Mickael Salgado, 30 anos, Montemor-o-Velho.

Mickael Mendes Salgado é invisual desde que nasceu. Filho de emigrantes em França, era ainda bebé quando a família regressou a Portugal, em 1992. Desde então, vive em Tentúgal, no concelho
de Montemor-o-Velho. Aos 30 anos, Mickael tem na guitarra e no canto a sua paixão. E o talento apareceu cedo na sua vida. “Desde muito cedo que eu e os meus pais nos apercebemos da minha
vocação para a música e aos três anos de idade já tocava órgão em festas de crianças e já cantava uma ou duas músicas infantis.”

O canto apareceu para, de alguma forma, colmatar a ausência de visão. Por ser cego, sentia-se incompleto e a cantar sentia-se preenchido. Emocionou-se quando cantou a primeira vez, porque encontrou algo que lhe trouxe um propósito. “Quando canto, esqueço-me que não vejo!” A família também se sentiu realizada quando percebeu a felicidade que o canto trazia ao filho.

Mickael herdou um pouco o talento do pai, que em França tinha um grupo de festas e cantava música ligeira. Iniciou-se no fado aos 7 anos e a partir daí foi fazendo espetáculos pelo país. Começou a tocar guitarra aos 9 anos, tendo passado a ser este o seu instrumento de eleição. “Também encontro inspiração na guitarra, para compor as minhas músicas”.

Por outro lado, deparou-se com alguns obstáculos quando entrou para o conservatório de Música de Coimbra, para o curso de Guitarra Clássica. Tinha de tocar obras clássicas e não tinha partituras, porque em Portugal eram escassas as partituras em braile e então tinha de tocar de ouvido. Gravava o professor a tocar e estudava em casa, reproduzindo de ouvido. Sentia-se frustrado, porque tinha mais dificuldades para aprender. Mas foi conseguindo sempre superar-se.

Em 2001, com 10 anos, ganhou um concurso de Fado Amador, no Coliseu do Porto, a que se seguiram várias participações e prémios noutros concursos. A partir dos 16 anos começou a fazer concertos, a cantar fado e a tocar à viola em simultâneo. Já deu vários espetáculos para eventos solidários, festas académicas, festas de verão, coletividades, entre outros.

Em 2010 entrou para a Universidade de Aveiro no curso de Canto Lírico e tirou o Mestrado em ensino de canto lírico, na Escola Superior de Música de Lisboa.

Decidiu candidatar-se ao Got Talent Portugal porque acha que tem capacidade para mostrar ao público o seu talento. É invisual e quer mostrar que não tendo a capacidade visual, consegue atingir
os seus objetivos e seguir o seu sonho. Considera-se resiliente e quer provar que é versátil e que tem um dom. “Esta participação é o realizar de um sonho”. Gosta muito dos jurados e sempre acompanhou o programa. Sente que tem lugar no Got Talent Portugal.