou debilitada… E os que gostam de azeite preferem acreditar nos resultados do primeiro estudo. Os outros preferem o último. O debate político também recorre com frequência a dados científicos, com igual desfecho: os mesmos dados, objeto de interpretações ligeiramente diferentes, fundamentam opções não apenas diferentes como frequentemente opostas.

Por outro lado, é evidente que algumas das realidades mais importantes da vida não carecem de explicações. Perante elas o que é decisivo é encontrar um significado, um sentido. Não um porquê, mas um para quê. Isto é, para algumas das perguntas fundamentais que nos fazemos ao longo da vida temos a certeza de que não será a ciência que nos vai dar respostas. Mas tal convicção só nos pode conduzir a ter bem claras as fronteiras daquilo que compete à ciência esclarecer e o que compete à cultura valorizar.

As posições que este Voz do Cidadão pôs em confronto, retratam boa parte dos discursos que preenchem o nosso espaço público. À RTP não compete validá-los por igual, mas não pode fazer de conta que alguns deles não existem apenas por não serem cientificamente válidos. O que tem de garantir em todos e qualquer caso é a separação entre o que é possível provar através de metodologias científicas testadas e aquilo que não o é. Sem oferecer essa clara distinção arrisca-se a contribuir para o relativismo cultural anticientífico.

Eu sou o seu provedor. Não se esqueça, pode contar comigo.

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