35 anos. Jornalista. Divorciada. Competente, corajosa, reactiva, vingadora, torturada. Há nela um lado muito negro. Bonita, discreta, emocional e muito pouco madura. É uma mulher de causas, pouco egoísta e pouco agarrada aos seus hábitos e a bens materiais. Gosta de nadar. Trabalha num jornal. Quer desmascarar todas as redes e pessoas ligadas a tráfico e violência contra as mulheres. Ângela é, em primeiro lugar, uma mulher que tem dentro de si uma grande vontade de denunciar a violência contra as mulheres. Seguiu aquela que é a sua paixão e vocação, o jornalismo, mas enveredou pela área de investigação para poder agir mais directamente sobre problemas como o tráfico de mulheres e o lenocínio, procurando desmantelar redes e levar à justiça todos os agressores e criminosos ligados a este tráfico.

Ângela foi fazendo as suas investigações e acabou perante a realidade mais cruel que testemunhou até aos dias de hoje: a vida de uma rapariga romena de 15 anos que foi trazida para Portugal para se prostituir e dar dinheiro a ganhar, uma rapariga que era abusada, espancada e agredida das mais variadas formas, para depois, invariavelmente, acabar cada um dos seus dias a receber quinze homens por noite. Ter contacto com esta rapariga e a sua vida foi uma experiência tão traumática para Ângela que entrou em depressão e ficou incapaz de prosseguir os seus trabalhos com casos semelhantes. Assim, afastou-se do jornalismo de investigação e passou para a secção Internacional do jornal onde trabalhava e ainda trabalha.

 

 

Ângela seguiu com a sua vida, mas não há um único dia em que não recorde aquela rapariga romena de 15 anos, e no início da história, quando recebe a informação de que ela morreu, a jornalista decide que é o momento de voltar às investigações, como se assim pudesse não só vingar o que aconteceu à rapariga romena, mas também fazer aquilo que sempre quis mais que qualquer outra coisa: ajudar mulheres vítimas de violência. A dedicação de Ângela à profissão e à sua demanda é total e de tal forma absorvente e até perturbadora que não lhe deixa espaço para mais nada. Nunca pensou que pudesse ter filhos, porque este é um mundo muito cruel para onde se trazer uma criança, e também nunca conseguiu ser funcional no casamento, o qual está agora a acabar num processo de divórcio conflituoso que lhe trará ainda bastantes e dolorosos confrontos com o marido.

Após retomar o jornalismo de investigação, Ângela fica a saber, através de informadores, da chegada de Bruna Abreu, uma brasileira de apenas 20 anos, ao aeroporto Sá Carneiro. Bruna vem através de uma rede de tráfico de mulheres que opera no norte de Portugal. A jornalista vai para o aeroporto, mas acaba por perder o rasto da mais recente aquisição da rede. Porém, não desiste e mantém-se firme na investigação, acabando por ganhar um novo parceiro: Fernando, o também jornalista de investigação outrora muito respeitado e admirado, mas entretanto caído em desgraça devido ao vício do álcool.

Fernando perdeu o emprego no jornal concorrente em que trabalhava e chega agora a colega de Ângela pela mão de Mário Barbosa, chefe dela e editor do jornal, que acede aos pedidos de Fernando e lhe dá uma oportunidade. Ângela reage mal, não quer partilhar os trabalhos com um homem que já provou ser uma fonte de problemas, mas Mário não lhe dá hipóteses e Ângela, a partir desse momento, terá de conviver com o seu novo colega. Ângela começa por ser hostil para Fernando, que lhe paga na mesma moeda, mas uma forte atracção latente nascerá entre ambos.

No processo de investigação, Ângela cruza-se com José Nuno Brandão, um Inspector do SEF que vai gostar dela e tentará a sua sorte. Ângela envolve-se com José Nuno, mas apenas superficialmente e, de uma forma inconsciente, quase como uma tentativa para fugir aos sentimentos fortes que tem por Fernando. Quando Fernando se envolver com Inna, a Madame do Sela, Ângela não suporta os ciúmes, mas também não estará disposta a abrir facilmente o seu coração. Totalmente dedicada à sua “guerra” pessoal, Ângela acabará por ser alvo de vários e perigosos ataques tanto à sua vida privada como à sua integridade física.