Começou a fazer ginástica acrobática quando tinha 8 anos e, durante 10 anos, fez ‘uma bonita carreira’. Foi sete vezes campeão nacional, ganhou uma Taça do Mundo, conquistou 3 medalhas no Campeonato da Europa (duas de prata e uma de bronze), entre muitas outras conquistas. E foi num dos treinos que lhe mostraram o vídeo que havia de mudar, para sempre, a sua vida: o do espetáculo “Mystère” do Cirque du Soleil.

“Fiquei tão deslumbrado com aquilo que soube logo que era aquilo que queria fazer. Ser artista e despertar emoções nas pessoas. Só que, na altura, não havia sequer portugueses lá, portanto ninguém se atrevia a sonhar chegar ali. Quando disse que era o meu sonho, disseram logo que era impossível. Mas a verdade é que também tinham dito que era impossível ganhar medalhas em competições internacionais e eu consegui, por isso nunca deixei de acreditar”.

A verdade é que, em 2009, no dia em que conquistou três medalhas no Campeonato da Europa, também estava a ser observado por scouts do Cirque du Soleil que, no fim, o convidaram para um casting dois dias depois. Foi o único a ser aprovado e ficou em stand-by, à espera que surgisse uma oportunidade para se juntar a um dos espetáculos da mítica companhia.

Fez teatro musical, trabalhou com várias companhias, até que descobriu o Armazém 13, em Lisboa, e começou a fazer circo. Fez o célebre Pirates Adventure Show, em Maiorca, e assinou contratos com as empresas de cruzeiros Celebrity e MSC.

Quando o Cirque du Soleil o contacta pela 4ª vez, eis que finalmente tudo acontece: “Foram preciso quatro tentativas, mas finalmente aconteceu. E quando digo tudo, foi mesmo tudo. Porque nos contactos anteriores era sempre para fazer personagens normais, ou seja, entrava numa parte do espetáculo, fazia o meu número e pronto. Desta vez era para fazer a personagem principal, num
espetáculo sobre o Avatar e em parceria com o James Cameron – Toruk, The First Flight. Entrei a meio da tour mundial, na China, e mantive-me até ao fim, um ano e meio depois (julho de 2019)”.

A exigência da tour fê-lo querer fazer uma pausa e, durante meio ano, viajou pelo mundo e investiu em si: visitou amigos, treinou com eles, produziu números, foi a Las Vegas ver espetáculos, etc.

Entretanto falam-lhe na possibilidade de fazer outro espetáculo do Cirque du Soleil, mas entre o vai não vai surge uma oportunidade de trabalho mais atrativa para um resort na Turquia. Contudo, a pandemia trocou-lhe as voltas e amarrou-o indefinidamente a Portugal. ‘A minha namorada na altura ainda foi. Eu já não consegui porque fecharam tudo’.

Sem espetáculos nem previsão de regresso aos palcos, tem sobrevivido a dar aulas privadas e a fazer entregas. As saudades são tantas que aproveitou a oportunidade do Got Talent Portugal para voltar a subir a um palco e apresentar algo especialmente pensado para o programa: “Quero passar uma mensagem de força a todos os artistas. Estou a criar o número de straps onde vou exprimir o que senti durante este ano”.