60 anos. Empresário. Dono do Sela. Manipulador, imoral, insensível, ardiloso. Seboso, exibicionista, com mau gosto. Considera-se dono das mulheres que trabalham para si. É viscoso na forma como fala, repetindo as mesmas frases umas a
seguir às outras, usando diminutivos de uma forma hipócrita, a tentar convencer os outros de que é mais fraco e mais inocente do que é, na verdade. Carlos é um empresário da noite que, ao longo dos anos, foi construindo uma espécie de império de casas de alterne.

A mais conhecida e procurada delas é o Sela, onde se pratica, tal como noutras das casas nocturnas de Carlos, lenocínio. Carlos é o chulo de todas estas trabalhadoras do sexo, a esmagadora maioria delas imigrantes ilegais. Por tudo isto, Carlos é um criminoso de alto calibre, que escapa às autoridades há anos. Ganha muito dinheiro com este negócio e não tem qualquer pudor em relação a isso, para ele as mulheres são “carne para canhão”, seres que existem para servir os homens e com isso dar-lhe muito a ganhar. Explora as raparigas que traz do estrangeiro até ao tutano e desfaz-se delas quando percebe que já não lhe dão o rendimento pretendido.

 

 

Carlos dá boas condições de alojamento e liberdade às “meninas” que trabalham no Sela, pois elas representam uma grande fatia dos seus rendimentos, mas não se preocupa em proporcionar o mesmo àquelas que trabalham em casas menos prestigiadas. Para manter as suas trabalhadoras na linha, não tem qualquer problema em ser agressivo e cruel com elas, não de forma mas psicológica. Carlos é cúmplice de António Martins, que pertence a um grupo organizado de empresários ligados à prática de extorsão que operam principalmente no norte do país.

Foi Carlos quem ajudou António no passado, quando o amigo foi roubado por um fornecedor: concertou um encontro entre uma das suas prostitutas e o fornecedor, e recolheu imagens que entregou a Jorge para que este chantageasse o ladrão de modo a recuperar o que lhe havia sido roubado. Desde então Carlos tornou-se no fornecedor de “meninas” de António quando este precisa de recorrer à prática de extorsão. Carlos move-se com bastante à vontade no negócio da noite e da prostituição, no tráfico de mulheres e de imigração ilegal, de tal maneira que a sua posição parece inabalável, mas tudo isso mudará quando os jornalistas Ângela Macedo e Fernando Avelar começarem a intrometer-se no Sela para desmascararem a rede liderada pelo empresário da noite.